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Há 133 anos atrás

Em busca do Elo Perdido - Uma nova história

Parte IV

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Finalmente é chegada a hora de penetrarmos na secular floresta em busca das caixas ou represas construídas na década de 70 do século XIX, para captação das águas do complexo da Cachoeira, que outrora abasteceu a fazenda Mocke, também motivo da visita da nossa expedição.

Água nunca faltou por estas bandas, assim, como primeira ilustração, antes de iniciarmos o relato desta quarta parte da nossa expedição, seguem três estampas da famosa Cascata Grande da Tijuca (Alto da Boa Vista), em três momentos do século XIX: 1816, c.1819 e 1836.

A imagem acima data de cerca de 1816 e pertence a Coleção Raymundo Castro Maya - mede 11,5 x 22,2 cm.

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Finalmente, deixamos para traz o Grande Reservatório de 1876, e nos embrenhamos na fechada mata, com trilhas estreitas, árvores caídas, animais vigiando-nos, macacos pulando, pássaros avisando, e dois grandes facões, habilmente manejados pelos chefes da expedição, Major Paulo Lynch/Archer e Barão João Alfredo Viegas /Escragnolle, nos dando a proteção necessária para nos aventurarmos em busca de mais um Elo que se perdeu na nossa história.

Pedimos, mais uma vez, que nossos líderes encarnassem os grandes vultos do passado desta floresta, e nos dessem mais um relato da fechada mata que agora desbravávamos. O Barão Viegas/Escragnolle, imediatamente no seu ilustre transe, recuou ao ano de 1873, e relatou-nos os avanços de seu amigo Major Lynch/Archer:

A Floresta - 1873: Durante o anno de 1873 foram transplantadas nas florestas da Tijuca sob a zeloza direçção de Archer 8.893 árvores de diversas especies. Os viveiros receberam 10.259 mudas de arvores de lei e as sementeiras foram augmentadas com canteiros novos.

Abriram-se 1476 metros de caminhos e foram conservados cerca de 21 kilometros, já existentes.

Eleva-se a 61.852 o numero de arvores plantadas desde o começo dos trabalhos, occupando 266,2 hectares (550.000 braças quadradas). (Depoimento original- 1873).

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Cenas da Trilha na busca da 1.º Represa

Na imagem acima, vemos o Duende das Caminhadas (André) e a Rainha dos Gigantes de quatro rodas das Matas (Bela), na primeira fase da trilha, entre o Grande Reservatório de 1876 e a 1.ª Represa de Captação. Longe, mais para direita da imagem, ao fundo do bambuzal, quase imperceptível na imagem estampada, forjando a realidade que nos foi revelada, estavam dois grandes macacos nos observando, deixando claro suas intenções de ataque ao grupo de expedicionários que invadiam seu habitat. Embora só os dois nos acompanhassem, a nossa Anfitriã da Floresta (Mabel), nos alertava para os gritos constantes que ecoavam por toda a mata ..... parecíamos cercados .... e, misturando os gritos constantes com os cantos dos bambuzais, estes até pareciam ter vida, nos deixando apreensivos com o solo úmido que por vezes afundava sob nossos pés.

Enquanto a tensão tomava o lugar da simples adrenalina dos expedicionários, alguém gritou: - a primeira Represa ! Neste momento, com as dificuldades de acesso, tanto da mata, quando dos animais, todos, ao mesmo tempo, pensaram: - quantas represas são ???? Parece que, quanto menos fossem, melhor seria.

Neste momento, os reais ou falsos perigos se afastaram e, novamente, todos em transe, recuamos ao ano de 1865, para ouvirmos, pela primeira vez, um precioso relato, também inédito, do Engenheiro Willis, que com muita desenvoltura, gargalhadas, conhecimentos, gozações, competência, e alegria, encarnou em nosso Mestre D. Gerardo Millone, o mago das estórias da grande Mata.

O Engenheiro D. Gerardo Millone / Willis, encarregado de estudar todo o complexo de captação das águas do Vale do Mocke, apresentou-nos o seguinte estudo:

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1865

ESTUDOS RELATIVOS AOS AFFLUENTES DA MARGEM ESQUERDA DA CAHOEIRA

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Forão encarregados d'esses trabalhos os Engenheiros Antonio Manoel de Mello e Henrique Willis da Silva.

Traçarão no terreno uma parte da curva de nível á cota de 271 metros, que é a da Boa-Vista em relação ao nível do mar, servindo-se para isso de um ponto da mesma curva traçado em 1865.

Essa parte da curva traçada encontrou na extensão de 940 metros, sete das principaes nascentes que formão os affluentes da esquerda do Cachoeira. (Sintam a preciosidade desta informação de D. Millone/Willis - representa toda a extensão que nossa expedição acaba de fazer, quase 140 anos depois)

Certos assim de que esses mananciaes erão os únicos d'ahi que estavão em condições de ser aproveitados, procedeu-se a repetidas medições de seus volumes, tendo-se previamente determinado em cada um d'elles, para essas medições, um ponto situado a 20 metros àcima da curva de nível.

Os resultados d'essas medições, não são muito animadores, pois nas mais favoraveis condições só poderemos contar com um total de 5.600,000 litros em 24 horas, que se reduzem bem depressa a 2.700,000 litros com alguns dias de calor sem chuva.

Feito isto, escolheu-se nas immediações um lugar conveniente para a caixa de recepção d'essas águas e d'onde partirão os encanamentos para o alto da Boa Vista. (Outra preciosa informação de D. Millone/Willis - representa o Grande Reservatório de 1876 que há pouco deixamos para traz - Parte III)

Verificou-se a curva de nível e levantou-se e construiu-se a planta geral comprehendendo os terrenos de Moke onde correm esses mananciaes, e as estradas que d'ahi vão á Cova da Onça, no alto da Boa-Vista e á Cascatinha.

Ficárão concluidos esses trabalhos.

Nosso grande contador de estórias, D. Gerardo Millone /Willis, deixou-nos a mercê de valiosa documentação histórica sobre os acontecimentos daqueles anos de 1865 a 1876, motivo da nossa nova expedição.



PRIMEIRA REPRESA



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Finalmente estávamos na primeira Represa e, novamente, nos veio a mesma indagação: - quantas represas íamos visitar ???

A pergunta ficou no ar................ e tudo ficou no ar, nós ficamos no ar, como que flutuando após a brisa leve que acabava de tomar conta do lugar. Pequeno nevoeiro - o que não era esperado - envolveu-nos e, em poucos minutos deixamos de nos ver.

Não sabíamos se Gerardo era Gerardo ou se era Willis, e desapareceu contando estórias na Mata; não sabíamos se Paulo Lynch era Lynch ou era Archer, e mudo ficou, com os pensamentos perdidos na névoa; não sabíamos se João Alfredo era João Alfredo ou se era o Barão, e perdeu-se na grandeza de seu título; não sabíamos o paradeiro da nossa Anfitriã Mabel, dos sabores de Renata, da mensagens da Val; das imagens do Cau; dos gigantes da Bela e ele, somente ele, o Duende das Caminhadas - André - foi o único que restou na Mata, com o total domínio sobre as divagações dos demais companheiros e, agora petrificado no seu espírito, surgiu como a esperança, no meio da névoa, com sua doce flauta, deixando-nos um caminho para seguir na busca da segunda Represa:

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Imagem legítima existente nas redondezas da Grande Mata da Gávea Pequena

Cau Barata

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