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Em busca do Elo Perdido - Uma nova história
Parte I
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Mais uma vez, depois de alguns meses de espera, nos reunimos no "Solar" de uma amiga, para adentrarmos na grande Floresta "Verde" - e não Negra, como a sua tão famosa rival - em busca de mais um elo perdido, da década de 70 do século XIX, na selvagem secundária mata.
A Floresta - 1872: Neste anno de 1872, limpou-se o terreno plantado, conservou-se e reparou-se em uma extensão de 15 quilômetros os caminhos que a cortam, fez-se 13.150 cestinhos, nos quais plantou 11.091 mudas de árvores de lei tiradas das sementeiras; roçou-se e preparou-se para receber 7.858 árvores em cestos que nele foram plantados.
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Aquarela da Floresta da Tijuca - 1875-1880 - Bernhard Wiegandt - Coleção Castro Maya
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Dia marcado para a expedição: 10 de Maio.
Horário: 11 horas.
Ponto de encontro - Solar "Floresta"
Aos poucos foram chegando os expedicionários:
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1 Paulo - Administrador e Guia da Expedição, encarnando o espírito do Major Archer;
2 João Alfredo, chefe da Expedição e desbravador da mata, encarnando o espírito do barão de Escragnolle;
3 Maria Isabel, a anfitriã da Floresta;
4 Renata; os mil sabores da Mata;
5 Wal, uma das mensageiras da Floresta;
6 Gerardo, o mago das estórias da grande Mata;
7 Cau, o captador de imagens;
8 Bela, a rainha dos Gigantes de quatro rodas das Matas;
9 André, um Duende das caminhadas.
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O ENCONTRO NO SOLAR
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Ao indagarmos ao nosso Administrador e Guia da Expedição, Paulo, sobre a trilha a ser desbravada, baixou-lhe o espírito do velho Major Archer e, meio que possuído com os acontecimentos daquele ano de 1872, que precede a abertura da trilha que ora iremos explorar, passou a descrever a Floresta:
Floresta - 1872
Neste anno de 1872, limpou-se o terreno plantado, conservou-se e reparou-se em uma extensão de 15 quilômetros os caminhos que a cortam, fez-se 13.150 cestinhos, nos quais plantou 11.091 mudas de árvores de lei tiradas das sementeiras; roçou-se e preparou-se para receber 7.858 árvores em cestos que nele foram plantados. (Depoimento do Major Archer - 1872).
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Assim, pela narrativa do Major Paulo, quero dizer, do Major Archer, ficamos sabendo que em 1872, quatro anos antes da construção dos tanques que agora iríamos procurar, haviam-se preparado o terreno para receber quase 8 mil árvores, que vieram dos cestos, agora com 13 mil novas plantas, que saíram das sementeiras, agora com11 mil novas mudas.
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Ficamos intrigados com o que poderia ser as Sementeiras, e pedimos ao nosso Administrador e Guia Paulo, algum esclarecimento e, como era de se esperar, mais uma vez baixou-lhe o espírito do Major Archer, naquele ano de 1872:
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O trabalho das sementeiras consiste: 1º na aquisição de sementes de árvores de lei; 2.º, no preparo e amanho de canteiros para a semeadura; 3.º, na semeadura; 4.ºno penso ou tratamento das sementes germinadas. Todas estes serviços tiveram durante o anno todo o possível desenvolvimento.
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O empregado especialmente incumbido de adquirir sementes nas mattas virgens de Guaratiba e circumvizinhanças, as mais ricas e abundantes deste municipio, forneceu grande cópia de sementes de ariribú, angelim-rosa, bicuhyba, canella-batalha, canella-limão, cedro-rosa, garaúna, gnarajuba, goiabeira cascuda, guaretá, guarapiapinha, Jacarandá-tan, jequitibá e páo-brazil branco. Além destas sementes, obtive mais as de seis qualidades diversas de eucalyptos, que me foram obsequiosamente offerecidas pelo Exm. Sr. visconde do Bom Retiro, e as de aroeira, imbú, camarú e mangaba, colhidas pelo Sr. Dr. João Nunes de Campos nos sertões das províncias do norte e por elle offerecidas.
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Alargou-se, quanto foi possível, a área dos canteiros, nelles se fez a semeadura de todas as qualidades de arvores acima mencionadas, e as sementeiras foram em gera; tratadas com o cuidadeo e solicitude que tenho sempre posto nesta primordial e importante parte dos trabalhos florestaes. resulta d'ahi que é immensa a quantidade de plantas germinadas e em estudo de passarem para os viveiros.
Floresta da Tijuca, 24 de Janeiro de 1873
o Administrador Manoel Gomes Archer
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Enquanto os Majores Lynch-Archer continuava a nos revelar a situação da Floresta, naquele ano de 1872, afastei-me da narrativa, para captar algumas imagens oferecidas pelo belíssimo Sítio Mabel:
Enquanto fotografava este esplendor oferecido pela natureza do Alto da Tijuca, no velho solar da Família Anfitriã, percebi que alguém se aproximava, bem devagar, como se quisesse entender como era possível uma caixinha tão pequenina aprisionar tantas imagens sem a necessidade de um pincel, ou de um lápis.
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Confesso que fiquei confuso quando o olhei, com suas vestimentas um tanto esquisitas para quem participaria de uma nova expedição na busca do passado. Provavelmente um excêntrico convidado da nossa anfitriã.
Perguntei-lhe o nome..... e respondeu-me com sotaque afrancesado bem carregado:
* Benjamin Mary, Encarregado dos Negócios da Bélgica, ao seu dispor.
Procurei os demais integrantes da expedição, porém todos sumiram entretidos nas narrativas do Major Paulo-Archer. Estava sozinho diante daquela criatura, certamente um diplomata.....
* Sim, sou diplomata. Vim para o Rio de Janeiro representar meu país, nomeado Encarregado dos Negócios, em 27 de julho de 1832.
Delírio na expedição...... um louco na Mata.
* Aportei no Rio de Janeiro - continuava falando com seu sotaque - no dia 11 de Fevereiro de 1834 no paquete inglês Raindeer, via Falmouth, Canárias, Pernambuco e Bahia, com 60 dias de viagem, acompanhando de um criado.
Não resta dúvida, um louco na expedição...... e como não se deve contrariar um louco, sentei-me no banco da pérgula, próxima a piscina, e fiquei a ouvir Benjamin Mary, enquanto os demais se perdiam nas narrativas de outro louco, o Major Paulo, o Archer do século XXI.
* Fui morar no Catete, próximo à praia do Flamengo, vizinho de Theremin. Permaneci neste paraíso, de 1834 a 1838 e, neste período, conheci o pintor Félix Emílio Taunay, então diretor da Escola Imperial de Belas Artes; o pintor francês Eugène Hubert de la Michellerie, aqui estabelecido desde 1826; e o pintor marinhista inglês Emeric Essex Vidal.
Ao ouvir os nomes de Taunay, de Michellerie, e de Essex, fiquei meio tonto. Já havia ouvido falar de todos, no entanto, desconhecia a existência de Benjamin. Como havia percebido o espírito de Archer baixar sobre o Paulo, nosso fiel Guia ao Passado, achei possível estar com o espírito do próprio Mary, bem ao meu lado.
Mas porque ??? E logo veio-me a resposta.....
Que saudade daquele tempo. No dia 8 de Junho de 1834, estive justamente aqui, onde vocês hoje estão reunidos para buscar uma porta para o passado. Fui visitar as dependências da família Moke, seu cafezal e, naquele dia, neste mesmo terreno onde hoje ergue-se este Solar, fiz um desenho, a lápis, desta bela vista dos arredores da Gávea Pequena.
E, não sei de onde tirou, mostrou-me o citado desenho "Près de Tejuca - 8 juin 1834, com 202 x 274mm. Não acreditei no que via. Rapidamente busquei uma imagem similar, na memória do disquete da minha maquininha fotográfica: lá estava o testemunho de um tempo. Passaram-se 169 anos...........
Desenho à lápis, de Benjamin Mary [1792-1846] - 1834. No primeiro plano está indicado café. Coleção Geyer
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Foto que fiz no dia 10.05.2003 - 169 anos depois da passagem de Benjamim Mary pelas terras do Solar que agora nos acolhe.
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Adormecido com o que ocorria, tentei falar com Benjamin, quando percebi que havia sumido e, já próximo, vi Paulo, com os demais expedicionários, ainda sob o efeito do espírito Archer, no ano de 1872, falando sobre o plantio.
Para a plantação do anno de 1872 roçou-se e preparou-se uma superfície de terreno de 234,256 metros quadrados, e ahi se plantou 7,853 árvores de lei fornecidas pelos viveiros. As qualidades destas arvores, assim como as de 397 para substituir as mortas, que haviam sido plantadas no anno anterior, vão especificadas no mappa junto. (Depoimento do Major Archer - 1872)
Cau Barata