Carlos Eduardo de Almeida Barata
Curriculum


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CARIOCAS BICENTENÁRIOS III

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DISTRITO DO ENGENHO NOVO

Nota: O Distrito do Engenho Novo traz sua origem na freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Engenho Novo, esta criada pelo Decreto Imperial de 3 de agosto de 1873. Foi instalada a sua sede, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, edificada na antiga fazenda dos jesuítas antes de 1759. Reedificada em 1869.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, ainda não existia a freguesia do Engenho Novo. Suas terras então pertenciam a outras três freguesias: Engenho Velho, São Cristóvão e Inhaúma. Assim, em 1806, àqueles que nasciam no Engenho Novo, dependendo do endereço, eram paroquianos de uma daquelas três freguesias.

 

ELVIRA SANT´ANA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseado como africana, analfabeta, residente na rua Jockey Club, número 34.

Veio da África muito criança e foi residir na Bahia, onde se conservou durante muito tempo. Um ano depois da guerra do Paraguai veio para o Rio de Janeiro (possivelmente se referindo ao fim da guerra, ou seja, teria passado ao Rio de Janeiro em 1871).

Foi casado duas vezes. Dos dois casamentos resultaram 9 filhos, 20 netos e 1 bisneto, atualmente com 3 anos de idade (ou seja, nascido em 1903). Goza saúde, vê e ouve bem.

Nota: A rua Jockey Club, naquele ano de 1906, começava na rua de Benfica e terminava na rua Figueira.

 

ROSA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseado como brasileira, analfabeta, lavadeira, residente na rua Ana Nery, número 52.

Nasceu em Florianópolis, província de Santa Catarina. Não tem descendência. Diz ter assistido à guerra dos Farrapos (1835 a 1845). Acha-se doente, vê pouco e ouve bem. ]

 

CLEMÊNCIA MARTINS, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na rua Dr. Lino Teixeira, número 7.

Nota: A rua Dr. Lino Teixeira, antiga rua do Jacaré, naquele ano de 1906, começava na rua Viúva Cláudio e terminava na rua Mayrink.

 

MARIA DA SILVA LEITE, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na rua Minas, número 28 A.

Nasceu na cidade de Campos, província do Rio de Janeiro. Foi casada com Antonio Luiz Ferreira Pinto. A sua prole é representada por 10 filhos, 10 netos e 14 bisnetos. O bisneto mais velho tem 16 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1780). Ainda vê e ouve bem.

Nota: A rua Minas, naquele ano de 1906, começava na rua Baronesa de Uruguaiana.

 

JOSEFA ELENA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseado como espanhola, analfabeta, serviço doméstico, residente na Olaria, prédio 1.

Nota: Possivelmente referia-se à Travessa da Olaria, hoje rua Rocha Pita que, naquele ano de 1906, começava na rua Mauá e terminava na rua Cachambi, na Estação Férrea do Méier.

 

ANA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseado como africana, analfabeta, serviço doméstico, residente na rua Vieira da Silva, número 12.

Veio da África com a idade de 9 anos (ou seja, cerca de 1815) e foi casada uma vez, tendo tido 15 filhos. Foi sempre cozinheira e lavadeira e ultimamente, ocupa-se em vender doces. Vê e ouve bem.

Nota: A rua Vieira da Silva, naquele ano de 1906, começava na rua Engenho Novo e terminava na rua Imaculada Conceição, no Sampaio.

 

FELICIDADE CORRÊA CASTRO, que disse ter 113 anos de idade (portanto nascida em 1793/1794), solteira, recenseado como brasileira, analfabeta, residente no Morro do Telégrafo, casa sem número.

 

PAULINA BARBOSA, que disse ter 114 anos de idade (portanto nascida em 1792/1793), solteira, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na rua Paim Pamplona, número 36.

Nasceu na Província da Bahia, onde viveu muitos anos. Tem vivos 3 filhos, 15 netos e 7 bisnetos. O bisneto mais velho conta 11 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1895). Assistiu à revolta chamada Sabinada e contava 6 anos de idade quando nasceu D. Pedro I (D. Pedro I nasceu a 12.10.1798, portanto ela teria nascido em 1792, o que está de acordo com os seus 114 anos).

Goza saúde, vê pouco e ouve bem.

 

TERESA, que disse ter 115 anos de idade (portanto nascida em 1791/1792), solteira, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na rua do Engenho Novo, número 12.

 

DELFINA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 120 anos de idade (portanto nascida em 1786/1787), solteira, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na rua D. Ana Nery, número 170.

 

DISTRITO DO ANDARAÍ

Nota: O Distrito do Andaraí não tem origem em uma freguesia, na verdade, suas terras pertenceram à freguesia do Engenho Velho, citada adiante.

O Decreto com força de lei n. 434, de 16 de junho de 1903, dividiu o território do então Distrito Federal em 25 distritos numerados e denominados. Originou-se daí o 15.º Distrito de Andaraí, formado pelas terras do 2.º Distrito do Engenho Velho, excluindo a zona compreendida nos limites do novo distrito da Tijuca, também criado pelo mesmo decreto

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, suas terras pertenciam à freguesia do Engenho Velho. Assim, em 1806, àqueles que nasciam no Andaraí, eram paroquianos da freguesia de São Francisco Xavier do Engenho Velho, cujo pároco era o Padre Antonio de Melo Botelho, 9.º encomendado, desde julho de 1790, e 1.º colado, por Carta Régia de 15 de Novembro de 1797, permanecendo à frente da administração da paróquia até a data de sua morte, em 20 de junho de 1829..

 

BENEDITA ROSA, que disse ter 120 anos de idade (portanto nascida em 1786/1787), viúva, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na Rua Torres Homem, número 35.

Nota: A rua Torres Homem tem hoje a mesma denominação

 

 

GABRIEL SALES, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascido em 1801/1802), solteiro, recenseado como africano, analfabeta, profissão ignorada, residente na Rua Visconde de Santa Isabel, número 1. Sempre gozou muita saúde e está bastante forte.

 

ABEL CORRÊA DA SILVA, que disse ter 149 anos de idade (portanto nascido em 1757/1758), casado, recenseado como africano, analfabeta, lavrador, residente no Morro do Salgueiro.

 

ANACLETA DE JESUS, que disse ter 110 anos de idade (portanto nascida em 1796/1797), viúva, recenseado como africana, analfabeta, cozinheira, residente na Rua Leopoldo, número 43.

Casou-se com Antonio dos Santos, falecido há 6 anos (ou seja, por volta de 1900). Não teve filhos. É ainda forte; nunca teve doença grave.

Nota: A rua Leopoldo, naquele ano de 1906, começava na rua Barão de Mesquita, e terminava na serra do Andaraí.

 

CATARINA ROSA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), recenseado como brasileira, analfabeta, cozinheira, residente na Rua Souza Franco, número 72.

Nota: A rua Souza Franco ainda tem o mesmo nome.

 

GUILHERMINA JOAQUINA, que disse ter 110 anos de idade (portanto nascida em 1796/1797), viúva, recenseado como africana, analfabeta, residente na Rua dos Artistas, número 13.

Nota: A rua dos Artistas ainda tem o mesmo nome.

 

DISTRITO DO ENGENHO VELHO

Nota: O Distrito do Engenho Velho traz sua origem na freguesia de São Francisco Xavier, inicialmente um Curato criado pela provisão de 24 de janeiro de 1760, e feita Freguesia por portaria de 4 de maio de 176. Foi instalada a sua sede, na Matriz de São Francisco Xavier, edificada antes de 1759, reconstruída em 1850 e ampliada até o princípio do século XX.. Foi seu primeiro pároco, o Padre Luiz Pereira da Silva, por provisão de 24 de janeiro de 1760.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, administrava o rebanho da paróquia de São Francisco Xavier, o já citado Padre Antonio de Melo Botelho, 9.º encomendado, desde julho de 1790, e 1.º colado, por Carta Régia de 15 de Novembro de 1797, permanecendo à frente da administração da paróquia até a data de sua morte, em 20 de junho de 1829. Foi em sua administração que se reedificou a Matriz, cujas obras terminou em 1815.

 

MARIA AFRICANA, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascida em 1801/1802), solteira, recenseada como africana, analfabeta, residente na rua Melo e Souza, número 9. Faleceu pouco depois, na Santa Casa de Misericórdia em janeiro de 1907.

 

CONSTANÇA DE SANT´ANA, que disse ter 118 anos de idade (portanto nascida em 1798/1799), viúva, recenseada como brasileira, sabendo ler e escrever, residindo na rua de São Cristóvão, número 67. Nasceu na freguesia da Penha, no Rio de Janeiro. Teve 3 filhos. Goza boa saúde.

 

FRANCISCO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascido em 1806/1807), solteiro, recenseada como brasileiro, analfabeto, residindo na rua São Cristóvão, número 257. Nasceu na Vila de Maricá, província do Rio de Janeiro. Teve 2 filhos.

 

MARCELINO, que disse ter 102 anos de idade (portanto nascida em 1804/1805), casado, recenseada como brasileiro, analfabeto, alfaiate, residindo no Beco dos Barcelos, número 4.

 

DISTRITO DO ENGENHO VELHO

Nota: O Distrito do Méier não tem origem em uma freguesia, na verdade, suas terras pertenceram à duas antigas freguesias: Inhaúma e Engenho Novo, a primeira citada adiante e, a segunda, citada acima, com seus respectivos párocos.

O Decreto com força de lei n. 434, de 16 de junho de 1903, dividiu o território do então Distrito Federal em 25 distritos numerados e denominados. Originou-se daí o 18.º Distrito do Méier, formado com terras desmembradas do 2.º Distrito do Engenho Novo, que trouxe terras da antiga freguesia de Inhaúma.

Assim, em 1806, aqueles que nasceram em terras que hoje formam o Distrito do Méier, dependendo do endereço, eram paroquianos de uma daquelas duas freguesias: Inhaúma e Engenho Novo.

 

ROSA MARIA DA COSTA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, sabendo ler e escrever, residindo na rua Dr. Padilha, número 20.

Nasceu no Rio de Janeiro na rua Jardim Botânico. Foi casada duas vezes ; leve 3 filhos , cuja descendência atual é constituída por 3 netos. Vê muito pouco, mas ouve bem.

Nota: A rua Dr. Padilha, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia de Inhaúma. Começava na rua Goiás, hoje Arquias Cordeiro, e terminava na rua Cornélio.

 

APOLINÁRIA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), solteira, recenseada como africana, analfabeta, residindo na rua Torres Sobrinho, número 13.

Nota: A rua Torres Sobrinho, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia do Engenho Novo. Começava na rua Lucídio Lago, e terminava na rua da Glória.

 

MARIA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 107 anos de idade (portanto nascida em 1799/1800), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na rua Curupaiti, número 15.

Nasceu em Guaratiba; aí residiu longos anos, indo mais tarde para ltaguaí, onde exerceu a profissão de lavradora. Teve 4 filhos, dos quais ainda existe 1 filha, de 90 anos ( portanto, nascida cerca de 1816), que vive em sua companhia. Além desta filha, estão vivos 7 netos, 11 bisnetos e 7 tataranetos. Quando morava em Guaratiba, teve a oportunidade de conhecer D. João VI, durante o tempo de sua residência na antiga Fazenda Imperial de Santa Cruz.

Nota: A rua Curupaiti, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia de Inhaúma. Começava em frente à cancela da Estrada de Ferro Central do Brasil, na estação do Engenho de Dentro, e terminava na rua Zeferino.

 

LUIZA MARIA DO ESPÍRITO SANTO, que disse ter 122 anos de idade (portanto nascida em 1784/1785), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na rua Zeferino, número 21.

Nasceu em Campos, província do Rio de Janeiro, onde sempre residiu, tendo vindo há poucos anos para a companhia dos seus filhos. Destes, em número de 6, o mais novo conta 82 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1824). Tem 3 netos, 4 bisnetos e 4 tataranetos. O tataraneto mais velho tem 12 anos (ou seja, nascido cerca de 1894). Ouve bem e vê pouco, Acha-se atualmente doente.

Nota: A rua Zeferino, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia do Engenho Novo. Começava na rua da Glória e terminava na rua José Bonifácio.

 

DOMINGAS ROSA, que disse ter 110 anos de idade (portanto nascida em 1796/1797), solteira, recenseada como africana, analfabeta, residindo na rua Miguel Cervantes, casas sem número (barracão). Possuiu aí uma propriedade. Atualmente está recolhida no Asilo dos Mendigos; está cega e sofrendo das faculdades mentais.

Nota: A rua Miguel Cervantes, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia do Engenho Novo. Começava na rua Gutenberg e terminava na rua Mauá.

 

TERESA DE JESUS, que disse ter 108 anos de idade (portanto nascida em 1798/1799), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na rua Adriano (Vila João de Barros).

Nota: A rua Adriano, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia do Engenho Novo. Começava na rua Arquias Cordeiro e terminava na rua Magalhães Couto (Boca do Mato).

 

LAURIANA M. DA CONCEIÇÃO, que disse ter 108 anos de idade (portanto nascida em 1798/1799), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na rua Bazílio de Brito, número 7.

 

SEVERINA MARIA DA CONCEIÇÃO BARREIRA, que disse ter 120 anos de idade (portanto nascida em 1786/1787), viúva, recenseada como africana, analfabeta, residindo na rua Dr. Lins de Vasconcelos, número 51.

Veio da África para o Brasil com 10 anos de idade (ou seja, cerca de 1796). Foi casada duas vezes, tendo tido 2 filhos do primeiro matrimonio, falecidos em tenra idade. Goza excelente saúde. A sua memória está algum tanto enfraquecida. Vê pouco e ouve bem.

Nota: A rua Lins de Vasconcelos, antiga rua da Serra, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia do Engenho Novo. Começava na rua Vinte e Quatro de Maio e terminava na subida da serra do Mateus, no lugar denominado Fortaleza.

 

SILVÉRIA, que disse ter 130 anos de idade (portanto nascida em 1776/1777), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na rua Dona Claudina (casa sem número).

Natural de Valença, província do Rio de Janeiro. Foi casada duas vezes. Goza saúde, Vê pouco e ouve bem. A sua prole é representada por 3 filhos, 1 neto e 4 bisnetos.

Nota: A rua Dona Claudina, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia do Engenho Novo. Começava na rua Dias da Silva e terminava na rua Manoel Mateus, na Estação férrea do Méier.

 

BENEDITO MINA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), casado, recenseado como africano, analfabeto. chacareiro, residente na rua Pedro Álvares Cabral, casa s/n (barracão).

Veio da África para o Brasil com a idade de 6 anos (ou seja, cerca de 1812). Tem a memória bastante enfraquecida e precário o estado de saúde.

Nota: A rua Pedro Álvares Cabral, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia do Engenho Novo. Começava na rua Dr. Costa Lobo e terminava na rua Miguel Ângelo.

 

MARCELINO JORGE DOS SANTOS, que disse ter 110 anos de idade (portanto nascida em 1796/1797), viúvo, recenseado como africano, analfabeto. profissão ignorada, residente na rua Miguel Ângelo, casas/n. (barracão).

Vê e ouve. Tem mania religiosa, é curandeiro e está sofrendo de amolecimento cerebral. Não tem filhos.

Nota: A rua Miguel Ângelo, naquele ano de 1906, pertencia à freguesia do Engenho Novo. Começava na rua Baldraco e terminava na praia Pequena. Tem hoje o mesmo nome.

 

FELISBERTO MANOEL GOMES, que disse ter 125 anos de idade (portanto nascida em 1781/1782), casado, recenseado como brasileiro, analfabeto, lavrador, residente na rua Pelotas, número 1.

Nasceu na província do Piauí, vindo para o Rio de Janeiro com a idade de 12 anos (ou seja, cerca de 1803). Tem vivos 1 filha e 4 netos. Goza boa saúde, vê e ouve bem.

 

DISTRITO DE INHAÚMA

Nota: O Distrito de Inhaúma traz sua origem na freguesia de São Tiago de Inhaúma, que foi inicialmente Curato em 1684, e confirmado por Alvará de 27 de janeiro de 1742. Foi instalada a sua sede, na Matriz de São Tiago Maior, edificada antes de 1684. Foi seu primeiro pároco, Frei Antonio da Assumpção, desde 1716.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, administrava o rebanho da paróquia de Inhaúma, o Padre José Joaquim Mariano, nomeado por provisão de 17 de dezembro de 1799 e 4.º colado, por carta régia de 8 de julho e provisão de 4 de dezembro de 1801, e permaneceu à frente da sua Paróquia até junho de 1807.

 

VIOLANTE MARIA DE MESQUITA, que disse ter 110 anos de idade (portanto nascida em 1796/1797), viúva, recenseado como africana, analfabeto, residente na rua Elias da Silva, número 85.

 

LUIZA BELMONTE, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como italiana, analfabeta, residente na rua D. Maria, número 42 (Estação da Piedade).

Veio da Itália com 30 anos mais ou menos (ou seja, por volta de 1836); já era casada; seu marido veio contratado pelo Governo de D. Pedro II para servir numa fábrica de tecidos, que nessa ocasião foi fundada onde em 1906 existia a Estação Marítima. Nesse tempo ainda não era casado D. Pedro II (casou em 1843).

A sua geração é representada por 12 filhos, dos quais o mais velho é vivo e conta 70 anos (ou seja, nascido em 1836). Sabe apenas da existência de 3 netos, filhos do filho mais velho, que há muito tempo não vê. Ignora se tem bisnetos. Sabe também que o neto mais velho conta 32 anos (ou seja, nascido em 1874). Quando Gregório XVI foi eleito papa estava em Roma empregada num colégio de meninas.

Ouve bem e vê regularmente. Anda muito curvada e sente-se fraca. Vive em companhia de um filho, empregado nas oficinas da Estrada de Ferro o qual conta 60 anos (ou seja, nascido em 1846) e é solteiro.

 

ZEFERINA ROSA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, sabendo ler e escrever, residente na rua Muriquipary, número 8.

Nota: A rua Muriquipary, atual rua Clarimundo de Melo, naquele ano de 1906 começava na rua Manuel Victorino e terminava na Estação Férrea da Piedade.

 

MARIA ROSA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como africana, analfabeta, residente na rua Comendador Ferreira Sampaio (casas sem número ). Falecida após o recenseamento.

Nota: A rua Comendador Ferreira Sampaio, naquele ano de 1906 começava na estrada de Santa Cruz e terminava na rua Ernesto Nunes.

 

ISAURA MARIA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 101 anos de idade (portanto nascida em 1805/1806), viúva, recenseada como africana, analfabeta, residente na rua Viúva Garcia, número 17 (Parada do Ramos).

Veio da África com 10 anos de idade (ou seja, cerca de 1815) e viveu muito tempo na Bahia. Teve 5 filhos, 2 netos e 1 bisneto.

Nota: A rua Viúva Garcia, atual rua Peçanha Póvoas, naquele ano de 1906 começava na estrada da Penha e terminava em terrenos particulares, na dita Parada de Ramos.

 

MARIA DA GLÓRIA, que disse ter 103 anos de idade (portanto nascida em 1803/1804), solteira, recenseada como portuguesa, analfabeta, residente na Estrada da Penha, número 84.

 

CONSTANÇA DA GAMA, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascida em 1801/1802), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente no beco do Espinheiro, número 40.

Veio da África com 7 anos de idade (ou seja, por volta de 1808) e residiu algum tempo na Bahia. Tem 12 filhos, o mais velho com 50 anos (ou seja, nascido cerca de 1856), 12 netos, o mais velho com 30 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1876), e 4 bisnetos, o mais velho com 10 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1896). Vê e ouve bem, anda pouco, nada faz, vive em companhia de uma filha. Até bem pouco tempo lavava e engomava.

Nota: O Beco do Espinheiro, atual rua Figueiredo Pimentel, naquele ano de 1906 começava na estrada de Santa Cruz e terminava na serra dos Urubús, em Cascadura.

 

TERESA M. DE LEMOS, que disse ter 106 anos de idade (portanto nascida em 1800/1801), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na rua Coronel Borja Reis, numero 14 (Boca do Mato).

Nasceu na rua da Prainha; sempre foi costureira. Teve 3 filhos, o mais velho conta 47 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1859), 4 netos, contando o mais velho 16 anos (ou seja, nascido cerca de 1890). Foi casada uma só vez. Tem muito boa vista e ouve bem. Conheceu D. Pedro I (ou seja, entre 1821 e 1831).

Nota: A rua Coronel Borja Reis, antiga rua Vinte e Cinco de Março, naquele ano de 1906 começava na rua Dias da Cruz e terminava no largo das três Vendas.

A rua da Prainha, atual Rua do Acre, em 1800, data do nascimento de Teresa, pertencia a freguesia de Santa Rita.

 

AGOSTINHA SOARES MODESTO, que disse ter 116 anos de idade (portanto nascida em 1790/1791), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na Estrada Nova do Engenho da Pedra, número 84.

Nasceu nesta Capital; casou-se com Modesto de Oliveira Mascarenhas, protegido de D. João VI (ou seja, entre 1808 e 1821, se estiver referindo-se a D. João, ainda na qualidade de Príncipe Regente; e entre 1816 e 1821, como D. João VI), de quem muito se lembra e viu varias vezes quando desembarcava no porto junto de sua casa e ia para o seu palácio, grande sobrado existente então naquela estrada e hoje transformado em casa de cômodos.

Teve 4 filhos; o mais velho, do sexo masculino, si não tivesse falecido, deveria contar hoje mais de 50 anos (ou seja, nascido antes de 1856). Vive em companhia de 3 filhos. Costura para fora. Suas filhas não se casaram, razão por que não tem netos. Foi batizada na Igreja da Lapa do Desterro, onde se pode obter a sua certidão de idade. Lembra-se da Independência do Brasil (ou seja, dos acontecimentos de 1822). É filha de Antonio Soares da Fonseca e Catarina Rosa de Jesus.

Nota: A Estrada Nova do Engenho da Pedra, naquele ano de 1906, começava na estrada da Penha e terminava no porto de Inhaúma, na baía de Guanabara.

 

ADÃO CAMBRAIA, que disse ter 105 anos de idade (portanto nascida em 1801/1802), viúvo, recenseado como brasileiro, analfabeta, profissão ignorada, residente a rua Amália, número 97.

Nota: A rua Amália, naquele ano de 1906 começava na estrada de Santa Cruz e terminava na rua do Catete (outra do mesmo nome, em Inhaúma).

 

LUCIANO DA COSTA GARCIA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), casado, recenseado como africano, analfabeto, negociante, residente na rua Roberto Silva, número 13.

Veio da África com 10 anos de idade, mais ou menos (ou seja, por volta de 1816). Diz que conheceu o primeiro imperador do Brasil D. Pedro I, quando esteve na província de Minas Gerais (ou seja, em 1831).

Constituiu duas famílias. A primeira é representada por 1 filho, que deve ter 68 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1838), não sabe si ele teve filhos, pois nunca mais soube do seu destino; da segunda faz parte a sua companheira, que tem hoje 70 anos de idade (ou seja, nascida cerca de 1836), e uma filha com 25 anos de idade (ou seja, nascida em 1881), mãe de uma criança maior de 2 anos. Está forte, vê e ouve bem. Vive da lavoura.

Nota: A rua Roberto Silva, naquele ano de 1906 começava na citada estrada Nova do Engenho da Pedra e terminava em um morro, em Inhaúma.

 

MARIA BANDEIRA, que disse ter 120 anos de idade (portanto nascida em 1786/1787), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na rua Novo Syão, número 5 (Parada do Ramos).

Não sabe onde nasceu. Teve 12 filhos, o mais velho conta 60 anos (ou seja, nascido cerca de 1846); 5 netos, o mais velho, já falecido, com 34 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1872, e falecido antes de 1906); 2 bisnetos, contando o mais velho 5 anos (ou seja, nascido em 1801), filhos de uma neta maior de 23 anos (ou seja, nascida cerca de 1883). Viveu muitos anos em Campos, no estado do Rio de Janeiro, onde era engomadeira e lavadeira. Foi casada uma só vez. Vê e ouve bem,.

Nota: A rua Nova Sião, naquele ano de 1906 começava na estrada da Penha e terminava em terrenos devolutos, em Inhaúma.

 

ANTONIO JOAQUIM LOPES, que disse ter 107 anos de idade (portanto nascida em 1799/1800), viúvo, recenseada como português, analfabeta, chacareiro, residente na rua Felicia, número 10.

Veio para o Brasil há 6 anos (ou seja, cerca de 1800). Teve 8 filhos, além de uma neta com 20 anos (ou seja, nascida cerca de 1886). O único filho vivo, um dos m ais moços, tem mais de 40 anos. Faleceu pouco depois do recenseamento.

 

DISTRITO DE IRAJÁ

Nota: O Distrito de Irajá, traz sua origem na freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, criada por provisão de 30 de dezembro de 1644, confirmada por Alvará de 10 de fevereiro de 1647. Foi instalada a sua sede, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, edificada antes de 1644. Foi seu primeiro pároco, Padre Gaspar da Costa, encomendado de 1644 a 1647, e 1.º Colado por Carta Régia de 1647. Administrou a paróquia até a data de sua morte, em 4 de dezembro de 1673.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, administrava o rebanho da paróquia de Irajá, o Padre Manuel da Costa Mata, 6.º colado, nomeado por carta régia de 11 de maio de 1788, e provisão de 6 de janeiro e posse de 2 de fevereiro de 1789. Permaneceu à frente da sua Paróquia até a data de sua morte, em 2 de janeiro de 1820. Houve, no decorrer de sua administração, alguns impedimentos e, um deles, justamente no período que marca o centenário do nascimento dos anciões aqui relacionados, ou sejA: Padre Manuel Pinto de Figuerôa, como encomendado, administrou a paróquia de 18 de abril de 1804 a abril de 1807

 

INÁCIA MARIA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como africana, analfabeta, residente no beco da Viúva, em Madureira.

Não tem descendentes vivos. É muito precário o estado de sua saúde.

 

CARLOTA ROCHA, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente no largo da Pavuna.

Nasceu na fazenda da Prata, propriedade do Barão de Palmeiras, já falecido.

Nota: Foi barão de Palmeiras, Francisco Quirino da Rocha, agraciado com o referido título pelo Decreto de 26.07.1849 e, depois, elevado a Barão com honras de grandeza de Palmeiras, pelo Decreto de 06.11.1850. Foi proprietário da Fazenda das Palmeiras, termo do município de Iguaçu-RJ, e da Fazenda da Prata, onde nasceu Carlota Roca por volta de 1806.

O barão nasceu cerca de 1780 na Freguesia do Pilar do Iguaçu-RJ e foi batizado na Freg.de Santa Rita, Rio de Janeiro, e faleceu a 11.05.1858, em sua Fazenda das Palmeiras, termo do município de Iguaçu. Filho de José da Rocha Chaves e de Josefa Maria da Câmara. Neto de Antonio da Rocha Solha, patriarca da família Rocha Chaves, do Rio de Janeiro.

Comendador da Ordem de Cristo. Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Paraíba do Sul-RJ, em cuja gestão foram construídos mais de 80 metros de cais junto às margens do Rio Paraíba, para evitar que as cheias deste rio desbarrancassem as margens . Ao falecer, seu inventário constava da avultada fortuna 925 contos de réis. Casou com Luiza Maria de Jesus, natural da Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, falecida em 21.04.1821, em Paty do Alferes - RJ.

 

HELENA MARIA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como africana, analfabeta, lavradora, residente na estrada da Pavuna.

Gozou sempre muita saúde; há cerca de dois anos (ou seja, desde 1904) queixa-se de fraqueza nas pernas. Anda, vê e ouve mal.

Nota: A estrada da Pavuna em 1917 tornou-se um dos trechos da estrada de Guaratiba.

 

CUSTODIA DO ESPÍRITO SANTO, com 105 anos de idade(portanto nascida em 1801/1802), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na rua do Ramal, número 69.

Nasceu no Engenho Novo (morro do Vintém); casou-se aos 20 anos de idade, mais ou menos (ou seja, cerca de 1821), com Henrique José da Silva, já falecido. Depois de casada veio morar na Rio de Janeiro. Seu marido era empregado na Casa de Correção e ela era lavadeira desse estabelecimento. Retirou-se da cidade e há 1 ano (ou seja, cerca de 1805) mora na freguesia do Irajá.

Atualmente não se ocupa de coisa alguma, porque quase não vê e não anda. Ouve ainda bem e tem as idéias claras. Teve 7 filhos, todos já falecidos; tem 26 netos vivos, 15 bisnetos e 5 tataranetos.

Conheceu D. Pedro I (ou seja, entre 1821 e 1831), e o viu de perto mais de uma vez. DOMICIANA MARIA, com 110 anos de idade (portanto nascida em 1796/1797), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na rua Tavares Guerra, número 4.

Nasceu na freguesia de Irajá e aí se casou aos 30 anos de Idade (ou seja, cerca de 1826) com Frederico Agostinho Nunes, já falecido. Entre os seus descendentes figuram 9 filhos, dos quais só existe 1 filha casada, 16 netos e 6 bisnetos, todos já falecidos.

Morou durante muito tempo no Rio de Janeiro, à rua do Senado; há um ano (ou seja, desde 1905) transferiu a sua residência para Irajá. Nunca teve moléstia grave e ainda está bastante forte, ouve muito bem, vê pouco e anda com dificuldades.

 

ANTONIO BRAS, com 105 anos de idade (portanto nascido em 1801/1802), recenseado como brasileiro, analfabeta, residente na rua Coronel Rangel, número 114. Foi recolhido em outubro de 1906, ao Asilo da Velhice Desamparada

Nota: O Asilo da Velhice Desamparada, atual Casa de São Luís, foi fundado em 25 de agosto de 1890 pelo Comendador Luís Augusto Ferreira de Almeida, depois Visconde de Ferreira de Almeida, na Rua General Gurjão, próximo à General Sampaio (Caju), freguesia de São Cristóvão.

 

TEODORA TERESA DE JESUS, com 105 anos de idade (portanto nascida em 1801/1802), solteira, recenseado como brasileiro, analfabeta, residente na rua de Sapopemba, casa sem número.

 

AMBRÓSIA DE SOUZA, com 140 anos de idade (portanto nascida em 1766/1767), viúvo, recenseado como brasileiro, analfabeto, lavrador, residente na rua Maria Lopes, número 3.

Nota: A rua Maria Lopes, naquele ano de 1906, ficava na Estação de Cascadura.

 

FRANCISCA MARIA DA CONCEIÇÃO, com 128 anos de idade (portanto nascida em 1778/1779), viúvA, recenseado como brasileira, analfabetA, residente na rua Lopes, número 37.

Natural da cidade do Rio de Janeiro; casou-se aos 20 anos de idade (ou seja, cerca de 1798) com Manuel Barbosa, falecido na Santa Casa de Misericórdia com 100 anos. Atualmente sente-se algum tanto enfraquecida. Ouve bem, vê pouco e anda com alguma dificuldade. Teve 9 filhos, existindo apenas 1, que é solteiro e trabalha num trapiche.

Nota: A rua Lopes, naquele ano de 1906, começava na rua do Campinho e terminava na estação de Madureira, em Irajá.

 

JANUÁRIO SOARES, com 106 anos de idade (portanto nascido em 1800/1801), solteiro, analfabeto, trabalhador, residente na Estrada Real de Santa Cruz. Falecido pouco depois, em outubro de 1906.

 

DELFINA SALDANHA, com 113 anos de idade (portanto nascida em 1793/1794), viúva, recenseado como brasileira, analfabeta, residente na rua do Domingos Lopes, número 59.

Nasceu na rua do Catete e casou-se na idade de 20 anos (ou seja, cerca de 1813) com João Fernandes Saldanha (falecido). Seu marido era quitandeiro e ela esteve empregada muitos anos como cozinheira e lavadeira em casa do Dr. Olímpio da Fonseca. Goza saúde, vê pouco e ouve perfeitamente bem. Sempre morou no Rio de Janeiro, transferindo ha um ano a sua residência para a Freguesia de Irajá. Tem uma só filha com quem reside. Tem 8 netos e 1 bisneto.

Nota: A rua Domingos Lopes, naquele ano de 1906, começava no largo de Madureira, e terminava no largo do Campinho.

 

DISTRITO DE JACAREPAGUÁ

Nota: O Distrito de Jacarepaguá, traz sua origem na freguesia de Nossa Senhora do Loreto de Jacarepaguá, criada por provisão de 6 de março de 1661, confirmada por Alvará de 1664. Foi instalada a sua sede, na Matriz de Nossa Senhora do Loreto, edificada em 1664, na fazenda do Padre Miguel de Araújo, no lugar denominado Porta d´Água. Foi seu primeiro pároco, Padre Antonio Ribeiro de Almeida, 1.º Colado, desde 1665, permanecendo à frente da administração até dezembro de 1689.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, administrava o rebanho da paróquia de Irajá, o Padre Francisco Rodrigues de Paula, nomeado por provisão de 17 de novembro de 1800. Permaneceu à frente da sua Paróquia até a 1807.

 

ANASTÁCIA MARIA DA CONCEIÇÃO, com 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseado como brasileira, sabendo ler e escrever, residindo na estrada da Freguesia, número 65.

Nasceu na Ilha do Governador e veio muito moça morar no centro da cidade. Até a idade de 20 anos (ou seja, até 1826) exerceu a profissão de ama seca, servindo depois como cozinheira em diversas casas de famílias conhecidas, tais como a do Barão de Lavradio, onde esteve mais de 20 anos.

Conheceu muito de perto D. Pedro II e toda a família Imperial. Está em Jacarepaguá há 10 anos (ou seja, desde 1896). É bastante forte, vá e ouve bem. Aprendeu a ler e escrever com a Baronesa de Lavradio.

 

DISTRITO DE CAMPO GRANDE

Nota: O Distrito de Campo Grande, traz sua origem na freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, criada em 1673, e confirmada por Alvará de 12 de janeiro de 1755. Foi instalada a sua sede, na Matriz de Nossa Senhora do desterro, edificada antes de 1673, mas reedificada depois, em outro lugar. Nos primeiros anos do século XIX. Foi seu primeiro pároco, Padre Simão Barbosa Cornivel, licenciado, Cura desde novembro de 1676.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, administrava o rebanho da paróquia de Campo Grande, o Padre Antonio Rodrigues do Vale, nomeado por portaria de 5 de abril de 1784, e 2.º colado, por Carta Régia de 24 de julho de 1788 e provisão de 15 de janeiro de 1789. Permaneceu à frente da sua Paróquia até a 1826.

 

FRANCISCA DA COSTA, com 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na rua da Olaria (Estrada Nova, casa sem número).

Foi casada com José da Silva Costa, do qual teve 2 filhos, que foram soldados na campanha do Paraguai. Nunca mais recebeu notícias deles; acredita que tenham morrido em combate. É viúva há muitos anos. Anda, Vê e ouve bem; nunca teve doenças graves, gozando sempre perfeita saúde.

 

MARIA JOAQUINA DOS SANTOS, com 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na rua do Governo, número 4 (Realengo). Foi casada ; teve filhos, todos falecidos. Outrora, enquanto foi boa a sua saúde, trabalho sempre na lavoura. Vê e ouve bem.

 

MARIA JACINTO DA CUNHA, com 103 anos de idade (portanto nascida em 1803/1804), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo no lugar denominado Retiro (Bangu). Foi casada e teve filhos, todos falecidos. Sempre trabalhou no serviço de lavoura. Goza boa saúde, vê e ouve mal.

 

RACHEL MARIA DA CONCEIÇÃO, com 110 anos de idade (portanto nascida em 1796/1797), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na travessa do Veiga, número 11.

Mora com um filho. Vê e ouve bem, quase não pode andar. A inteligência é boa. Teve 7 filhos, existindo vivos dois do sexo feminino e um masculino. Tem 11 netos e 5 bisnetos.

 

JOCELINA MARIA DE JESUS, com 112 anos de idade (portanto nascida em 1794/1795), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na rua Santa Eugênia, casa sem número.

Nasceu em Campo Grande. Esteve sempre empregado no serviço da lavoura. Até bem pouco tempo gozava saúde. Vê e ouve pouco e anda com dificuldades.

 

FRANCISCA DA CONCEIÇÃO, com 120 anos de idade (portanto nascida em 1786/1787), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, lavradora, residindo na estrada do Rio da Prata, casa sem número. Faleceu pouco depois, em dezembro de 1906.

 

RECHELINA BAPTISTA, com 109 anos de idade (portanto nascida em 1797/1798), viúva, recenseada sabendo ler e escrever, lavradora, residindo no morro das Caboclas, casa sem número.

Nasceu em Campo Grande e mora aí com um filho. Casou-se aos 20 anos (ou seja, cerca de 1817) com Manuel Antonio Baptista, já falecido. Teve 12 filhos, dos quais só existe um com 82 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1824) e sem descendentes. Até bem poucos anos, dedicou-se aos serviços da lavoura; atualmente quase não faz nada, porque vê e ouve pouco e anda com dificuldades.

Nota: É, na verdade, Morro do Caboclo.

 

 

BALBINA ROSA DA CONCEIÇÃO, com 115 anos de idade (portanto nascida em 1791/1792), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na rua Aricurana, casa sem número.

Nasceu em Campo Grande. Teve 8 filhos, dos quais só existe 1, com quem está morando, e já conta 70 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1836). Tem 6 netos e 5 bisnetos. Vice deitada e nada faz.

 

CONTINUAÇÃO DO ARTIGO - CARIOCAS BICENTENÁRIOS IV

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Por Carlos Eduardo Barata

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