Carlos Eduardo de Almeida Barata
Curriculum


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CARIOCAS BICENTENÁRIOS II

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DISTRITO DA LAGOA

Nota: O Distrito da lagoa traz sua origem na freguesia de São João Batista da lagoa, esta criada pelo Alvará de 12 de maio de 1809; executado pelo Bispo em edital de 1 de agosto de 1809. Foi instalada a sua sede, na Matriz de São João Batista, edificada em terreno doado por escritura de 1 de maio de 1831, por Joaquim Marques Baptista Leão. Entre 1809 e a data de conclusão do templo, pouco depois de 1831, a sede da freguesia alternou entre as Capelas da Conceição e de São Clemente. Foi seu primeiro pároco, o Padre Manuel Gomes Souto, 1.º colado, por carta régia de 12 de Maio, provisão de 31 de julho e posse de 6 de agosto de 1809. Administrou sua paróquia até 27 de agosto de 1830, quando foi aceita a sua renúncia.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, ainda não existia a freguesia da Lagoa. Suas terras então pertenciam a freguesia de São José, já mencionada acima. Assim, em 1806, àqueles que nasciam na Lagoa, eram fregueses de São José, e administrava o rebanho da paróquia de São José, o Padre Inácio Pinto da Conceição, nomeado por provisão de 5 de junho de 1790, e que permaneceu à frente da sua Paróquia até o de sua morte, em 2 de outubro de 1810.

 

FAUSTINA CÂNDIDA PASSOS DE ALENCASTRO, que disse ter 103 anos de idade (portanto nascida em 1803/1804), viúva, recenseada como brasileira, sabendo ler e escrever, residente na rua São Clemente, número 130.

Nasceu em Jaguarão, província do Rio Grande do Sul, em 9 de julho de 1804. Foi casada com Felipe José dos Passos, advogado, falecido em 1864 em Porto Alegre, com 66 anos de idade, tendo se realizado o consórcio em 16 de Outubro de 1825.

Filha do Capitão de Milícias Victoriano José Centeno e de D. Ana Barbosa, tendo aquele morrido em São Borja (Rio Grande do Sul), no encontro das forças brasileiras, de que fazia parte, com as de Artigas.

Conta entre os seus descendentes pessoas ilustres e pertencentes a famílias distintas, tais como o Capitão Victorino José Centeno de Alencastro, lavrador, casado na cidade de Jaguarão com D. Felicia Barbosa, e falecido na mesma cidade em 1900 com 70 anos (ou seja, nascido cerca de 1830/1831), deixando 3 filhos; Maria Faustina Enéas Gustavo Galvão (Viscondessa de Maracaju), falecida nesta cidade o ano passado (portanto em 1905), na idade de 70 anos (ou seja, nascida cerca de 1835/1836), deixando 4 filhos, 8 netos e 4 bisnetos; Capitão Candido José de Alencastro, casado com D. Inácia Bulhões (irmã do Dr. Oscar Bulhões) e falecido com 44 anos no Rio de Janeiro em 1892 (ou seja, nascido cerca de 1848/1849), sem deixar filhos; D. Maria Passos Mawrell, casada com Eduardo Mawrell, negociante em Pelotas e aí falecido em 1893, deixando 4 filhos e 3 netos.

 

Nota: Seu nome de solteira era Faustina cândida Centeno. O nome correto de sua mãe era Cândida Antonia Cabral Barbosa. Seu marido chamava-se Felipe José dos Passos e Alencastre, filho de outro Felipe José dos Passos e de Maria Manuela de Alencastre.

Sua filha, Viscondessa de Maracajú, de solteira chamava-se Maria Faustina dos Passos. Foi nascida em 21.10.1835, em Desterro - Santa Catarina, e falecida em 25.10.1906 (o que deixa claro que os dados acima foram escritos em 1906, embora fizessem parte do censo de 1906). Ao falecer teria os ditos 4 filhos, vivos, pois teve 7 ao todo. Com relação aos netos, o mesmo raciocínio, ou seja, 8 eram os que encontravam-se vivos em 1906, pois até aquela data teve pelo menos 12 netos; nasceram outros depois da sua morte.

O filho Capitão Candido José Centeno de Alencastro foi casado com Inácia de Bulhões Ribeiro, natural de Niterói - Rio de Janeiro, irmã de Oscar Adolfo de Bulhões Ribeiro, e filha de Francisco Manuel de Bulhões Ribeiro e de Maria cândida Cardoso.

 

DOMINGAS F. VIEIRA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na Praia de Botafogo, número 244. Carioca, nasceu na freguesia do Irajá. Casou-se aos 20 anos (ou seja, cerca de 1826). Teve 10 filhos. Da sua descendência restam apenas 1 filho e 2 netos. É bem forte, vê, ouve e anda perfeitamente.

 

 

AMARO PASCHOAL,disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), solteiro, recenseado como brasileiro, analfabeta, também residente na Praia de Botafogo, número 238.

 

ALEXANDRINA JOAQUINA DOS REIS, disse ter 120 anos de idade (portanto nascida em 1886/1887), viúva, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na Praia das Saudades, número 31. Faleceu logo depois, a 28 de setembro de 1906.

 

DISTRITO DA GÁVEA

Nota: O Distrito da Gávea traz sua origem na freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Gávea, esta criada pelo Decreto Imperial de 18 de junho de 1873. Foi instalada a sua sede, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, edificada por provisão de 17 de julho de 1852 e inaugurada em 1855.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, ainda não existia a freguesia da Gávea. Suas terras então pertenciam a freguesia de São João Batista da Lagoa que, por sua vez, conforme se disse acima, também não existia em 1806, pois foi criada em 1808, com terras desmembradas da freguesia de São José, já mencionada acima.

Assim, em 1806, àqueles que nasciam na Gávea, eram fregueses de São José, e administrava o rebanho da paróquia de São José, o Padre Inácio Pinto da Conceição, nomeado por provisão de 5 de junho de 1790, e que permaneceu à frente da sua Paróquia até o de sua morte, em 2 de outubro de 1810.

 

ANICETO DE ANDRADE, disse ter 109 anos de idade (portanto nascida em 1797/1798), viúvo, recenseado como brasileiro, analfabeto, profissão ignorada, residente na Estrada Dona Castorina (casa sem número).

Nasceu na dita freguesia da Gávea, no lugar denominado "Macaco" (nome que ainda hoje, em 2006, persiste). Com 30 anos, mais ou menos (ou seja, a partir de 1827), casou-se com D. Bibiana Maria de Jesus Andrade, falecida há 6 anos (ou seja, por volta de 1900).

Exerceu, enquanto moço, a profissão de cavoqueiro, trabalhando em muitas pedreiras da Capital. Foi empregado da Repartição de Obras Públicas. Teve 9 filhos, dos quais só existiam 2 vivos, em 1906, além de 12 netos e 9 bisnetos. Está forte, vê, ouve e anda bem.

 

CUSTÓDIA ANTONIA FERREIRA, disse ter 110 anos de idade (portanto nascida em 1796/1797), solteira, recenseado como brasileira, sabendo ler e escrever, residente na rua Marques de São Vicente, número 19. Natural do Maranhão. Está forte, vê, ouve e anda bem.

 

LUIZA CAMPOS, disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), solteiro, recenseado como brasileiro, analfabeta, residente na travessa Aguiar, número 20.

 

DISTRITO DE SANTANA

Nota: O Distrito de Santana traz sua origem na freguesia do mesmo nome, esta criada pelos Alvarás de 15 de Dezembro de 1814 e 4 de Setembro de 1817, executados por edital do Bispo de 2 de outubro seguinte. Foi instalada a sua sede, na Matriz de Santana, edificada por provisão de 30 de julho de 1735, em lugar onde hoje se ergue a torre da Central do Brasil, e demolida em 1857.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, ainda não existia a freguesia de Santana. Suas terras então pertenciam a freguesia de Santa Rita, já mencionada acima. Assim, em 1806, àqueles que nasciam em Santana, eram fregueses de Santa Rita, e administrava o rebanho da paróquia de Santa Rita, conforme já vimos, o Cônego Dr. José Caetano Ferreira de Aguiar, 3.º Colado da Paróquia de Santa Rita, nomeado por Carta Régia de 12 de dezembro de 1801, e provisão de 23 de dezembro de 1802, e que permaneceu à frente da sua Paróquia até o de sua morte, em 27 de Julho de 1836.

 

LUIZA CAMPAZ, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na travessa Aguiar, número 20.

Nota: A travessa Aguiar, naquele ano de 1906, começava na rua Dr. Nabuco de Freitas e terminava na travessa Silva Bayão, no Morro do Pinto.

 

MARIA ROSA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como africana, analfabeta, residente na rua Senador Euzébio, número 362. Veio da África para o Brasil com 16 anos de idade (portanto, por volta de 1822); teve 12 filhos, extinto apenas 3, até 1906.

Nota: A rua Senador Euzébio não existe mais, foi absorvida com a abertura da Avenida Presidente Vargas, em 1945.

 

HENRIQUETA COSTA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como africana, analfabeta, residente na rua Visconde de Sapucaí, número 17.

Esteve amasiada com o seu primeiro patrão de nacionalidade portuguesa, do qual teve 3 filhos, todos falecidos. Mais tarde casou-se com um seu patrício, também natural da África, falecido há 5 anos (ou seja, cerca de 1901). Tem vivos 1 filha, 4 netos e 1 bisneto em 1906. Atualmente ocupa-se de vender quitandas preparadas por ela (rosários, etc.), e costuma fazer ponto em corredores da rua Marechal Floriano e da rua Primeiro de Março, ora na entrada da Praça do Mercado. É bastante forte, ouve, vê e anda bem.

Nota: A rua Visconde de Sapucaí é hoje a rua Marquês de Sapucaí.

 

LUIZA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), estado civil ignorado, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na rua Benedito Hipólito, número 50.

Nota: A rua Benedito Hipólito, em 1906, antes denominada de rua do Alcântara, por sua extensão, cruzava as freguesias de Santana e do Espírito Santo. Começava na rua de Santana, junto à igreja matriz da freguesia de Santana, e terminava na Rua Dona Laura de Araújo, nos fundos do Asilo da Mendicidade, depois Hospital de São Francisco de Assis.

 

TERESA DE JESUS, que disse ter 120 anos de idade (portanto nascida em 1786/1787), solteira, recenseada como africana, analfabeta, residente na rua Bom Jardim, número 110.

Veio da África para o Brasil com 3 anos de idade (portanto cerca de 1789). Teve 7 filhos, existindo somente 1, em 1906. Está quase cega e apresenta cabelos completamente brancos. Lembra-se da chegada da Imperatriz e das festas que celebraram.

Nota: Penso que esteja falando da Imperatriz Leopoldina, Princesa Imperial e Arquiduquesa d'Áustria, esposa de D. Pedro I, que chegou ao Rio de Janeiro em 1817, quando Teresa de Jesus tinha cerca de 31 anos de idade.

É curioso que em 1906 ainda se falava em rua Bom Jardim pois, naquela ocasião já tinha a nova denominação de Visconde de Sapucaí, hoje rua Marques de Sapucaí.

 

DISTRITO DA GAMBÔA

Nota: O Distrito da Gambôa não tem origem em uma freguesia, na verdade, suas terras pertenceram a duas antigas freguesias: Santa Rita e Santana, ambas citadas acima, com seus respectivos párocos.

O Decreto com força de lei n. 434, de 16 de junho de 1903, dividiu o território do então Distrito Federal em 25 distritos numerados e denominados. Originou-se daí o 11.º Distrito da Gambôa, formado com terras desmembradas do 2.º distrito de Santana, excluídos os prédios da rua Camerino que lhe pertenciam.

Assim, no ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, aqueles que nasceram na Gambôa, dependendo do endereço, eram fregueses de uma daquelas duas freguesias: Santa Rita e Santana.

 

INÊS MARIA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteira, recenseado como africana, sabendo ler e escrever, residente na rua Senador Pompeu, número 130. Faleceu pouco depois, em 21 de janeiro de 1907.

Nota: A rua Senador Pompeu, antiga rua Príncipe dos Cajueiros, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia de Santana.

 

LEOPOLDINA DAMASCENO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), viúva, recenseado como africana, analfabeta, residente na rua Dr. Rego Barros, número 39, na Gambôa.

Nasceu no Congo, África, e chegou ao Rio de Janeiro com 5 anos de idade (ou seja, por volta de 1811). Teve 5 filhos e 5 netos. Gozou sempre boa saúde.

Nota: A rua Dr. Rego Barros, antiga rua da Providencia, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia de Santana. Começava na rua da América (citada adiante), e terminava no largo da Providência.

 

ROMANA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteira, recenseado como africana, analfabeta, quitandeira, residente na rua General Caldwell, número 28.

Nota: A rua General Caldwell, antiga rua Formosa, naquele ano de 1906, por sua extensão, pertencia às freguesias de Santana e Santo Antonio.

 

FELICIANA DO AMARAL, que disse ter 104 anos de idade (portanto nascido em 1802/1803), viúva, recenseado como africana, analfabeta, residente na rua da Amércia, número 91.

Nasceu no Congo, África, e chegou no Brasil com 7 anos de idade (ou seja, por volta de 1809). Aqui chegou no tempo de D. Pedro I (na verdade antes, se estiver certa a informação de ter 7 anos, quando chegou), lembra de ter assistido a coroação de D. Pedro II (1841), e ao batizado de D. Afonso (1845). Pouco depois do recenseamento, mudou-se para a rua da Providencia, número 10 (1.º portão).

Nota: A coroação de D. Pedro II aconteceu em 18 de julho de 1841. D. Afonso Pedro d´Alcântara Cristiano Leopoldo Filipe Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon, nascido em 23.02.1845, no Rio de Janeiro.

A rua da América, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia de Santana. Começava na praça de Santo Cristo dos Milagres, perto da igreja, e terminava na rua General Pedra, junto à antiga cancela da Estrada de Ferro Central do Brasil. A rua da Providencia, naquele ano de 1906, já era conhecida pela nova denominação de rua Dr. rego Barros, citada acima.

 

MARIA DAS DORES, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascido em 1801/1802), viúva, recenseado como africana, analfabeta, residente na rua Orestes, número 41, sobrado.

Veio da África para o Brasil com 5 anos de idade (ou seja, cerca de 1806). Teve 2 filhos. Goza saúde e com os óculos ainda cose.

Nota: A rua Orestes, em 1906, pertencia à freguesia de Santana. Tinha princípio na rua Sara e terminava na rua Átila, no Morro do Pinto. Foi aberta em 1875 no lugar denominado Vila Formosa.

 

DOMINGOS AFRICANO, que disse ter 123 anos de idade (portanto nascido em 1783/1784), viúvo, recenseado como africano, analfabeto, pintor, residente na rua Barão de São Félix, número 22. Há mais de 10 anos que reside no Brasil (ou seja, veio antes de 1886). Vê pouco, ouve e anda bem.

Nota: A rua Barão de São Felix, antiga rua Princesa dos Cajueiros, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia de Santana.

 

BERNARDO JOAQUIM DE ALMEIDA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), casado, recenseado como africano, analfabeto, residente na rua Senador Pompeu, número 194.

Nota: A rua Senador Pompeu, antiga rua Príncipe dos Cajueiros, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia de Santana.

 

BRAZ DA SILVA PEREIRA PORTO, que disse ter 109 anos de idade (portanto nascido em 1797/1798), casado, recenseado como africano, analfabeto, pedreiro, residente na rua Barão de São Félix, número 22 (o mesmo endereço de domingos Africano, citado acima).

Veio da África muito pequeno para o Brasil, com cerca de 10 anos de idade (ou seja, cerca de 1807). Casou-se com uma parceira de nome Sophia, que ainda vive com ele (talvez queira dizer companheira de viagem). Tem 3 filhos, 8 netos e 8 bisnetos. Trabalha de pedreiro e está empregado nas obras da Avenida Mem de Sá. Está ainda forte, vê, ouve e anda perfeitamente.

Nota: Aos 109 anos de idade ainda trabalhava, de pedreiro, na abertura de logradouros.

 

HORÁCIO DE SÁ PACHECO, que disse ter 117 anos de idade (portanto nascido em 1789/1790), casado, recenseado como africano, sabendo ler e escrever, cozinheiro, residente na rua Barão de São Feliz, número 22, na Gambôa (o mesmo endereço de domingos Africano e Braz Pereira Porto, citados acima)..

Veio da África para o Brasil em 1790 (assim o disse, portanto com 1 ano ou meses de nascido), esteve na Bahia; tem 2 filhos e 4 netos, todos residentes na Bahia. Goza perfeita saúde.

Nota: A rua Barão de São Felix, antiga rua Princesa dos Cajueiros, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia de Santana.

 

FELIPE, que disse ter 130 anos de idade (portanto nascido em 1776/1777), viúvo, recenseado como africano, analfabeto, residente na rua Senador Pompeu, número 168.

Alistou-se como soldado e esteve com 2 filhos na Guerra do Paraguai (1864-1870); disse ter entrado num combate, sob o comando do Duque de Caxias, e em outro comandado pelo Conde D´Eu.

Nota: A rua Senador Pompeu, antiga rua Príncipe dos Cajueiros, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia de Santana.

 

GERTRUDES DA CONCEIÇÃO, que disse ter 110 anos de idade (portanto nascido em 1796/1797), solteira, recenseado como africana, analfabeta, residente na ladeira do Faria, número 41 A, na Gambôa.

Veio da África para o Brasil no tempo de D. Pedro I (ou seja, entre 1821 e 1831), e residiu algum tempo na Bahia. Tem uma filha no Rio Grande e 2 netos.

Nota: A ladeira do Faria, antiga ladeira de São Lourenço, naquele ano de 1906 pertencia à freguesia de Santana. Começava no fim da rua Visconde da Gávea, e terminava na ladeira do Barroso.

 

DISTRITO DO ESPÍRITO SANTO

Nota: O Distrito do Espírito Santo traz sua origem na freguesia do Divino Espírito Santo, esta criada pelo Decreto Imperial de 8 de julho de 1865. Foi instalada a sua sede, na Matriz do Divino Espírito Santo, edificada em 1746, depois reconstruída.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, ainda não existia a freguesia do Divino Espírito Santo. Suas terras então pertenciam a quatro freguesias: Engenho Velho, São Cristóvão, Santo Antonio e Santana. Assim, em 1806, àqueles que nasciam no do Divino Espírito Santo, eram paroquianos de uma daquelas quatro freguesias.

 

MARCELINA P. DE JESUS, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteira, recenseado como africana, analfabeto, residente no Asilo de São Francisco de Assis.

Veio da África para o Brasil com 10 anos de idade (ou seja, cerca de 1816), e teve 4 filhos.

 

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

MANUEL VALENTE DA SILVA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteiro, recenseado como africana, sabe ler e escrever, residente no Asilo de São Francisco de Assis.

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

DAVID LUIZ, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteiro, recenseado como africana, analfabeto, residente no Asilo de São Francisco de Assis

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis

 

ISABEL D. DA COSTA, que disse ter 120 anos de idade (portanto nascido em 1786/1787), solteira, recenseado como africana, analfabeta, residente na rua Faria, número A-7.

Nota: A rua Faria, aberta no final do século XIX, naquele ano de 1906 começava em terrenos devolutos, próximos à rua Visconde de Itaúna, no chamado Campo de Marte, e terminava no fim da rua Frei Caneca.

 

MARIA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteira, recenseado como africana, analfabeta, residente no Asilo de São Francisco de Assis., onde se achava internada no salão da enfermaria; não liga as idéias e tem a fisionomia apatetada.

 

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

JOSÉ MINA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteiro, recenseado como africana, analfabeto, residente na ria Itapirú, número 131. Faleceu pouco depois, em dezembro de 1906.

 

ISABEL MARIA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), viúva, recenseado como africana, analfabeta, residente no Asilo de São Francisco de Assis. Faleceu pouco depois, em 14 de outubro de 1906.

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

DIONÍSIA MARIA DAS DORES, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), viúva, recenseado como brasileira, analfabeta, residente no Asilo de São Francisco de Assis.

Nasceu no Rio de Janeiro. Disse ter sido Aia de José Bonifácio de Andrada e Silva. Teve 2 filhos, já falecidos.

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

JOÃO MINA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteiro, recenseado como africano, sabendo ler e escrever, operário, residente no Asilo de São Francisco de Assis.

Veio da África para o Brasil com 15 anos de idade (ou seja, cerca de 1821) e residiu algum tempo na Bahia. Tomou parte na guerra do Paraguai (1865-1870).

 

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

QUIRINO HONÓRIO DA COSTA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteiro, recenseado como africano, analfabeto, lavrador, residente no Asilo de São Francisco de Assis.

Disse ter vindo para o Brasil no tempo de D. João VI (ou seja, entre 1808 e 1821, se estiver referindo-se a D. João, ainda na qualidade de Príncipe Regente; e entre 1816 e 1821, como D. João VI).

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

JOSEFA QUERUBINA MACABRI, que disse ter 106 anos de idade (portanto nascido em 1800/1801), viúva, recenseado como brasileira, analfabeto, residente na rua Nova de São Leopoldo, número 19.

Nasceu na província de Minas Gerais, em São Paulo de Muriaé. Ainda muito jovem passou para Campos (na região norte-fluminense) com sua família e ali se casou com Roberto Luiz Gonzaga, falecido há muitos anos. Desse consorcio resultaram 8 filhos.

A sua prole é representada atualmente por 2 filhos e 13 netos. Tem uma só vista e, apesar disto, vê bem. Ouve e anda bem. Goza boa saúde.

 

JOAQUINA RITA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascido em 1801/1802), viúva, recenseado como africana, analfabeta, residente na rua de Catumbi, número 49.

 

JOÃO MINA AFRICANO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteiro, recenseado como africano, sabendo ler e escrever, residente no Asilo de São Francisco de Assis.

 

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

DULVINA ROSA BORGES, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1801/1802), viúva, recenseado como portuguesa, analfabeta, residente na rua Nova de São Leopoldo, número 38. Faleceu pouco depois, em 13 de fevereiro de 1907.

 

DEOLINDO DO NASCIMENTO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteiro, recenseado como brasileiro, profissão ignorada, analfabeto, residente na já citada rua Benedito Hipólito, número 65.

 

FELICIDADE CORRÊA, que disse ter 102 anos de idade (portanto nascido em 1805/1806), solteira, recenseado como africana, analfabeta, residente na rua Conselheiro Pereira Franco, número 7.

 

LEOPOLDINA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascido em 1801/1802), solteira, recenseado como africana, analfabeta, residente na ladeira Santo Alfredo, número 9, 1.º andar

Veio da África para o Brasil com 10 anos de idade, mais ou menos (ou seja, por volta de 1811). É forte, vê, ouve e anda perfeitamente.

 

JOAQUIM DE FREITAS GUIMARÃES, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascido em 1801/1802), solteiro, recenseado como português, analfabeto, profissão ignorada, residente na rua Frei Caneca, número 312. Faleceu pouco depois, em 10 de outubro de 1906.

 

ALBINO VELHO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteiro, recenseado como africano, analfabeto, residente no Asilo de São Francisco de Assis.

É natural de Angola, na África. Veio para o Brasil no tempo de D. Pedro I (ou seja, entre 1821 e 1831).

 

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

JORGE GALDINO PIMENTEL, que disse ter 108 anos de idade (portanto nascido em 1798/1799), casado, recenseado como africano, analfabeto, pedreiro, residente na rua Gonçalves, número 26.

Veio para o Brasil em 1825. Casou-se com Paulina Maria da Conceição, falecida em 25 de novembro de 1906, com 96 anos de idade, sem descendência. É forte, vê, ouve e anda perfeitamente.

Nota: A rua Gonçalves, aberta em 1874, naquele ano de 1906 começava na rua Miguel de Paiva, e terminava na rua Idalina, no Catumbi.

 

LUIZA ROSA SANTOS, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseado como brasileira, analfabeta, residente no Asilo de São Francisco de Assis.

Nota: O Asilo de São Francisco de Assis, antigo Asilo da Mendicidade, foi solenemente inaugurado em 10.07.1879. Em 1894 mudou a denominação para Asilo São Francisco de Assis.

 

DISTRITO DE SÃO CRISTÓVÃO

Nota: O Distrito de São Cristóvão traz sua origem na freguesia do mesmo nome, esta criada pelo Decreto Imperial de 9 de agosto de 1856. Foi instalada a sua sede, na Matriz do mesmo nome, edificada antes de 1627.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, ainda não existia a freguesia de São Cristóvão. Suas terras então pertencia ao 2.º Distrito da freguesia do Engenho Velho. Assim, em 1806, àqueles que nasciam em São Cristóvão, eram paroquianos da freguesia de São Francisco Xavier do Engenho Velho, cujo pároco era o Padre Antonio de Melo Botelho, 9.º encomendado, desde julho de 1790, e 1.º colado, por Carta Régia de 15 de Novembro de 1797, permanecendo à frente da administração da paróquia até a data de sua morte, em 20 de junho de 1829.

 

MARTA DO ROSÁRIO, que disse ter 107 anos de idade (portanto nascida em 1799/1800), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na rua Major Fonseca, número 3 A.

É natural do Ceará. Sempre gozou saúde e é muito forte. Vê muito pouco e ouve bem.

Nota: A rua Major Fonseca, antiga rua Santa Maria, aberta em 1872, naquele ano de 1906, começava na praça Visconde do Rio Branco, esquina com a rua Curuzú, e terminava na rua Vileta, esquina com a rua das três Bocas, no Retiro da América.

 

ANA DA SILVA, que disse ter 120 anos de idade (portanto nascida em 1786/1787), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na rua da Alegria, número 47.

Nasceu em Itacurussá, província do Rio de Janeiro, onde casou aos 13 anos de idade (ou seja, em 1799) com Inácio José da Silva, falecido Há 40 anos (ou seja, por volta de 1866), Depois de viúva passou a morar em Mangaratiba, província do Rio de Janeiro, em companhia de uma filha. Sempre gozou saúde. Anda, ouve bem e vê pouco. Tem 12 filhos. A sua atual descendência é representada por 2 filhos, 2 netos e 4 bisnetos.

Nota: A rua Alegria, atual rua Professor Olímpio de Melo, naquele ano de 1906 começava na praia do Retiro Saudoso (Ponta do Caju) e terminava na rua de São Luiz Gonzaga.

 

 

JERONIMA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 137 anos de idade (portanto nascida em 1769/1770), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente no Asilo da Velhice Desamparada. Faleceu pouco depois, em 19 de Março de 1907.

 

Nota: O Asilo da Velhice Desamparada, atual Casa de São Luís, foi fundado em 25 de agosto de 1890 pelo Comendador Luís Augusto Ferreira de Almeida, depois Visconde de Ferreira de Almeida, na Rua General Gurjão, próximo à General Sampaio (Caju), freguesia de São Cristóvão.

 

JOAQUIM TEIXEIRA BARBOSA, que disse ter 121 anos de idade (portanto nascido em 1785/1786), solteiro, recenseado como português, analfabeto, residente na Praia de São Cristóvão, número 177 (Hospício de N.S. do Socorro). Faleceu pouco depois, em 18 de outubro de 1906.

 

PAULA GERTRUDES DA CONCEIÇÃO, que disse ter 138 anos de idade (portanto nascida em 1768/1769), solteira, recenseado como brasileira, analfabeta, residente no Asilo da Velhice Desamparada.

Nasceu no Rio de Janeiro, freguesia do Engenho Velho, e foi empregada do Senador do Império António Pinto Chichorro da Gama. Esteve em Pernambuco cerca de 5 anos quando presidente dessa provinda o referido Senador. Conheceu muito D. Pedro I e D. Pedro II. Vê e ouve bem; anda com muita dificuldade.

 

Nota: O Asilo da Velhice Desamparada, atual Casa de São Luís, foi fundado em 25 de agosto de 1890 pelo Comendador Luís Augusto Ferreira de Almeida, depois Visconde de Ferreira de Almeida, na Rua General Gurjão, próximo à General Sampaio (Caju), freguesia de São Cristóvão.

 

RITA DA PAIXÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), viúva, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na rua de São Cristóvão, número 324 (estalagem). Falecida pouco depois, em 11 de Outubro de 1906.

 

DOMICIANO FERNANDES NEVES, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascido em 1801/1802), viúvo, recenseado como brasileiro, sabendo ler e escrever, alfaiate, residente na rua Sá Freire, número 54.

Nasceu na província de Minas Gerais, em Matias Barbosa, na Fazenda da Marquesa de São Mateus. Depois da morte dessa senhora, foi empregado do Senador do Império Conde de Baependi e do Barão de Santa Justa.

Foi casado com Ludovina Maria Teodora, falecida há 8 anos (ou seja, cerca de 1898). A sua atual descendência é representada por 3 filhos, 3 neto e 2 bisnetos. Vê muito pouco e sente muita franqueza nas pernas. Ouve bem.

Nota: Marquesa de São Mateus - aqui talvez haja uma confusão. Não existiu marquesa de São Mateus, e sim baronesa de São Mateus, D. Francisca Maria do Valle Nogueira da Gama irmã do Marques de Baependi, que foram proprietários naquela região.

Conde de Baependi Braz Carneiro Nogueira da Costa e Gama, nascido em 22.05.1812, no Rio de Janeiro, e falecido em 12.05.1887.Filho dos Marqueses de Baependi.

Barão de Santa Justa - Jacinto Alves Barbosa, falecido em 20.12.1872, em Valença, província do Rio de Janeiro. Proprietário e fazendeiro no Município de Paraíba do Sul.

 

 

FRANCISCO VIANA, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascido em 1801/1802), viúvo, recenseado como brasileiro, sabendo ler e escrever, sacristão, residente na rua das três Bocas, número 2 A.

Nasceu na praia das Saudades, Rio de Janeiro; casou-se 3 vezes. A primeira com Leopoldina Silva Viana, a segunda com Carolina Santos Viana e a terceira com Maria dos Reis Viana.

Desses consórcios teve 18 filhos, existindo apenas 1 filha em 1906, com quem vive. Esta teve um só filho, alistado como solado e falecido em Canudos, na expedição Moreira César.

 

Dedicou-se sempre ao serviço de Igreja, chegando a ocupar o cargo de sacristão-mór da Capela Imperial. Recebia do Imperador uma pensão de 200$000 anuais. Era persona grata do finado monarca. Recebe atualmente uma pensão mensal de 20$000 da Irmandade do Carmo. Deixou de ser sacristão por estar sofrendo da vista. Ainda está bem forte.

Nota: A rua das três Bocas, aberta em 1872, naquele ano de 1906 começava no fim da rua Major Fonseca, à direita (esquina da rua Vileta), e termina na rua Tuiti - no Retiro da América.

 

EDWIGES, que disse ter 115 anos de idade (portanto nascida em 1791/1792), viúvo, recenseada como africana, analfabeta, residente na rua de São Januário, número 29

 

 

MARIA FRANCISCA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), solteira, recenseada como africana, analfabeta, residente na rua Conde de Leopoldina, número 8 (estalagem, casa 7).

Só teve uma filha que ainda vive e conta já 61 anos (ou seja, nascida cerca de 1845). Vê e ouve bem, anda com dificuldade. Tem vivo 1 filha, 2 netos, 9 bisnetos e 3 tataranetos.

Nota: Embora informasse residir na rua Conde de Leopoldina, este logradouro, naquele ano de 1906 já tinha a denominação de Rua do Pau Ferro; começava na praia de São Cristóvão e terminava na rua Senador Alencar.

 

CATARINA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 110 anos de idade (portanto nascida em 1796/1797), solteira, recenseado como africana, analfabeta, residente na rua São Januário, número 119 A. Vê, ouve, anda bem e goza saúde.

 

JOAQUINA DA COSTA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), solteira, recenseado como africana, analfabeta, residente na Quinta do Caju, número 19.

 

FERNANDO FELIX DO ESPÍRITO SANTO, que disse ter 101 anos de idade (portanto nascida em 1805/1806), solteiro, recenseado como brasileiro, analfabeta, operário, residente na citada rua da Alegria, número 36

Nasceu no Estado da Bahia. Passou para o Rio de Janeiro com 40 anos (ou seja, em 1866). Além do serviço doméstico exercia nas horas vagas o ofício de sapateiro. Há 3 anos que serve como porteiro da Fábrica de Tecidos São João. Está forte, vê, ouve e anda bem. Goza muito boa saúde.

 

 

MARIA ADELAIDE A. TEIXEIRA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseado como brasileira, sabendo ler e escrever, residente na rua da Caixa d´Água, número 2.

 

DISTRITO DA TIJUCA

Nota: O Distrito da Tijuca não tem origem em uma freguesia, na verdade, suas terras pertenceram à freguesia do Engenho Velho, citada adiante, com seus respectivos párocos.

O Decreto com força de lei n. 434, de 16 de junho de 1903, dividiu o território do então Distrito Federal em 25 distritos numerados e denominados. Originou-se daí o 16.º Distrito da Tijuca, formado com terras desmembradas do 2.º Distrito do Engenho Velho e parte dos distritos da Gávea e Jacarepaguá.

Em 1806, àqueles que nasciam na Tijuca, eram paroquianos da freguesia de São Francisco Xavier do Engenho Velho, cujo pároco era o Padre Antonio de Melo Botelho, 9.º encomendado, desde julho de 1790, e 1.º colado, por Carta Régia de 15 de Novembro de 1797, permanecendo à frente da administração da paróquia até a data de sua morte, em 20 de junho de 1829..

 

MARIA RITA CUNHA, que disse ter 106 anos de idade (portanto nascida em 1800/1801), solteira, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na Estrada das Furnas, casa sem número.

 

CONTINUAÇÃO DO ARTIGO - CARIOCAS BICENTENÁRIOS III

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Por Carlos Eduardo Barata

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