MESTRE DE OBRAS I
[Estes antigos Arquitetos]
CONSTRUTORES DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
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O presente Artigo, parte de um trabalho maior, em vias de publicação, vem trazer à luz alguns esclarecimentos referentes aos construtores da Cidade do Rio de Janeiro - Mestres de Obras - suas história e suas origens.
Trata da formação dos nossos antigos mestres - os mestres dos mestres
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DEFINIÇÕES
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ARQUITETOS e MESTRES DE OBRAS [H1]
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ARQUITETO - Do grego architéktõn, chefe dos carpinteiros (cf.), do latim architectu. (Antenor Nascentes, Dic. Etimológico, I). Augusto Magne, ao tratar do vocábulo "architectus", e suas variações, nos apresenta a seguinte definição:
"É o grego architékton, com passagem da 3.ª declinação grega para a 2.ª latina, talvez por influência de tectum, tectus, tegõ.
Architectõn, onis, que já ocorre em Plauto, é mera transcrição do grego. A forma architectus é a mais freqüente, e a única de uso clássico.
Architector, architectura, parecem imitações de nomes afins, como sculptor, sculptura, pictor, pictura; architector é tardio, enquanto o verbo architectãri ocorre em Cicero e Vitrúvio.
É da Ítala. Exod., XXXV, 95, o f. architectiõ; de Quint., II, 21, 8, o f. architectonice, es; da decadência, architetonica; de Vitrúvio, IX, I, 1, o adj. architectonicus; de S. Agostinho. Quaest Exod., 138, o verbo architectonãri.
- Em português, arquitectónica é o adj. arquitectónico substantivo no feminino, por submeter-se "arte". De arquitectura provém arquitectural, arquitecturismo, arquitecturista.
É cultismo o composto arquitectonógrafo e seus derivados.
Para o fr. architecte, abonado desde 1539, e variante, procedente do grego, architecton, no século XIV, cf. Wartburg, I. p.128.
(Magne, Dicionário Etimológico, II, 25)
Pela etimologia desta palavra se tem a idéia do conceito que nas línguas gregas e latina se tinha do arquiteto, que era o chefe que dirigia os operários das diversas profissões em sentido muito mais amplo do que esse que se dá hoje ao termo - somente o projetista da obra.
"Conforme ao que já ficou dito, a etimologia da palavra arquiteto é grega. Equivaleu, de começo, ao título de chefe ou mestre dos operários.
Posteriormente seu significado se tornou mais lato: mestre geral da obra, isto é, aquele que, exercendo a chefia, era acatado por todos os seus pares e dirigia a obra, intervindo em todos os pormenores."
(Morales de Los Rios Filho - Teoria e Filosofia, 285).
Homéro, tirou-a do nome de tektôn, o operário destro no trabalho da madeira.
Esta definição se torna compreensível, designando-se os edificadores como carpinteiros, em vista das casas dos chefes e os templos, serem construídos de madeira.
"A engenhosidade e a inventividade dos primitivos mestres carapinas - o primeiros arquitetos - fez que a designação profissional peculiar aos executores das obras de madeira, fosse ampliada e concedida aos mestres que se dedicavam a outras particularidades da edificação e utilizavam outros materiais: o adobe e o tijolo, a pedra, o cobre batido, o bronze, a cerâmica policromada.
Portanto os antigos arquitetos gregos exerceram suas funções como carpinteiros e fundidores de metais."
Sendo assim, os mestres carapinas ou mestres carpinteiros, que seriam os primeiros herdeiros do radical tektón - operário no trabalho da madeira, extrapolaram o termo para os operários do adobe, do tijolo e etc.
Passou a definir ao operário ligado à construção.
(Morales de Los Rios Filho - Teoria e Filosofia)
Ao radical tekton, foi acrescido, conforme vimos acima, outro radical grego "archi" (arqui), que Ramiz Galvão, assim define:
"Archi, em composição arch. Prefixo de muitas palavras portuguezas, significativo de primazia, preeminência.
De arceiu governar, ser chefe.
(Ramiz Galvão - Vocabulário, 82)
Quer assim, designar o chefe, o maior, o superior e, finalmente, o Mestre, o que nos oferece a origem do termo "architektón", que eqüivaleu ao título de Chefe ou Mestres das Obras de Carpintaria, ou, simplesmente, Mestre Carpinteiro.
Este, pouco a pouco foi ampliando seu campo de ação, tornando-se canteiro, metalúrgico, oleiro, decorador, marceneiro, etc.
Enfim, de Chefe ou Mestre das Obras de Carpintaria, tornou-se o Chefe ou Mestre das Obras, por extensão, o Mestre dos Operários, ou seja, aquele que exercia a chefia da obra, sendo acatado por todos os seus pares; aquele que dirigia a obra, intervindo em todos os pormenores. Daí, define Ramiz Galvão:
Architécto, s. m. o que dirige ou planeia construcções. // Pelo lat. architectus, vem de architektón chefe dos obreiros(comp. de archi dirigir + téctón constructor, carpinteiro) . Deriv.: architectúra (s.f.).
(Ramiz Galvão - Vocabulário, 82)
Ramiz Galvão, registra, ainda, as variações Architectónica(construtor) e Architéctonographia (descrição das construções, dos edifícios) .
A variante Architecton, oriunda do grego arkhitektôn, foi designação usada na França, durante o século XIV.
No século XVI, essa designação fica substituída, na França, pela de "architecte", oriunda da forma italiana, empregada para os encarregados de projetar e erigir edifícios:
ARCHITECTE: XVIe s.: de l'ital. architetto, issu du lat. architectus, lui-même emprunté au grec arkhitekton, composé de arkhi (V. archi) et de tekton (le charpentier) et signifiant "chef des charpentiers", Architectonique; architectural; architecture; architecturer.
(Marabout - Dictionnaire, 33)
Em 1543, registra-se nos escritos do famoso cirurgião francês Ambrósio Parê (1517-1590), os termos Architecte e Edificateur.
Almeida Araújo, em seu Dicionário Enciclopédico, procura dissecar o significado do termo, aprofundando-se na origem do radical téctón, buscando outras definições para este vocábulo.
Informa provir de teukhô (trabalhar em madeira), cujo radical é ktizô (construir, edificar).
Acrescenta que Ktizô parece provir do egípcio, ket, ou kot (edificar), composto de ka (pôr, colocar) e éou (casa) , e eout (muros).
Acrescenta, por fim, que takteut "quer dizer, em egípcio, cercar de muros.
Quanto ao radical "Arch", é, mais uma vez, de Morales de Los Rios Filho, que busco algumas apreciações:
"Com o tempo, os termos arki, archi, respectivamente grego e latino, derivados de arkos e archos, perderam seu significado literal para adquirir o de superioridade hierárquica, com é o caso dos termos arquiepiscopal e arquidiocese, ou, então, significado importante, tal como se verifica no vocábulo arquitrave, que quer dizer, na tecnologia da construção, trave-principal, viga mestra.
Da mesma etimologia procedem os vocábulos gregos archante, ou arquitetônica, significa a mais importante das técnicas, a técnica superior.
(Morales de Los Rios Filho - Teoria e Filosofia)
Segundo os arqueólogos, o termo Arquiteto não figura nas inscrições lapidares senão ao findar o século V a.C.. Nessa época, segundo ficou dito acima, o arquiteto aparece como "Chefe Geral" de todas as especialidades operárias.
O "Arquiteto" de então está convertido em Mestre Geral das Obras.
No Egito, em Babilônia e na Grécia, os "arquitetos" gozavam de extraordinária consideração, existindo entre eles, alguns príncipes de sangue.
Em Roma o "arquiteto" era ao mesmo tempo engenheiro civil e militar, em vista das grandes conquistas em que se empreendiam, e em cada legião havia um, encarregado da construção das máquinas de guerra.
Não se tributava aos arquitetos romanos a mesma veneração de que eram objeto em outros povos da antigüidade e raramente os seus nomes figuram nas obras - excetuando o nome de Vitrúvio, que destacou-se como teórico.
Os arquitetos antigos, além dos planos das obras, também apresentavam, muitas vezes, pequenos modelos que acompanhavam as plantas.
Durante os cinco primeiros séculos da Idade Média o arquiteto não foi conhecido como personagem laica que exercia profissão independente.
Durante os tempos da invasão dos povos bárbaros, no século V, as artes, as ciências se refugiaram nos claustros; transformou-se a grande arquitetura de origem monástica e conventual e o nome dos autores perdia-se na humanidade religiosa.
Haviam frades e clérigos que especializaram-se na arte de construir, tornando-se exímios carpinteiros, marceneiros, mestre de obras e "arquitetos".
A eles cabiam, a pedido das suas ordens e dos bispos, a construção e reparação das igrejas, especializando-se em arquitetura, sobretudo, a Ordem de S. Bento, cujos monges durante o século XI edificaram por toda a Europa notáveis mosteiros e templos que obedeciam a um estilo particular próprio.
No decorrer da Idade-Média até o título Arquiteto desapareceu. Durante o florescimento do gótico reaparece o magister fabricae, o Mestre de Obras, coordenador e responsável pela edificação.
Em algumas ocasiões surgiram o acompanhamento da designação do cargo oficial ao grandes mestres.
Em Siena, na Itália, no século XIV, haviam profissionais designados como "Mestres de Estado". A palavra "arquiteto" só torna a ser usada na 1.ª metade do séc. XVI.
Somente, a partir de 1549 (Morales de Los Rios Filho), que é aceito na sua verdadeira acepção, o título de Arquiteto.
Durante o Renascimento, porém, o Arquiteto representa o completo autor da obra. Em fins do século XVI e princípios do XVII começaram a fundar-se as academias, e escolas de arquitetura e só desde então a carreira do arquiteto tomou o aspecto com que hoje se conhece.
No século XVII, surgiram os "Arquitetos de Catedral".
Para o mesmo período também utilizou-se a designação de "Tracista", ou seja, aquele que apresentava o traço, o risco, ou projeto da obra.
Corresponde, afirma Morales de Los Rios Filho, ao título de Mestre do Risco, usado no Brasil, no século XVIII.
Para a Europa, Morales de Los Rios Filhos (Teoria da Arquitetura) documentou diversas designações especiais para os Arquitetos: Arquiteto das Catedrais (séc. XVII); Architecte du Roi; Architecte Honoraire de tous les Ouvrages de Bastiments et édifices de sa Majesté; Architecte en Chef; Architecte de Louis XIII; Intendente dos Jardins das Tulherias; Inspetor dos Edifícios do Rei; Arquiteto Imperial (Rússia, séc. XVIII); e Arquiteto Provincial (Espanha, séc. XVIII).
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Por Carlos Eduardo B