O presente estudo, tem por objetivo, relacionar algumas obras clássicas da Literatura Genealógica portuguesa, como forma de orientar aos pesquisadores brasileiros, na busca de seus antepassados lusitanos que, com alguma sorte, pode estar citado em algumas das centenas de títulos abordados por estes livros.
Nota:
Não são citadas obras genealógicas de caracter estritamente pessoais, ou seja, os estudos genealógicos de uma só família. Somente obras gerais.
1. APPARATO GENEALÓGICO UNIVERSAL -
Literatura. Famílias de Portugal. Obra composta pelo Abade João Alvares, que traz por subtítulo: ...ou Collecção de Memorias para a Genealogia Geral das Famílias deste Reino etc.. Tomo VI do Nobiliário Português (ver) do Abbade de Ermeris João Alvares.
Cópia Manuscrito, datado de 1782, in-fol, de um volume, pertencente ao acervo da Torre do Tombo.
O Autor: Padre João Alvares, nasc. a 01.11.1628, nos arredores de Braga. Filho de Gonçalo Pires e de Maria Gonçalves. Foi abade de Esmeriz e dos mais insignes genealogistas da sua época. Faleceu em 1700.
2. ARCHIVO HERÁLDICO-GENEALÓGICO - Literatura. Traz por continuidade no título: contendo notícias histórico-heráldicas, genealógicas e duas mil quatrocentas e cinquenta e duas cartas de brasão d'armas das famílias que em Portugal as requereram e obtiveram, e a explicação das mesmas famílias em um índice heraldico, comum, appendice de cartas de brasões passadas no Brazil depois do acto da independência do Imperio.
Trabalho de fundamental importância para o estudo da heráldica e genealogia de Portugal e Brasil. Obra de autoria de Augusto Romano Sanches de Baena Farinha [1822-1909], visconde de Sanches de Baena, contendo notícias histórico-heráldicas, genealógicas e duas mil quatrocentos e cinqüenta cartas de brasão de armas das famílias que em Portugal requereram e obtiveram, e a explicação das mesmas famílias em um índice heráldico.
Há um apêndice de cartas de brasão passadas no Brasil depois da Independência, segundo dados enviados por Luis Boulanger, Escrivão da Nobreza, ao autor. Impresso em Lisboa, Typografia Universal, 1872, In-4.º de 2 volumes.
O Autor (ver n.º 10): Augusto Romano Sanches de Baena e Farinha de Almeida Portugal Silva e Souza, nasc. a 26.09.1822, na freg. de Vairão, Vila do Conde, Portugal, e fal. a 08.08.1909, em Benfica, Portugal. Moço Fidalgo com exercício no Paço. Cavaleiro da Ordem da Malta. Comendador da Ordem de Santo Sepulcro. Comendador da Ordem de São Gregório Magno. Fidalgo de Cota de Armas. Doutor em medicina. Foi o 1.º visconde de Sanches de Baena, Membro de muitas corporações literárias, científicas e econômicas portuguesas e estrangeiras. Filho do capitão João da Costa Santos e de Maria do Carmo Baena Coimbra Portugal. Casado no Rio de Janeiro, a 05.03.1859, com Felicíccima Constança Manuel Salgado, nasc. a 27.07.1836, no Rio de Janeiro.
3. ARVORES DE TODAS AS FAMILIAS NOBRES PORTUGUEZAS, E CASTELHANAS - Literatura. Obra composta por D. Lopo da Cunha. Fol. 2 Tomos grandes. Séc. XVII.
O Autor: D. Lopo da Cunha, homem muito aplicado nos estudos genealógicos. Senhor de Assentar e Comendador da Azinhaga na Ordem de Cristo. Conselheiro de Guerra e Conde de Assentar, por D. Filipe IV. Falecido em 1674. Filho de D. pedro da Cunha e de Elvira Godinho. Com seu falecimento, esta obra ficou em mãos de D. Luiz Salazar e Castro, outro grande genealogista, do séc. XVIII.
4. BOSQUE ILLUSTRE DE LUSITANIA - Literatura. Famílias de Portugal. Original do Padre Frei Pedro Correia, que tem por continuidade do título: ordenado com trinta e nove árvores principais, datado de 1628.
Manuscrito, in-fol, de 40 folhas, encadernado em pergaminho, pertencente ao acervo da Biblioteca da Ajuda.
Nota: Seria Frei Pedro Correa, natural da vila de Moura, um dos célebres letrados de seu tempo ??? Este, foi Deputado da Inqisição de Évora, de que tomou posse a 05.02.1622, e foi Guardião do Convento de Varatojo. Faleceu no Convento de Évora, em 1634.
5. BOSQUE ILLUSTRE DE LUSITANIA - Literatura. Famílias de Portugal. Obra feita pelo Padre Frei Luiz da Concepção, Carmelita Calçado, que tem por continuidade do título: ordenado em correspondência de titulos e Fidalgos, que nella ha tirado de diversos Authores. Trata-se da primeira parte, que diz Ter começado a escrever no ano de 1665 e acabado em 1679. Tem Armas pintadas com cores, o retrato do Rei D. Sebastião e outros.
O original deste manuscrito foi adquirido antes de 1730 em uma livraria, em Haia, por Diogo Barbosa Machado, Abade de Sever e Acadêmico Real. O trabalho que deu título a este verbete é um manuscrito datado de 1669, in-fol, de 506 folhas, encadernado em pergaminho, pertencente ao acervo da Biblioteca da Ajuda.
6. COLLECÇÃO DE ARVORES DE COSTADOS - Literatura. Costados de Famílias de Portugal. Obra genealógica, composta por José Barbosa Cannaes de Figueiredo Castello Branco [1804-1857].
Impressa em Lisboa, em 1855. Typ. da Academia Real das Sciencias - com 32 costados.
Em 1994, saiu nova edição fac-similada, com um estudo bio-bibliográfico sobre o autor por Luiz Ferros. Consta de 500 exemplares, todos numerados e rubricados pelo editor: D. Nuno Sanches de Baena Ennes. Estoril. 1-Fac-símile da página de rosto - 6 de introdução - 32 costados - 7 de índices.
Neles, pode-se encontrar costados em que há presença de brasileiros ou de portugueses que tiveram à frente de alguma administração no Brasil
O Autor (ver n.º 8) : José Barbosa Cannaes de Figueiredo Castello Branco, genealogista e escritor, nascido em Soure, em 1804, e falecido em Lisboa, vítima de febre amarela. A 22.11.1857. Bibliotecário-mor da Biblioteca Nacional de Lisboa. Sócio da Academia Real das Ciências e da Academia Real de História de Madrid. Autor de diversos trabalhos genealógicos, muitos incompletos e ainda inéditos.
7. CÓPIAS DAS FAMÍLIAS - Literatura. Famílias de Portugal. Obra composta por Damião de Gois, também autor de Linhagens de Portugal (ver). Manuscrito, in-fol, de 929 folhas, encadernado em carn., pertencente ao acervo da Biblioteca da Ajuda.
O Autor: Damião de Gois - Historiador e humanista português do século XVI, nascido em Alenquer em fevereiro de 1502 e falecido em 30.01.1574. Nomeado guarda-mor do Arquivo da Torre do Tombo [1548]. Cronista Mor do Reino. Encarregado, em 1558, de escrever a crônica do Rei D. Manuel, obra que ficou concluída em 1567. Historiador, epistológrafo, alto funcionário régio, distinguiu-se pelo seu comospolitismo no Renascimento, aliando o seu vasto saber e cultura à ação. Orfão de pai em 1513, é acolhido no paço como moço da câmara. A sua primeira educação decorre, portanto, na corte.
Nota: Sobre o autor, ver aiores detalhes em Linhagens de Portugal.
8. COSTADOS DAS FAMÍLIAS ILLUSTRES DE PORTUGAL, ALGARVES, ILHAS E ÍNDIAS - Literatura. Nobiliário de Famílias de Portugal. Obra genealógica, composta por José Barbosa Cannaes de Figueiredo Castello Branco [1804-1857], que traz por continuação do título: obra que el-rei fidelíssimo, o mais alto e poderoso senhor D. Miguel I, oferece o seu autor.
Impresso, o primeiro tomo, em 1829, Impressão Régia, Lisboa. O segundo tomo, com o título Arvores De Costados Das Famílias Nobres Dos Reinos De Portugal, Algarves, E Domínios Ultramarinos, veio à luz em 1831. Interrompeu com este segundo tomo a obra, que devia constar de quatro tomos. Uma das mais importantes obras da bibliografia genealógica portuguesa (Carlos Velho - Livraria Artes e Letras, Leilão 2 ).
Houve nova edição - 1930, In-4.º de 2 volumes. Há mais outra edição, datada de 1990 - Ediçoes Carvalhos de Basto, Lda - Braga, que trás alteração no título:
Árvores de Costados de Famílias Ilustres de Portugal - em 2 tomos: o primeiro, XII-95 costados - 2 índice - 1 erratas. (acabou de imprimir-se em 1 de Dezembro de 1990); o segundo: VIII-242 costados - 10 índice - 1 Advertência - 1 Eerratas.
Da edição original, há um exemplar da Seção de Obras Raras da Biblioteca Nacional - Rio de Janeiro.
Neles, pode-se encontrar costados em que há presença de brasileiros ou de portugueses que tiveram à frente de alguma administração no Brasil; por exemplo: Tomo II - Árvore 1 (Maranhão, São Paulo) Árvore 5 (Pernambuco), Árvore 48 (Pará), Árvore 54 (Vice-Reis do Brasil), Árvore 60 (Paraíba), Árvore 80 (Rio de Janeiro),..., Árvore 133 (Rio de Janeiro), ..., Árvore 174 (Paraíba), ..., Árvore 225 (Rio de Janeiro), etc.
O Autor (ver n.º 6) : José Barbosa Cannaes de Figueiredo Castello Branco, genealogista e escritor, nascido em Soure, em 1804, e falecido em Lisboa, vítima de febre amarela. A 22.11.1857. Bibliotecário-mor da Biblioteca Nacional de Lisboa. Sócio da Academia Real das Ciências e da Academia Real de História de Madrid. Autor de diversos trabalhos genealógicos, muitos incompletos e ainda inéditos.
9. DAS GENEALOGIAS DA NOBREZA DE PORTUGAL, DESDE OS GODOS, SUEVOS, E ROMANOS ATÉ NOSSO TEMPO, COM OS PROGRESSOS DAS CASAS, E SOLARES - Literatura. Obra composta pelo Monge Beneditino Fr. Bernardo de Braga, natural da Cidade de Braga, que faleceu no seu Mosteiro de Tibaens a 14.03.1605.
Esta obra, em meados do século XVIII, se conservava na Biblioteca dos Monges Beneditinos do Mosteiro de Pombeiro, dividida em 2 Tomos de folha manuscrita [D. Antonio Caetano de Souza - História Genealógica da Casa Real Portuguesa, VIII, Apêndice, 5].
O Autor: Fr. Bernardo de Braga, natural da Cidade de Braga, que faleceu no seu Mosteiro de Tibaens a 14.03.1605. Professou em 1560 no convento de Santo Tirso. Nomeado cronista da ordem, percorreu os conventos de Portugal e da Galiza, de cujos cartórios extraiu notícias importantes. Foi visitador e definidor da sua congregação. Abade do convento de Santa Maria do Carvoeiro e do de Pinheiro. Autor também de umas
Notas ao Nobiliário do Conde Dom Pedro (ver).
10. DICIONNÁRIO ARISTOCRÁTICO - Literatura. Trabalho de grande importância documental, de Augusto Romano Sanches de Baena Farinha [1822-1909], visconde de Sanches de Baena, contendo todos os Alvarás de Foros de Fidalgos da Casa Real, Médicos, Reposteiros e Porteiros da Real Câmara, Títulos e Cartas do Conselho, desde 1808 até setembro de 1822. .
Trata-se de um fiel extrato dos Livros do Registro das Mercês existentes no Archivo Público do Rio de Janeiro, desde 1808 até 1822. Diz Innocencio Francisco da Silva, a quem o autor ofereceu este trabalho, que com a publicação deste livro preencheu o autor a falta que se notava de uma notícia exata e completa de todos os despachos de graças e mercês honoríficas conferidas pelo Rei D. João VI durante o período dos treze anos, em que residiu a corte portuguesa no Rio de Janeiro. Impressa em Lisboa, Typ. do Panorama, 1867, In-8.º peq., de VIII-134 págs.
Neles, pode-se encontrar muitos brasileiros, agraciados com diversas nercês, entre 1808 e 1822 - cujos documentos originais, hoje, estão no Arquivo Nacional, que funciona no Rio de Janeiro.
O Autor (ver n.º 2) : Augusto Romano Sanches de Baena e Farinha de Almeida Portugal Silva e Souza, nasc. a 26.09.1822, na freg. de Vairão, Vila do Conde, Portugal, e fal. a 08.08.1909, em Benfica, Portugal. Moço Fidalgo com exercício no Paço. Cavaleiro da Ordem da Malta. Comendador da Ordem de Santo Sepulcro. Comendador da Ordem de São Gregório Magno. Fidalgo de Cota de Armas. Doutor em medicina. Foi o 1.º visconde de Sanches de Baena, Membro de muitas corporações literárias, científicas e econômicas portuguesas e estrangeiras. Filho do capitão João da Costa Santos e de Maria do Carmo Baena Coimbra Portugal. Casado no Rio de Janeiro, a 05.03.1859, com Felicíccima Constança Manuel Salgado, nasc. a 27.07.1836, no Rio de Janeiro.
Nota: Este trabalho vem sendo por mim digitalizado, ampliado e comentado, no fórum de debates genealógicos do Site GEA-PORT, sob título: DICCIONÁRIO ARISTOCRATICO:
???http://genealogia.sapo.pt/forum/msg.php?id=10095
Rio de Janeiro, 10.10.2000
Carlos de Almeida Barata
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