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Rio sem Fronteira

Parte III

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Cau Barata
(Carlos Eduardo de Almeida Barata)

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Passeio pela Cidade do Rio do Janeiro - extensão das aulas históricas - realizado no Domingo, dia 13 de Julho de 2003, a bordo dos maravilhosos GIGANTES DE 4 RODAS, gentilmente cedidos pela Jeep Tour, sob o comando da Rainha Bela.

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IMAGENS NOVAS DO ÚLTIMO ROTEIRO

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Já foi relatado nossa passagem pelo Largo da Misericórdia, no entanto, recebi, recentemente, mais algumas novas imagens da nossa passagem pelo referido Largo, assim, antes de darmos continuidade ao nossa passeio - Parte III - segue estas imagens:

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Largo da Misericórdia - Nossa passagem pelo Largo, à bordo dos Gigantes de 4 Rodas, da Jeep Tour.

Foto: Gerardo Millone

Ladeira da Misericórdia - à bordo dos Gigantes de 4 Rodas, olhando para a Ladeira da Misericórdia (comparar com as imagens antigas - Parte II)

Foto: Gerardo Millone

Igreja de Nossa Senhora do Bonsecesso (comparar com as imagens antigas - Parte II)

Foto: Gerardo Millone

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ROTEIRO

Após entrarmos na Avenida Presidente Antonio Carlos, abandonamos os Gigantes de 4 Rodas, da Jeep Tour, por mais de meia hora, e saltamos nas imediações da Igreja de São José. Acabamos de descer uma das três ladeiras do Morro do Castelo - já que a Av. Antonio Carlos encontra-se sob o falecido Morro - e paramos nas imediações da Igreja de São José e do Palácio da Assembléia (antiga Cadeia Pública, colonial, da Cidade do Rio de Janeiro), início da Rua Primeiro de Março.

Por ocasião da nossa passeio, quando estávamos bem na frente do Palácio da Assembléia (do outro lado da rua o Terminal Menezes Côrtes), apontei para a Avenida Antonio Carlos, e disse: - "aqueles ônibus, acabaram de descer o Morro do Castelo, pela Ladeira do Colégio, e pegaram o final da Rua da Misericórdia, em direção ao Largo do Carmo (hoje Praça XV). Segue uma ilustra que estampa bem esta passagem:

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Descrição: Belíssima imagem do Rio Antigo. O canto à esquerda, entre o edifício da Cadeia Pública (hoje Palácio da Assembléia) e a Igreja de São José, foi justamente o local em que saltamos, deixando para traz os Gigantes da Jeep Tour. A rua que vem do fundo é justamente a Rua da Misericórdia, já estampada na Parte II, tanto o seu princípio, lá proximo da Rua Santa Luzia, quando a sua parte final, em outra imagem que aparece parte da torre da Igreja de São José. Esta representa uma imagem do alto, provavelmente feita da torre da Igreja do carmo, na Praça XV, quase colada ao Convento do Carmo. Percebe-se, assim, que a Rua da Misericórdia está, justamente, no eixo da atual Avenida Antonio Carlos e, como havia dito no dia do passeio, esta última Avenida está traçada, na sua maior parte, sobre o extinto Morro do Castelo.

Perebe-se, também, a curva que a Rua da Misericórdia faz, mais adiante, a fim de contornar o Morro do Castelo para, mais adiante, nas imediações do Largo da Misericórdia, onde ela desemboca, e onde estivemos há tempos atrás (ver Parte II), encontrar-se com a Ladeira da Misericórdia, que dá acesso ao Morro do Castelo.

Alcançando o alto, a Ladeira da Misericórdia vai findar justamente defronte ao Colégio dos Jesuítas, bem estampado nesta fotografia, com a sua Igreja (dos Jesuítas). Neste ponto - defronte ao Colégio e a Igreja dos Jesuítas - a Ladeira da Misericórdia se encontra com a Ladeira do Colégio (nome que surge devido a existência do Colégio dos jesuítas), também vista nesta fotografia, descendo para as bandas da Várzea (hoje Praça XV), para desembocar na Rua detrás do Carmo, paralela a Rua da Misericórdia, que vemos nesta imagem.

Cabe ressaltar que, no encontro das duas ladeiras, diante dos Jesuítas, conforme pode ser visto nesta fotografia, segue um terceiro logradouro, com pouca inclinação, que no passado representou o Caminho que vai para o Forte de São Sebastião, que se ergue no final deste último logradouro. Este último logradouro, passados muitos anos, acabou sendo denominado de Rua do Castelo. No decorrer do seu percurso, saíam dois outros logradouros que, formando um triangilo, se encontrariam mais adiante e, unidos, ligavam o Forte e o Colégio dos Jesuítas com a Igreja de São Sebastião, erguida a partir de 1567, por Salvador Corrêa de Sá. Finalmente, dalí, descia a terceira ladeira que nos levava ao outro lado do Morro, desembocando nas imediações da hoje Cinelândia.

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ROTEIRO

Estamos na Igreja de São José. Defronte a ela, a velha rua de Antonio Nabo, hoje rua São José.

IGREJA DE SÃO JOSÉ - Av. Prsidente Antonio Carlos, s/n.º [esquina com a rua São José]. Edificada junto ao mar, pelo ermitão Egas Muniz e reconstruída em 1641 e em 1658. Serviu como Sé da Cidade do Rio de Janeiro de 1659 a 1734. A atual edificação, foi iniciada em 1808, concluindo-se a sacristia em 1815, e somente inaugurada em 1842. Com nave única, capela-mor e corredores amplos pelos dois lados, possui fachada pesada, onde dominam os fortes elementos horizontais, de cantaria, compostos pela cimalha e pelos embasamentos das duas sineiras e do acrotério central. Possui, numa das tôrres, famoso carrilhão, montado em 1883. A talha interna, de rococó tardio, é do Mestre Simeão Nazaré. Sofreu reformas em 1969.

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Igreja de São José

Descrição: no decorrer das descrições da Rua da Misericórdia, já mostramos duas magens onde aparece a Igreja de São José. Segue, agora, uma imagem frontal, feita por volta de 1893, pelo magnífico fotógrafo Juan Gutierrez. A imagem foi tomada do alto do Morro do Castelo. Gutierrez poderia estar na Ladeira do Colégio, no entanto, acredito que ele esteja um pouco mais acima, na rua do Colégio, sobre a qual falei na descrição anterior. Ao lado esquerdo da igreja, vê-se parte do telhado da antiga Cadeia (hoje Edifício da Assembléia), do século XVII, onde havíamos saltado, onde em 1822 se instalou aprimeira Assembléia Constituinte. No fundo, a Ilha das Cobras. Há um pequeno intervalo entre o casario, próximo a copa da árvore esquerda, que representa a Praça XV.

RUA SÃO JOSÉ - Rua de S. José - Centro. Começa esta rua na de D. Manuel e termina no largo da Carioca. Quando os franciscanos iniciaram a construção do seu convento, no antigo Outeiro do Carmo, hoje Largo da carioca, a Câmara, cumprindo acôrdo assumido na carta de doação do Governador Martim de Sá, datada de 19.04.1607, começou a abrir "uma rua direita de largura de trinta palmos, conforme as mais, que vão responder na dita casa com a que mais direito fôr ao mar". Este logradouro, partindo da Rua da Misericórdia, onde estivemos há poucos minutos atrás, passando rente à fralda do morro do Castelo, ia ter à antiga lagoa de Santo Antonio, hoje Largo da Carioca. Antigamente denominou-se, rua de Antônio Nabo - um dos seus primeiros moradores, rua do Parto, a parte compreendida entre as rua do Ourives e o Largo da Carioca, e, finalmente, a denominação atual, devido à construção da Igreja de S. José, em 1633.

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Rua São José

Descrição: MARAVILHA DE IMAGEM - aí está uma magnífica pintura da antiga Rua São José, aberta a partir de 1607, para ligar o mar (onde estava o nosso primeiro porto colonial) ao Convento de Santo Antonio (Largo da Carioca) - a imagem foi feita, justamente, do alto do Morro de Santo Antonio, dispensando-nos qualquer dúvida sobre a função deste magnifico logradouro. O fato de ter existido uma grande lagoa, onde hoje existe o Largo da carioca, interfere no local da abertura deste logradouro, que vai margeando o Morro do Castelo, à direita da imagem, que, em certo momento, corre quase paralelo ao antigo Caminho do Porto dos Jesuítas, que também poder ser visto nesta imagem, bem colado ao Morro do Castelo.

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ROTEIRO

Saindo da Igreja de São José, a pé, nos dirigimos ao Prédio da Assembléia, ou Palácio Tiradentes, entre as Ruas São José e Assembléia, onde funcionou, no Rio de Janeiro colonial, a Cadeia Pública.

PALÁCIO TIRADENTES - Rua 1.º de Março, s/n.º, esquina com a Rua da Assembléia. Importante obra entregue aos principais engenheiros-arquitetos da época: Heitor de Mello, Arquimedes Memória e Francisco Cuchet. Foi erguido em local onde existia a antiga Cadeia - que foi a prisão de Tiradentes, em 1792, antes da sua ida ao patíbulo. Em 1747, foi inaugurado a nova Cadeia Pública e Câmara, com frente para a Rua da Misericórdia e fundos para a Rua D. Manuel. No 'terreo funcionava a Cadeia e, no segundo pavimento, a Câmara dos Deputados. Serviu depois como sede do Senado até 1808. Em 1823, finalmente, instalou-se no prédio a Assembléia Constituinte do Império. Pouco depois da Proclamação da República, em 1891, voltou a ser sede da Câmara dos Deputados. A edificação que agora vemos foi inaugurada a 06.05.1926, ano de comemoração do Centenário da fundação do Poder Legislativo do Brasil Independente.

Serviu de sede à Câmara dos Deputados até 1945, à repartições do Ministério da Justiça e Negócios Interiores; à Assembléia Nacional Constituinte, em 1946, e, novamente à Câmara dos Deputados, até 1960, quando da transferência da capital do país para Brasília. De 1960 a 1961, abrigou a Assembléia Constituinte do Estado do Guanabara. Ficou desocupado até fins de 1974, ano em que houve a fusão do Estado do Rio de Janeiro com o Estado da Guanabara em um só Estado - o Estado do Rio de Janeiro. A partir de então, passou a alojar parte da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro - ALERJ.

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Palácio Tiradentes

À frente do Palácio, ergue-se uma estátua em bronze de Tiradentes e duas colunas «das Victórias», em estilo «neogrego», anunciando a monumental escadaria. O gosto eclético da época evidencia-se, sobretudo, por seu anterior, com um vestíbulo em estilo "renascimento italiano", galerias "à Luiz XVI", salão nobre "à Francisco I", Gabinetes em estilo "manuelino" e salão de leitura em estilo "renascimento italiano". Destaque especial para o plenário, com cúpula octogonal, explêndido vitral e oito painéis de autoria de Chambelland e Affonso Escragnolle de Taunay. Na parede principal, atrás da mesa presidencial, importante pintura de autoria de Eliseu Visconti.

CADEIA PÚBLICA - Em meados do século XVII, a Cadeia Pública erguida a mando de Mem de Sá, abandona o Morro do Castelo, quando se tem princípio a construção de um novo edifício - Casa da Câmara e Cadeia, diante de um antigo caminho, que devida ao novo edifício, passou a denominar-se de Rua da Cadeia, nome que conservou-se até o século XIX, quando recebeu novo batismo: rua da Assembléia.

"A construção, como a maioria das primitivas, era de taipa e, com o correr dos anos, arruinava-se rapidamente. Com amudança gradativa da povoação para a Várzea, as alturas do morro tornanvam-se êrmas e esta situação, aliada ao estado de ruína do edifício, facilitava as fugas de presos que se repetiam com freqüência. Impunha-se a necessidade de transferir a cadeia para a região onde agora se condensava a vida da cidade"(Vivaldo Coaracy).

Em 1619, o Governador-Geral autorizou a criação dum imposto, cujo porduto seria exclusivamente destinado às obras de concerto da Cadeia e Casa da Câmara. Em 1632 o Ouvidor comnica ao rei o estado de ruína do velho prédio, solicitando a necessária permissão para a sua mudança. Em 1638, finalmente, chegou a aprovação para construção do novo edifício, na Várzea. O mestre-pedreiro Francisco Monteiro deu início a construção do novo edifício, no mesmo local onde hoje encontra-se erguido o Palácio Tiradentes. Era, inicialmente, um edifício térreo, ou seja, de um pavimento. Em 1672, foi contratado pela Câmara a construção do segundo pavimento, dando-lhe a forma de sobrado.

Em 1747 ergueu-se novo edifício que sobreviveu até os nossos dias, quando foi demolido em 1922, para a construção do atual Palácio Tiradentes. A Cadeia Velha alojou, sucessivamente, os Correios, a Tipografia Nacional, a Caixa Econômico e a Inspetoria de higiene.

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Descrição: Rua da Misericórdia, n.º 23, vendo-se o velho edifício da Casa da Câmara e Cadeia, sobrevivente descaracterizado da construção de 1747, já abrigando, nesta fotografia de 1910, a Câmara dos Deputados. Estávamos bem defronte a ele por ocasião do nosso passeio. Ao lado, a velha Igreja de São José, que nos dá uma boa noção geográfica do local que agora admiramos. A rua da Misericórdia - nossa companheira nas duas partes históricas - segue em direção ao Morro do Castelo, dando para ver a Igreja dos jesuítas, no alto. :

RUA DA ASSEMBLÉIA - Rua da Assembléia - Centro. Começa esta rua na da Misericórdia e termina no largo da Carioca. Aberta em tempos remotos, já se encontrava alinhada na metade do séc. XVII. Antigamente chamou-se caminho que vai para o cruzeiro de S. Francisco e, depois, da Cadeia, por ali ter existido a antiga Cadeia - 1639 [hoje Palácio Tiradentes]. Chamou-se, também, rua da cadeia Velha. Em 1825, recebeu a denominação de rua que vai para a Assembléia e, finalmente, por deliberação de 24.10.1848, da Câmara Municipal, recebeu o atual nome.

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Rua da Assembléia

Descrição: OUTRA BELÍSSIA IMAGEM ESCLARECEDORA - Rua da Assembléia. Importante fotografia de Augusto Malta, datada de cerca de 1907, da Rua da Assembléia (antiga rua da cadeia) em toda a sua extenção, Penso que o fotógrafo deve estar em um dos janelões do terceiro piso do antigo Hospital da Ordem de São Francisco, que existiu no Largo da carioca, na esquina da Rua da carioca com a rua Uruguaiana, demolido em 1922. O primeiro cruzamento, logo adiante, onde atravessa uma grande carroça, com uma parelha de burros, parece ser a Avenida central (hoje Avenida Rio Branco) e, finalmente, como detalhe esclarecedor desta imagem, pode-se ver, bem ao fundo da imagem, à direita, no final desta rua, os três janelões do edifício da Cadeia Velha, então Camara dos Deputados.

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Planta Urbana de 1874 - Esquema da Foto de 1907 - de Augusto Malta

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Planta Urbana de 1874 - Detalhe do Esquema acima, vendo-se a Cadeia Pública, na Rua da Misericórdia, com a rua da Assembléia, na sua frente e, mais acima, a Igreja de São José, com uma das torres no alinhamento da rua São José.

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ROTEIRO A PÉ

Enquanto os Gigantes de 4 Rodas, da Jeep Tour, nos abandonam, para ir ao nosso encontro, depois, no Centro Cultural do Banco do Brasil, nos caminhamos a pé, saindo do Palácio da Assembléia (Tiradentes), defronte a rua Primeiro de Março, antiga rua Direita, e cruzamos pelo Paço Imperial, em direção a Praça XV de Novembro. Porém, esta nova caminhada segue na Parte IV.

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Morro do Castelo em 1765 - James Forbes

Boa Viagem

Cau Barata

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