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Rio sem Fronteira

Parte V

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Cau Barata
(Carlos Eduardo de Almeida Barata)

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Passeio pela Cidade do Rio do Janeiro - extensão das aulas históricas - realizado no Domingo, dia 13 de Julho de 2003, a bordo dos GIGANTES DE 4 RODAS, gentilmente cedidos pela Jeep Tour.

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RUA PRIMEIRO DE MARÇO

Parte II

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Centro. Começa esta rua pouco antes da Praça Quinze de Novembro e termina no começo da Ladeira de São Bento, junto ao Arsenal de Marinha.

Já atravessamos as Ruas da Assembléia, Sete de Setembro, Ouvidor, e o Beco do Barbeiro.

Resta-nos, ainda, os trechos entre as Ruas do Rosário e Dom Gerardo (Rosário, Buenos Aires, Alfândega, General Câmara, Av. Presidente Vargas, São Pedro, Teófilo Ottoni, Visconde de Inhaúma, Conselheiro Saraiva; e o Beco do Bragança.

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Este mapa pode ser visto com maior definição na Parte 4

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TRECHO 05

ENTRE A RUA DO ROSÁRIO e BUENOS AIRES

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Rua do Rosário: descrita na Parte 4 - Trecho 4. Começa esta rua na antiga Praça das Marinhas [hoje Av. Alfredo Agache], e termina na Rua Uruguaiana [no antigo Largo do Rosário].

Rua do Buenos Aires: Centro. Começa esta rua 1.º de Março e termina na praça da República [Campo de Santana]. Aberta pouco antes de 1624. Em seus vários trechos, recebeu diversos nomes: Rua da Portuguesa, Sebastião Ferrão, do Teixeira [c.1674], do Becão [c.1725], do Alecrim e rua detráz do Hospício, por estar passando nos fundos da casa e Hospital dos Irmãos da Ordem da Penitência, construídos no princípio do séc. XVIII. Chamou-se, depois, simplesmente Rua do Hospício [1850], Rua Costa Pereira [1888], novamente Hospício [1892] e, finalmente, por Dec. Municipal de 13.11.1915, recebeu a denominação atual. Nela está erguida a Igreja de N.SRA. da Conceição e Boa Morte [n.71].

Planta do Trecho 05

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Entre a Rua do Rosário e Buenos Aires: o lado ímpar deste trecho, em épocas passadas, era bem menor do que o lado par, cujo quarteirão se estendia até a atual Avenida Presidente Vargas (antes General Câmara), devido a construção dos grandes prédios da Associação do Comércio, intercalados por pequenos becos. Do lado par, entre os referidos edifícios, estava a Travessa do Tinoco (antigo Beco dos Adellos). No mapa acima, já podemos ver um dos edifícios, na esquina da Rua Rosário com a Rua Primeiro de Março.

Travessa do Tinoco: Começava esta travessa no fim da Rua do Mercado, junto ao antigo edifício da Alfândega, e terminava antigamente na Rua Primeiro de Março, e hoje na Rua do Visconde de Itaboraí. Já em 1878, haviam demolido a maior parte dos prédios deste lado do quarteirão, para a construção do edifício da Nova Praça do Comércio. Foi, anteriormente, Beco dos Adellos, por ali estarem localizados os adelos, indivíduos que vendiam coisas e móveis de segunda mão. Foi, ainda, Beco da Alfândega, devida à proximidade da antiga Alfândega. Em 1817, passou a denominar-se Rua Dom Fernando, em homenagem a D. Fernando José de Portugal, Vice-Rei do Brasil. Recebeu a denominação de Travessa do Tinoco, por deliberação da Câmara dos Deputados, na sessão de 15.03.1873, homenageando, segundo parece, o Provedor da Santa casa de Misericórdia, Luís Antonio Tinoco da Silva.

Rua Buenos Aires, no início do século XX, cerca de 1901 - Foto de Augusto Malta.

Gravura do Trecho 05 - Imagem 1

(Geofroid Engelmann - Coleção Raymundo Castro Maya)

Entre Rosário e Buenos Aires: belíssima gravura, datada de 1820, de Geofroid Engelmann, onde anda se vê o casario de ambos os lados da rua. O do lado direito, par, será demolido, na década de 70 do mesmo século XIX, para construção dos edifícios da Associação Comercial, que dará origem aos prédios do Correio e Telégrafos e do Centro Cultural do Banco do Brasil, na Rua Primeiro de Março. Pode-se ver, à direita, o pequeno Beco dos Adellos, depois Travessa do Tinoco. Ao fundo, no alto, aparece a Igreja de São Bento.

Gravura do Trecho 05 - Imagem 2

(Pieter Godfried Bertichen - Coleção Raymundo Castro Maya)

Entre Rosário e Buenos Aires: outra belíssima gravura, com destaque para o lado par da rua, datada de 1856, de Pieter Godfried Bertichen, praticamente no mesmo trecho da imagem anterior. O artista está de costas para o trecho 4, quase defronte a Igreja da Cruz dos Militares, olhando em direção ao Mosteiro de São Bento.

Na esquina, pode-se ver o antigo edifício da segunda Praça do Comércio, com dois pavimentos, tendo na frente o peristilo saliente com oito colunas da ordem dórica, que sustentavam uma varanda ou terraço orlado de grades de ferro prêsas a pilares.

Uma gradaria de ferro, entre as colunas, fechava o vestíbulo, cujo pavimento era de mosaico de mármore. No segundo pavimento funcionou o Tribunal do Comércio, instalado em janeiro de 1851, local onde também, no mesmo ano, foram realizadas as reuniões preliminares da instalação do Banco do Brasil (do grupo Mauá).

No prédio que se vê a esquerda da Praça do Comércio, funcionou a Casa dos Contos. Toda a área ocupada po esta Casa e a Praça do Comércio corresponde à que nos dias de hoje ocupam os edifícios do Banco do Brasil e do Correio Geral.

Ao fundo - o que nesta imagem está difícil de ver - está uma das torres da Igreja de São Bento.

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Gravura do Trecho 05 - Imagem 3
(Posição inversa à imagem 2)

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Entre Rosário e Buenos Aires: magnífica fotografia, datada talvez do final do século XIX, estando o fotógrafo numa posição inversa à gravura anterior: - de costas para o Mosteiro de São Bento, e olhando na direção da Praça XV.

No primeiro plano, do lado esquerdo da imagem (lado par da rua), a Casa dos Contos, que acabamos de ver, na imagem anterior, um pouco mais distante. No mesmo local construiu-se o edifício da Terceira Praça do Comércio. A casa seguinte, conforme vimos na gravura anterior, representa a Segunda Praça do Comércio. Logo adiante, do mesmo lado da rua, parte da torre da Igreja da Cruz dos Militares e, mais ao longe, do lado direito, as torres da Igreja do Carmo, que fica defronte à Praça XV.

O edifício da Casa dos Contos fora, anteriormente, residência do Provedor da Fazenda Pedro de Souza Pereira II, nascido em 1643 e assassinado em 1687 - membro da poderosa família Corrêa de Sá. Não deixando descendência, foram seus bens levados à venda, em praça pública, para saldar suas dívidas. O velho casarão foi adquirido pela Coroa, para alojamento dos Governadores Coloniais, então sem sede. Foi adquirido pela quantia de 6 mil cruzados, em 1698. Por quase 45 anos alí residiram vários dos nossos antigos governantes, entre eles o famoso Conde de Bobadela, Gomes Freire de Andrade, que mandou construir novo edifício para a residência dos governadores, para onde se transferiu em 1743 - que é o atual Paço Imperial, na Praça XV.

Fotografia do Trecho 05 - Lado Ímpar - Imagem 4

(Acervo Cau Barata)

Entre Rosário e Buenos Aires: nesta fotografia podemos ver o lado ímpar da Rua Primeiro de Março, no Trecho 5. O homem que atravessa a rua, no primeirto plano, está quase na esquina da Rua do Ouvidor, onde aparece o gradil que protegia a entrada da Igreja da Cruz dos Militares.

Edíficios e moradores do lado ímpar - 1876: Percebe-se, no Mapa da Rua, de 1874, estampado acima, que trata-se de um pequenino quarteirão, com apenas 3 residências assobradadas: 1 - sobrado número 29, na esquina da Primeiro de Março com Rosário, propriedade do Seminário de São José; sobrado número 31, de propriedade de Manuel Carvalho Sá de Macedo; o terceiro prédio, um sobrado de três pavimentos, na esquina com a rua Buenos Aires, ficava numerado por esta última rua, onde tinha o número 1, propriedade de Joaquim José Guimarães.

TRECHO 05 - Lado par Completo

Planta do Trecho 05

Entre a Rua do Rosário e Buenos Aires: o lado par deste trecho, conforme havia dito, era bem maior do que o lado ímpar, cujo quarteirão se estendia até a atual Avenida Presidente Vargas (antes General Câmara). Na planta acima, datada de 1874, já aparece os três grandes edifícios da Associação do Comércio, intercalados por pequenos becos. Nestes prédios vão se estabelecer, anos depois, o Banco do Brasil e o Correio Geral.

Edíficios e moradores do lado par - 1876: Conforme já foi dito, todo este quarteirão virá abaixo, para a construção dos prédios da Associação Comercial. No Mapa estampada acima, já aparece todo o quarteirão com três grandes edificações, conforme veremos adiante, representando os prédios construídos pela Associação Comercial. No limiar da execução desta obra, encontravam-se no lado par, os seguintes proprietários:

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Casa 32, de Francisco Pereira Peixoto Guimarães, nascido em 26.08.1822 e falecido em 21.02.1897;

Casa 34, do Conde de Itaguaí, Antônio Dias Pavão, nascido em 13.03.1790, SP, e falecido em 14.06.1875, RJ;

Casa 36, também propriedade do Conde de Itaguaí, Antônio Dias Pavão;

Casa 38, propriedade de Joaquim José de Andrade Bastos;

Casa 40, propriedade das Religiosas da Ajuda.

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Todos estes prédios foram demolidos para a edificação da nova Praça do Comércio e alargamento da travessa do Tinoco.

Sobrado de esquina: propriedade de Maria Luiza Martins de Araújo, na esquina da Primeiro de Março com a Travessa do Tinoco, numerado por este, com o número 23, porém, demolido para a construção da Praça do Comércio.

Fotografia e Mapa do Trecho 05 - Lado par - Imagem 5

Entre a Rua do Rosário e a atual Avenida Presidente Vargas: finalmente, resumindo tudo que foi dito até agora, aí estão os três grandes edifícios da Associação do Comércio, erguidos no seculo XIX, após demolirem todo o quarteirão, conforme já foi detalhado acima. A foto acima, representa as fachadas dos prédios apresentadas na planta de 1874, logo abaixo. O fotógrafo está olhando na direção do Banco do Brasil. Na planta de 1874, se vê os dois logradouros entre os prédios.

Fotografia do Trecho 05 - Imagem 6
(Foto Marc Ferrez)

AGÊNCIA CENTRAL DOS CORREIOS - Rua 1.º de Março, 64. Edifício iniciado em 1875, confiando a obra ao Engenheiro-Arquiteto Antonio de Paula Freitas, nascido em 1843, no Rio de Janeiro, onde faleceu a 18.03.1908. O edifício ocupa uma área de 40m de frente por 39m de fundo; o estilo é do Renascimento, sendo empregada no pavimento térreo a Ordem Jônica, no 1.º andar a Ordem Coríntio, e no 2.º andar Coposita. Erguido no mesmo terreno onde estava a antiga Casa dos Contos, descrita acima. Ficou completado em 1877.

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No fundo está o Morro do Castelo, testemunho do progresso da Cidade de São Sebastião que, passados mais alguns anos, vai devorá-lo também.

Edíficios e moradores do lado par - 1876: Segue os demais moradores dos prédios entre a Rua do Rosário e a Rua General Câmara (que será descrita na parte 6), onde vai surgir mais um dos edifícios da Associação Comercial - conforme foto e mapa acima (número 6), hoje sede do Centro Cultural Banco do Brasil.

Casa 42, de propriedade da Nação, demolida antes de 1877, para se erguer um dos edifícios da Associação Comercial - hoje Banco do Brasil;

Casa 44, sobrado de propriedade da Nação, demolido para se erguer um dos edifícios da Associação Comercial - hoje Banco do Brasil

Casa 46, sobrado de propriedade de José Paulino de Azevedo Castro, de importante família fluminense - demolido para se erguer um dos edifícios da Associação Comercial - hoje Banco do Brasil

Casa 48, sobrado de propriedade do Banco Comercial do Rio de Janeiro, demolido para se erguer um dos edifícios da Associação Comercial - hoje Banco do Brasil

Casa 50, sobrado de propriedade de Antonio José de Freitas, demolido para se erguer um dos edifícios da Associação Comercial - hoje Banco do Brasil

Casa 52, sobrado de propriedade de Manuel Pereira de Souza Barros, que foi agraciado, por Decreto de 17.12.1881, com o título de barão de Vista Alegre - demolido para se erguer um dos edifícios da Associação Comercial - hoje Banco do Brasil

Todos estes prédios foram demolidos para a edificação de mais um edifício da Associação Comercial, originando o prédio onde hoje encontra-se instalado o Centro Cultural do Banco do Brasil.

Sobrado de esquina: propriedade de Maria Luiza Barroso de Almeida, na esquina da Primeiro de Março com a Rua General Câmara (que deixou de existir, conforme falarei na Parte 6), numerado por este, com o número 6, porém, demolido para a construção da Praça do Comércio.

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CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL - Rua 1.º de Março, 66 - Em 1880, alterou-se a proposta do projeto inicial da antiga Praça do Comércio, segundo o plano do arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva. Em 07.05.1880 foi lançada a pedra fundamental do prédio, com a presença de D. Pedro II. Inaugurado somente 26 anos depois, em 08.11.1906, com a então denominação de Associação Comercial.

Neste edifício, funcionaram várias outras associações, tais como a Junta Comercial, a Câmara de Corretores de Mercadorias, a Câmara de Comércio Internacional do Brasil, a Recebedoria do Estado do Rio de Janeiro, o Consulado de Portugal, até 1922, quando passou a pertencer ao Banco do Brasil, que para ali se transferiu em 1926.

Em 1989, foi aberto o importante Centro Cultural Banco do Brasil, o mais completo da cidade, com magnífica biblioteca de mais de cem mil volumes sobre assuntos gerais, economia e coleções de periódicos. Possui dois teatros, quatro cabines de vídeo, um auditório utilizado para cursos, palestras e seminários e um museu. Cerca de 120 mil pessoas visitam o Centro Cultural, mensalmente.

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Banco do Brasil

Rua Primeiro de Março, n.º 66- Na primeira imagem, de Augusto Malta. o velho prédio antes da grande reforma sofrida para a instalação do Banco do Brasil, em 30.04.1962. Na segunda, a transformação sofrida que, sob o protesto do meio artístico da época, retirou as grandes e famosas cariárides que vemos sobre os pilares que contornam as três portas principais, em arco, da entrada.

Travessa do Tocantins:começa na Rua Visconde de Itaboraí, que vamos percorrer depois de passarmos pela Praça XV e termina na Rua Primeiro de Março. Fica entre os prédios do Banco do Brasil e do Correio. Seu nome homenageia o Conde de Tocantins, José Joaquim de Lima e Silva [1809-1894], membro da importante família Lima e Silva, por ter exercido, entre outros cargos, o de Presidente da Praça do Comércio, depois Associação Comercial (que ergueu este prédio na sua gestão), e do Banco do Brasil (que se estabeleceu neste prédio).

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TRECHOS
ENTRE AS RUAS BUENOS AIRES e DOM GERARDO
TRECHOS 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14, e 15

O histórico destes trechos segue na Parte III da Rua Primeiro de Março - in RIO SEM FRONTEIRA - 1.ª Excursão - Parte 6

Cau Barata

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