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O Presente camufla o Passado
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Vinha caminhando pela rua do Sacramento (hoje avenida Passos) e , ao chegar nas imediações da praça da Constituição (hoje Tiradentes), na esquina com a rua do Cano (hoje 7 de Setembro), encontrei-me com o velho amigo João, também chamado Caetano, e aproveitei para trocar uma prosa sobre suas atuações no teatro, que ainda ali está, batizado com seu nome.
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Enquanto esperava a amiga Márcia, que vinha encontrar-me para irmos ao magnífico Real Gabinete de Leitura Portuguesa, pedi o velho João que me falasse um pouco da sua história no teatro:
- João, fale-me um pouco da sua trajetória. Você dispõe de algum tempo para mim ?"
- Mas é lógico ! Respondeu-me com muita excitação.
* Comecei aos 19 anos de idade - disse-me ele.
* Entrei para o batalhão do Imperador, ainda jovem, no entanto, para quem sabe hoje o que fui e o que fiz por este teatro, e pelo teatro nacional, sabe bem que nada tinha haver comigo usar fardas, a não ser nos palcos. Minha arma não tem bala - é de festim; meu estopim são os aplausos no final de uma cena.
* Cheguei a Cadete, e parti para combater nas guerras platinas e cisplatinas. Que loucura....... ! Não era encenação, era real.
* Logo que voltei para a Província do Rio de Janeiro abandonei a farda e, no ano de 1827, apareci em público, pela primeira vez, com um papel de galã, no drama O Carpinteiro da Livonia, na paróquia de Itaboraí.
E assim, João Caetano desandou a falar da sua história no Teatro - para muitos, passado, para alguns, um ensinamento para o presente e, para mim, a chance de saborear mais um instante com uma geração do passado.
Márcia, me vendo, já na altura da rua do Piolho (hoje da Carioca), aproximou-se, rápido e, após os devidos e carinhosos cumprimentos, perguntou-me porque eu gesticulava tanto.
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- Estava conversando com o João - respondi-lhe.
Meio "confusa", olhou para trás de mim e viu a Estátua de João Caetano, que precede a escadaria do Teatro do mesmo nome. Com elegância e um belo sorriso, fingiu que nada acontecera, nada mais me perguntou, e antes mesmo que seus pensamentos divagassem sobre a necessidade da minha ida, involuntária, ao Pinel, indaguei-lhe:
- Porque vieste das bandas da rua da Carioca ??
- Estou vindo do BNDS.......
quando percebi que o edifício do BNDS havia devorado a Igreja Presbiteriana, erguida na então Travessa da Barreira, n.º 15 [hoje Rua Silva Jardim].
O velho templo inaugurado em 1874, foi derrubado, dando lugar ao novo edifício, em estilo neogótico, inaugurado em 1925, segundo o plano do engenheiro Ascânio Viana e do reverendo Mattatias.
Parece-me que sua sobrevivência foi possível por ter conseguido se camuflar com o avanço da modernidade. Pedi licença a Márcia, peguei a máquina fotográfica e registrei este confronto, onde o passado tenta resistir os atropelos provocados pelas presentes necessidades de novos espaços urbanos.
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Não sei se o Pastor Alexandre Latimer Blackford, com a pregação da Palavra de Deus, conseguiu, no ano de 1876, lançar as torres do seu templo mais próximas de Deus, porém, no século XX, certamente, o capitalismo tentou levar o BNDS mais próximo Dele.
Cau Barata
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