Carlos Eduardo de Almeida Barata
Curriculum


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CARIOCAS BICENTENÁRIOS IV - Final

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DISTRITO DE CAMPO GRANDE

 

PÁSCOA DE AZEVEDO, com 125 anos de idade (portanto nascida em 1781/1782), solteira, recenseada como africana, analfabeta, residindo na rua Haddock Lobo, número 3 (Realengo).

Veio da África para o Brasil muito pequena, com seus pais e três irmãos. Só tem vista em um dos olhos. Ouve bem, anda com bastante dificuldade.

Nota: Refere-se a outra rua Haddock Lobo, que existiu no atual bairro de Realengo, e que hoje denomina-se rua Bernardo de Vasconcelos. Naquele ano de 1906, começava na rua da Imperatriz e terminava na rua do Imperador, em Realengo.

 

ISIDRO PAULO, com 115 anos de idade (portanto nascida em 1791/1792), viúvo, recenseado como africano, analfabeto, profissão ignorada, residindo em Murundu, casa sem número.

Seu estado de saúde não é bom. As precárias condições das suas faculdades mentais não lhe permitem fornecer informações proveitosas.

 

MARIA INÁCIA DE JESUS, com 102 anos de idade (portanto nascida em 18041/1805), viúva, recenseada como africana, analfabeta, lavradora, residindo na estrada do Cabuçú, casa sem número.

Reside com seu filho José Gallo dos Santos. É natural de Maricá; nasceu no dia de São João, em 24 de junho de 1776, casou-se aos 25 anos de idade (ou seja, cerca de 1801) com José Gallo de Santa Úrsula, maior de 40 anos. Perdeu seu marido na epidemia de cólera morbus de 1856, falecendo ele com 95 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1761). Tinha nesta época 5 filhos e tanto ela como eles foram também acometidos de cólera, sucumbindo 2 filhos já homens e bem fortes.

 

Os seus pais faleceram muito velhos, não podendo bem precisar a idade; parece-lhe, porém, que ambos morreram com mais de 100 anos. Até a data de hoje não recorda de ter visto nascer o dia estando ainda na cama. Levanta-se de madrugada, antes do romper d´alva, mesmo no tempo frio, e gosta de deitar-se logo que anoitece. A única doença que teve até esta data foi o cólera. Não se recorda de ter tido dor de cabeça nem de dentes; atualmente começa a incomodá-la o reumatismo.

Vê, ouve e anda perfeitamente. Seu estado intelectual é o melhor possível, precisando as datas e fatos. Permaneceu em Maricá até 1870, época em que veio para o Bangu, indo residir com seu filho. Este é lavrador e mora em sítio próprio. Todos os anos, durante a Semana Santa, vai a Maricá ver os parentes e comer bom peixe.

Silvéria dedica-se à indústria de objetos de barro, tais como, panelas, moringas, quartinhas, etc., isto desde a idade de 10 anos (ou seja, desde 1786), havendo, por conseguinte, 120 anos que trabalha neste serviço. No começo do negocio vendia o cento de panelas por 12$000 e, atualmente, o cento custa 40$000 e não tem mãos a medir, tal a procura.

 

Não havendo onde reside o barro especial de que precisa, vai buscá-lo no lugar denominado Retiro, distante 4 quilômetros. Nessas Ocasiões aluga uma carroça e vai pessoalmente fazer o serviço. Na sua olaria o barro é amassado, enformado e cozido nos fornos só por ela, sem auxílio de quem quer que seja. Não tem nenhum aparelho especial para esse serviço, a não ser uns pequenos pedaços de pau e 2 pequenos fornos construídos por ela mesma.

Conheceu D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II, este último ainda menino. Não se pode conformar com proclamação da Republica, e o que mais a incomoda é não conhecer bem o dinheiro em papel, constantemente substituído por notas novas.

Sua prole é enorme. O filho, com quem vive, é o mais moço, tem 85 anos de idade (ou seja, nascido cerca de 1821); uma de suas filhas está com 78 anos (ou seja, nascida cerca de 1828) e a outra com 72 anos (ou seja, nascida cerca de 1836). Ambas se casaram em Maricá e ainda ali residem. Uma tem 11 filhos e a outra 8. Atualmente existem 3 filhos, 19 netos, 26 bisnetos, 14 tataranetos e 6 bis-tataranetos. Descendem total 68. Toda a sua prole vive em Maricá, São Gonçalo e Niterói.

 

DEODATA DE MATOS, com 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, lavradora, residindo na Serra da Capunga. Goza boa saúde, vê, ouve e anda bem.

 

DEODATA DE MATOS, com 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, lavradora, residindo na Serra da Capunga. Goza boa saúde, vê, ouve e anda bem.

 

EFIGÊNIA DE PAIVA, com 100 anos de idade (portanto nascida em 1806/1807), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, lavradora, residindo na Serra da Capanga (casa s/n).

Goza saúde, vê e ouve bem. Apesar da sua casa estar colocada em uma grande serra e distante 8 kms do bangu, faz estre trajeto amiúdas vezes, ida e volta, no mesmo dia.

 

GONÇALO MATIAS RAMOS, com 115 anos de idade (portanto, nascido em 1791/1792), solteiro, recenseado como brasileiro, analfabeto, residindo na rua Teixeira Campos, número 6.

 

TIBÚRCIO ANTONIO GERVÁSIO, com 110 anos de idade (portanto, nascido em 1796/1797), solteiro, recenseado como brasileiro, analfabeto, residindo em Inhoaíba, Campo Grande.

Nasceu em Inhoaíba e sempre se dedicou à lavoura. Vê muito pouco e ten a inteligência comprometida. Até bem pouco tempo gozava saúde. Anda com dificuldade.

 

CARLOS CARDOSO DE SOUZA, com 115 anos de idade (portanto nascida em 1791/1792), viúvo, recenseada como brasileiro, analfabeto, residindo na Serra do Lameirão Pequeno, casa sem número.

Reside com um filho. Casou-se com Dona Ana Maria da Conceição Souza, falecida há 6 anos (ou seja, cerca de 1800). É natural de Campo Grande, onde sempre residiu e contraiu casamento com 24 anos de idade (ou seja, cerca de 1815). Teve 18 filhos, vivos 4 (4 homens e 1 mulher). O mais velho conta 88 anos de idade (portanto, nascido cerca de 1818) e o mais novo 62 anos (portanto, nascido cerca de 1844). Tem vivos 17 netos, 25 bisnetos e 8 tataranetos. É forte, vê bem e ouve pouco. Sempre gozou boa saúde e foi sempre muito trabalhador. Quando moço exerceu o ofício de carpinteiro, tomando parte ativa na construção da antiga igreja de Campo Grande, destruída por um incêndio ha mais de 20 anos.

Atualmente ocupa-se com o fabrico de jacás, cestos e cestas de taquara ou bambu, indústria que lhe dá bastante lucro pela grande procura como meio de transporte de bananas. Conheceu D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II.

 

 

RICARDO ANTONIO DE OLIVEIRA, com 102 anos de idade (portanto nascido em 1804/1805), casado, recenseado como brasileiro, sabendo ler e escrever, lavrador, residindo no Morro das Caboclas, casa sem número.

É filho de Luiz Antonio de Oliveira, natural de Ouro Preto, Minas Gerais, falecido Há 20 anos, mais ou menos (ou seja, cerca de 1886), com mais de 100 anos (ou seja, nascido antes de 1786).

Nasceu no Distrito de Campo Grande, onde se casou, na idade de 25 anos (ou seja, cerca de 1829), com D. Ana Rosa de Oliveira, que contava nessa ocasião 14 anos e está agora com a idade de 90 anos (ou seja, nascida cerca de 1816). A sua descendência resume-se em 1 filha e 3 filhos. Tem a alcunha de Caixeiro, porque quando apareceu em Campo Grande o primeiro estabelecimento comercial foi ele o primeiro caixeiro.

Aos 30 anos, mais ou menos (ou seja, cerca de 1834), foi ser administrador ou feitor de fazendas e, nesse serviço, trabalhou multo tempo. Conseguiu ajuntar algum dinheiro, comprou o terreno onde reside e construiu a casa em que hoje mora A banana é o gênero de cultura da sua predileção e lhe tem dado muito bom resultado, pois é um dos maiores expor-tadores na estação de Campo Grande.

Goza saúde invejável e acompanha com interesse os progressos do país. É político apaixonado e partidário do Senador Augusto de Vasconcellos, a quem chama de chefe. Lê jornais e discute todos os assuntos. Todo o serviço da sua lavoura é fiscalizado por ele; trabalha ainda de enxada quando é preciso.

 

CAROLINA ROSA DO ESPÍRITO SANTO, com 109 anos de idade (portanto nascida em 1797/1798), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo na estrada vidas Capoeiras, casa sem número.

Nasceu em Campo grande e mora em casa de uma filha, também viúva. Casou-se, na idade de 19 anos (ou seja, cerca de 1816), com José Maria da Silveira, já falecido. Teve 4 filhos, 1 homem e 3 mulheres. Existem vivas somente as 3 filhas. Tem 9 netos, 12 bisnetos e 5 tataranetos.

Sempre morou em Campo Grande, Ouve bem, vê mal e não anda por causa da paralisia dos membros superior e inferior do lado direito. Tem o juízo perfeito.

 

JOÃO ANTONIO DE SOUZA, com 106 anos de idade (portanto nascido em 1800/1801), casado, recenseado como brasileiro, sabendo ler e escrever, marceneiro, residindo na rua que vai à pedreira, número 24.

É filho de Francisco Borges de Souza e Cândida do Amor Divino (falecidos). Nasceu em 18 de janeiro de 1800 em Magé, e casou-se na idade de 42 anos (ou seja, cerca de 1842), com D. Maria Vieira de Souza, maior de 20 anos. Vê e ouve bem, exerce o ofício de marceneiro sem auxílio de óculos. É robusto e sadio; nunca teve doença grave. Sua mulher conta 84 anos (ou seja, nascida cerca de 1822), e está bem forte.

Seus pais sempre residiram em Magé, onde eram pescadores e aí faleceram ambos com mais de 100 anos. Conheceu D. Pedro I, viu muito criança ainda D. Pedro II. Conserva a inteligência lúcida.

Teve 9 filhos, 18 netos e 10 bisnetos. Dos filhos faleceram 4. Existem apenas 3 filhas e 2 filhos. O filho mais velho é do sexo feminino com 60 anos, pouco mais ou menos (ou seja, nascida cerca de 1846). Os filhos, alguns netos e bisnetos estão empregados na Fabrica de Tecidos do Bangu como operários.

 

FELICIDADE BÁRBARA DE JESUS, com 106 anos de idade (portanto nascida em 1800/1801), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo no Saco do Viegas, número 8.

Nasceu á rua das Violas. Casou-se com Miguel dos Rios Sardinha, aos 20 anos (ou seja, por volta de 1820). Seu marido faleceu há 8 anos (ou seja, cerca de 1898); era empregado das Obras Publicas, como guarda dos chafarizes. Teve 14 filhos, 2 homens e 12 mulheres. Um dos filhos morreu pequeno, o outro foi para o Paraguai, e dele não teve mais noticias. Das filhas, 11 faleceram; só existe uma, com quem reside. Tem vivos 18 netos, 13 bisnetos e 3 tataranetos.

Conheceu D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II. Conserva ainda a inteligência. Vê e ouve bem. Anda com dificuldade. Goza saúde e faz ainda pequenos serviços domésticos.

 

LAURINDA ROSA DE JESUS, com 105 anos de idade (portanto nascida em 1801/1802), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, lavradora, residindo na rua Aricurana, casa sem número.

Nasceu em Mangaratiba e sempre trabalho na lavoura. Vê bem, ouve pouco e anda com dificuldade e muito curvada.

 

DISTRITO DE GUARATIBA

 

Nota: O Distrito de Guaratiba, traz sua origem na freguesia de São Salvador do Mundo de Guaratiba, criada em 1.º de outubro de 1676, e confirmada por Alvará de 12 de janeiro de 1755. Foi instalada a sua sede, na Matriz de São Salvador do Mundo, edificada antes de 1676, e depois reconstruída em outro sítio. Foi seu primeiro pároco, Padre José Rodrigues Pinto, desde março de 1689.

No ano de 1806, data que marcaria o nascimento exato destes centenários, administrava o rebanho da paróquia de Guaratiba, o Padre Fernando Luiz Pinto Vieira, encomendado, desde outubro de 1786; 2.º colado, por Carta Régia de 13 de Novembro de 1797 e provisão de 30 de junho de 1798. Permaneceu à frente da sua Paróquia até a 1821.

 

MARIA ANTONIA DO CARMO, com 115 anos de idade (portanto, nascida em 1791/1782), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residindo no Campo do Colégio (Guaratiba). Reside com seu neto, Francisco Pereira Mirandela.

Nasceu no morro do Ferreiro; casou-se, na idade de 16 anos (ou seja, cerca de 1807), com o pescador Quintiliano José da Silva, já falecido. Quando moça foi costureira e ganhou muito dinheiro neste ofício. Ainda hoje trabalha em costuras, cortando e cozendo as roupas dos seus bisnetos.

Sempre residiu em Guaratiba. O lugar em que mora dista 2 léguas da freguesia da Pedra; costuma fazer esse percurso a pé, ida e volta, todas as vezes que ali há missa. É forte, vê e ouve bem. Tem vivos 3 filhos, 14 netos e 19 bisnetos.

 

MARCELO JOSÉ CARDIA, com 110 anos de idade (portanto, nascida em 1796/1797), viúvo, recenseado como brasileiro, analfabeto, lavrador, residindo no morro Cabunguí, casa sem número. O atestado de óbito menciona como causa mortis o suicídio por estrangulação.

 

JOAQUIM GOMES SENA, com 132 anos de idade (portanto, nascida em 1774/1775), viúvo, recenseado como brasileiro, analfabeto, lavrador, residindo na Serra do Magarça, casa sem número.

Nasceu no mesmo lugar; com 20 anos mais ou menos foi para Itaguaí (ou seja,cerca de 1794) e aí aos 30 anos de idade (ou seja, cerca de 1804) casou-se com Francisca Rosa da Conceição, maior de 15 anos. Daí a 1 ano perdeu a mulher (ou seja, falecida cerca de 1805). Voltou então para seu sítio na Serra Magarça, trazendo consigo a sua sogra e 2 cunhadas, uma de 14 anos e a outra de 13 anos. Passado o primeiro ano de viuvez, casou-se com a cunhada mais velha (ou seja, em 1806), então com 15 anos de idade. Esta faleceu 2 anos depois (ou seja, cerca de 1808) da mesma moléstia que vitimou a primeira esposa. Depois da morte da sogra, contraiu terceiro casamento com a outra cunhada, que nessa época contava 16 anos. Ainda desta vez não foi feliz no consórcio. Sua terceira mulher faleceu 10 anos após o matrimônio da mesma moléstia causadora da morte das suas duas irmãs, deixando 5 filhos. Sempre foi lavrador e ainda hoje é da lavoura que tira os meios de subsistência. Goza saúde, ouve e vê bem. A sua geração é atualmente representada por 4 filhos, 10 netos e 16 bisnetos.

 

MARIA, com 112 anos de idade (portanto, nascida em 1794/1795), viúva, recenseada como brasileira, sabendo ler e escrever, residindo no morro do Ferreiro, casa sem número.

 

DISTRITO DE SANTA CRUZ

Nota: O Distrito de Santa Cruz, traz sua origem no Curato do mesmo nome, criado em 1760, e confiado a um Religioso Franciscano do Convento de Santo Antonio da cidade do Rio de Janeiro. Foi, antes, fazenda da antiga Companhia de Jesus. Foi instalada a sua sede, na Matriz de Santa Cruz, convertida depois, no último quartel do século XIX, em salão para uso do Governo, sendo transferida a sede para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Foi seu primeiro pároco, Padre Frei Inácio de Santa Teresa Mariano, por portaria de 23 de julho de 1760.

 

LEOPOLDINA FRANCISCA DE ALMEIDA, que disse ter 100 anos de idade (portanto, nascida em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, lavradora, residente no lugar chamado Cantagalo, casa sem número.

Na idade de 20 anos (ou seja, cerca de 1826) casou-se com Joaquim José de Almeida, já falecido. Tem vivos 9 filhos, 14 netos e 11 bisnetos. É natural de Santa Cruz, onde sempre viveu. Goza boa saúde. Vê, ouve mal e anda bem

 

JOÃO JOSÉ DA ROSA, que disse ter 105 anos de idade (portanto, nascido em 1801/1802), viúvo, recenseado como brasileiro, analfabeto, carpinteiro, residente na rua da Matriz, casa sem número.

 

VICENTE DE OLIVEIRA CAMPOS, que disse ter 110 anos de idade (portanto, nascido em 1796/1797), viúvo, recenseado como brasileiro, analfabeto, correeiro, residente na estrada de Santa Cruz (Curral Falso).

Nasceu em Santa Cruz. Casou-se com 40 anos (ou seja, cerca de 1836) e perdeu a mulher há cerca de 18 anos (ou seja, cerca de 1888). Tem vivos 5 filhos que residem em vários lugares. Sabe da existência de 12 netos e 6 bisnetos. Foi empregado da Companhia Jardim Botânico. Vê e ouve bem. Anda com dificuldade.

 

ROSA MARIA DA CONCEIÇÃO, que disse ter 100 anos de idade (portanto, nascido em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na Invernada de Santa Cruz, casa sem número. Também não é perfeita a integridade das suas faculdades mentais.

 

DISTRITO DAS ILHAS

Nota: O Distrito das Ilhas (Governador e Paquetá) tem origem em suas respectivas freguesias:

Freguesia de Nossa Senhora da Ajuda da Ilha do Governador, criada em 1710, e confirmada pelo alvará de 12 de janeiro de 1755.

Freguesia do Senhor Bom Jesus do Monte da Ilha Paquetá, que teve privilégio de pia batismal na capela de São Roque, em 1728. Criada a Freguesia por edital de 21 de junho de 1769, até 1771, quando foi novamente incorporada à Magé. Novamente criada por Alvará de 16 de agosto de 1810.

 

VIRGÍNIA MARIA BARBOSA, que disse ter 100 anos de idade (portanto, nascido em 1806/1807), solteira, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na praia da Engenhoca, casa sem número, na Ilha do Governador.

Nasceu na cidade de Campos, norte-fluminense. Está forte, vê, ouve e anda perfeitamente bem.

 

MARIA ROSA SARMENTO, que disse ter 100 anos de idade (portanto, nascido em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na estrada das Flecheiras, casa sem número, na Ilha do Governador.

Nasceu e casou-se ali com Antonio Inácio Sarmento, falecido há muitos anos. Teve 9 filhos, dos quais apenas 3 estão vivo. Tem 4 netos. Há cerca de 20 anos perdeu a vista e ficou paralítica. Vive atualmente em companhia de uma filha viúva.

 

RUFINA ANTONIA DE JESUS, que disse ter 100 anos de idade (portanto, nascido em 1806/1807), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente na praia das Flecheiras, casa sem número, na Ilha do Governador.

É natural da mesma localidade. Casou-se aos 16 anos (ou seja, cerca de 1816) com Antonio Pereira dos Santos, já falecido. De 11 filhos, que teve, 5 apenas estão vivos. Completam a sua descendência 3 netos e 2 bisnetos. Está ainda muito forte, vê, ouve e anda perfeitamente. Mora em companhia de um filho.

 

TERESA MARIA DE JESUS, que disse ter 109 anos de idade (portanto, nascido em 1797/1798), viúva, recenseada como brasileira, analfabeta, residente no morro do Inglês, Ilha do Governador

Nasceu em Campos e aí casou-se com Apolinário Ribeiro de Jesus, falecido há 30 anos (ou seja, antes de 1876). De 13 filhos, que teve. existe apenas 1, com quem vive. Tem 3 netos e 2 bisnetos. Veio de Campos para a ilha há 60 anos, mais ou menos (ou seja, por volta de 1846). Sempre gozou muito boa saúde; está muito forte, vê, ouve e anda perfeitamente.

 

FRANCISCO RODRIGUES PROENÇA, que disse ter 100 anos de idade (portanto, nascido em 1806/1807), solteiro, recenseado como brasileiro, analfabeto, operário, residente no Saco do Pinhão, Ilha do Governador.

Nascem em Niterói, na rua da Rainha. Com 30 anos, mais ou menos (ou seja, cerca de 1836), mudou-se para a Ilha do Governador, onde exerce a profissão de pescador.

 

ANTONIO MANOEL, que disse ter 103 anos de idade (portanto, nascido em 1803/1804), estado civil ignorado, recenseado como africano, analfabeto, profissão ignorada, residente na Colônia de São Bento, na Ilha do Governador.

Está sofrendo das faculdades mentais. Foi internado na Colônia dos Alienados em 14 de março de 1890, por ocasião da instalação desse estabelecimento.

Nota: A Colônia dos Alienados foi instalada na antiga propriedade dos frades de São Bento, na praia do Galeão.

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Por Carlos Eduardo Barata

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