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Há 133 anos atrás
Em busca do Elo Perdido - Uma nova história
Parte III
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Óleo sobre tela de Nicolau Taunay - c.1820 - Vista do Rio tomada do Alto da Boa Vista
NA BUSCA DOS AÇUDES - DAS CAIXAS D'ÁGUA
Finalmente é chegado o momento de entrarmos na trilha, guiados pelo Barão João Alfredo Viegas de Escragnolle e pelo Major Paulo Lynch Archer, numa aventura sem precedentes, em busca de mais um elo que se perdeu no tempo e na memória de milhares, e que, agora, os dois líderes, acompanhados de seus expedicionários, tentam revelar para os pósteros a importância de "lincar" o passado com o presente, como forma de melhor entendermos os caminhos por onde hoje trilhamos.
Trilha de acesso à 1.ª Caixa d'Água Imperial
Um raro flagrante do Major Lynch/Archer com o barão Viegas/Escragnolle
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CHEGADA DA 1.ª CAIXA D'ÁGUA IMPERIAL
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Finalmente, depois de algumas horas desbravando a velha Floresta, percorrendo trilhas mal traçadas, quase apagadas pela voracidade da mata que apoderou-se dos encapelados morros de café do fazendeiro Moke, os chefes da expedição anunciaram o descortinar da principal Caixa D'Água, a maior de todas, que servia de captação das águas das outras caixas, espalhadas e perdidas, por quase 130 anos, na espera da nossa expedição.
À beira do grande tanque, vimos o registro da sua data de construção - 1876 - e as iniciais O. P.
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Grande foi o contentamento geral, no encontro com este primeiro marco, o captador de águas de outros tantos marcos que estávamos por descobrir - o princípio de uma nova aventura; o princípio de um novo desvendar para as nossas aguçadas buscas; o princípio de mais um marco na vida de cada um de nós, expedicionários.
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O coro foi geral:
1876 ??????
O que significa O.P. ???
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Foi quando percebemos que Paulo Lynch e João Alfredo Viegas, emocionados com as nossas próprias emoções, encarnaram, o que já era de se esperar, os espíritos do Major Archer e do Barão de Escragnolle, e começaram a descrever toda a construção do complexo captador de águas da recém-plantada floresta, e retornaram ao ano de 1876:
Por decreto de 26 de Abril de 1872 - falou primeiro o Major Paulo Lynch/Archer - foi nomeado para servir, interinamente, o cargo de Inspetor Geral das Obras Públicas da Côrte do Rio de Janeiro, o engenheiro Jeronimo Rodrigues de Morais Jardim.
Deu continuidade aos trabalhos empreendidos para encanamento dos mananciais, pertencentes ao Estado, e distribuição das águas destinadas ao abastecimento da Cidade.
No entanto, não havendo ainda estudos de todo o ponto satisfatórios sobre esta matéria, fica impossível orçar, tão exatamente quanto é preciso, para a execução de um plano vasto e completo de abastecimento [Depoimento original datado de 1872].
Nas entrelinhas deste depoimento, Lynch/Archer deixou-nos perceber que O.P., era a sigla de Obras Públicas, inspecionadas, naquele ano de 1872, pelo engenheiro Morais Jardim.
Dentre os serviços de que está encarregada a Inspectoria geral das obras publicas da côrte o mais importante é por certo o do abastecimento d'água da cidade - esclarecimento feito pelo barão João Alfredo Viegas / Escragnolle.
Em outubro de 1872 foi incumbido o zeloso inspector geral das obras públicas de organizar e dirigir os estudos necessários para melhorar o abastecimento d'agua a esta capital.
Na execução de taes estudos, do que se occuparam o engenheiro Luiz Francisco Monteiro de Barros e 5 coadjuvantes, sob a diirecção d'aquelle funcionario, determinou-se que fosse observado o seguinte plano:
1.º Estudos dos mananciaes já utilizados para abastecimento d'agua à cidade, e dos meios de aproveital-os melhor, tendo em vista a variação dos seus productos, sujeitos a circunstancias atmosphericas.
2.º estudos de outros mananciaes, que devam concorrer para ampliar a distribuição, na proporção do acrescimo do consumo.
Etc.
Pensa aquelle engenheiro que existem dous meios de melhorar o abastecimento da cidade: 1.º acquisição de novos mananciaes; 2.º construção de reservatórios com a precisa capacidade.
Informa não haver nem um reservatorio em que se possa guardar as sobras que em tempos normaes se perdem; e no entanto essas sobras chegarião para entreter o abastecimento em tempos de secca.
É intuitiva a necessidade dos reservatórios, e não consta que haja systema regular de abastecimento d'agua que não se base em grandes reservatorios.
Por esse motivo distribuiu o serviço que lhe foi commettido, pelo modo seguinte:
1.º Estudos no valle do rio Macacos, na serra visinha ao Jardim-Botanico, nas contra-vertentes do Carioca, com o fim não só de verificar o melhor meio de aproveitar quaesquer mananciaes que pudessem reforçar os que já concorrem para o abastecimento, como também para a escolha de local apropriado á construção de um reservatorio.
2.º Estudos relativos aos affluentes da margem esquerda do rio Cachoeira, na Tijuca, com o fim de trazel-os ao Alto da Boa-Vista.
Etc.
Este segundo estudo, segundo intercedeu o Major Lynch/Archer, no relato do barão Viegas / Escragnolle, refere-se, justamente, a construção das Caixas d'Águas Imperiais que agora estamos explorando:
No valle do rio Macacos - continuou o barão Viegas/Éscragnolle -, ficou determinada a área para a fundação de um reservatório com a capacidade de 22.000m cubicos, para o qual serão aproveitadas as aguas d'esse rio e as da Cachoeira e da Caixa d'agua e de doues pequenos corregos.
Do exame das principaes nascentes que formam os affluentes do cachoeira verificou-se poderem contribuir com 5.600,000 litros, que, com alguns dias de calor sem chuva, ficarão provavelmente reduzidos a 2.700,000.
Determinou-se o logar conveniente para a caixa de recepção d'essas aguas, d'onde partem os encanamentos ara o Alto da Boa-Vista.
Este último terá 3 compartimentos inteiramente isolados com a capacidade total de 16.000,000 de litros: será subterraneo e abobadado [Depoimentos originais do princípio do ano de 1873].
Não foi preciso mais palavras..... ficamos totalmente perdidos no tempo, entre os anos de 2003 e 1876, sem saber o que acontecia neste enorme "buraco negro" que nos abatia, entre as descrições fidedignas de Lynch/Archer e Viegas/Escragnolle, e o que víamos à nossa frente: - um documento arquitetônico vivo de toda esta bela história/estória.
1876 - O.P. (Obras Públicas) - Com o braço direito esticado, vemos o barão João Alfredo Viegas / Escragnolle, em transe, ministrando sua aula Imperial, aos demais expedicionários
1 Uma visão do grande reservatório de captação;
2 um close do tanque de saída;
3 a mata que vemos refletida na límpida água do grande reservatório, ainda não existia no ano de 1876, quando da sua construção. Certamente, as mudas e pequenos arvoredos já o cercavam, era primordial que assim fosse. Penso que Archer e Escragnolle não viram a poderosa mata que cercou, com todo o cuidado que a natureza sabe ter, este reservatório e as demais caixas d'águas, dando-lhes sombra, mantendo o frescor de suas águas; e escondendo-os, no tempo florestal, dificultando o acesso do homem que, contrariando a mesma natureza, nem sempre sabe ter o cuidado da preservação do seu passado.
No primeiro plano: Bela, a rainha dos Gigantes de quatro rodas das Matas; atrás, Renata Saboya; os mil sabores da Mata; ao lado, André, o Duende das caminhadas.
Antes de entrarmos na segunda fase da trilha, para buscarmos as caixas d'águas imperiais que abastecem este grande reservatório, pedimos aos nossos líderes da expedição - que há pouco haviam falado da mata que ainda estava por crescer, ao redor do reservatório, naquele ano de 1876 - que nos falasse um pouco do desenvolvimento da então jovem floresta naquele ano.
Em poucas palavras, nosso guia Paulo Lynch, vestindo a alma do velho Major Archer, sentenciou:
No anno de 1876, o número de árvores transplantadas para o terreno, e que graças aos cuidados e o excellente processo empregado na preparação das covas, apresentam seguro desenvolvimento, foi de 2.052 durante os 9 primeiros mezes do corrente anno, sendo todas de madeira de lei; 14.149 mudas aguardam nos viveiros occasião opportuna para terem igual destino....
Actualmente o total das novas arvores, existentes nas florestas da Tijuca, attinge 68.000.
Litografia colorida, datada de 1882, intitulada "Uma Trilha na Floresta (Tijuca); e uma imagem dos expedicionários, em 2003 - 121 anos depois - penetrando em "Uma Trilha na Floresta".
Cau Barata