.


.

Rio sem Fronteira

Parte VI

.

Cau Barata
(Carlos Eduardo de Almeida Barata)

.

Passeio pela Cidade do Rio do Janeiro - extensão das aulas históricas - realizado no Domingo, dia 13 de Julho de 2003, a bordo dos GIGANTES DE 4 RODAS, gentilmente cedidos pela Jeep Tour.

.

RUA PRIMEIRO DE MARÇO
Parte III

.

Rua Primeiro de Março - Centro. Começa esta rua pouco antes da Praça Quinze de Novembro e termina no começo da Ladeira de São Bento, junto ao Arsenal de Marinha.

Já atravessamos as Ruas da Assembléia, Sete de Setembro, Ouvidor, o beco do Barbeiro, e as Ruas do Rosário e Buenos Aires.

Resta-nos, ainda, os trechos entre as Ruas Buens Aires e Dom Gerardo (Alfândega, General Câmara, Av. Presidente Vargas, São Pedro, Teófilo Ottoni, Visconde de Inhaúma, Conselheiro Saraiva; e o Beco do Bragança.

.

"17 de Maio de 1880 - Povo, entre o Correio e a Rua General Câmara. Bandeiras. Banda de Música. Hino Nacional. Chegam o Imperador; Ministros de Estado; o Dr. Bezerra de Menezes, Presidende da Câmara Municipal; Dr. Serafim Muniz Barreto, Chefe de Polícia .... É o lançamento da pedra fundamental de um grande edifício para Praça do Comércio, iniciativa da Associação de que são diretores Visconde de Tocantins, Conde de S. Salvador de Matozinhos, José Mendes de Oliveira Castro, J. M. Frias, Barão de Andarahy, Jacome N. de Vincenzi, Henrique Leuba, Hermando Joppert.

Muitas cortesias. Apresentações. Demonstrações do projeto. O plano é do Arquiteto Bethencourt da Silva. Contradada a construção, por 1.750:000$000, com os Senhores José Marcelino Pereira de Moraes e Rodrigo J. de Mello e Souza.

Assinado o Auto, lançada a pedra, S. M. despede-se, cumprimentando a Diretoria da Associação.

Retiram-se os Ministros e mais convidados, e promotores da cerimônia. Ficam as bandeiras, a folhagem verde muito pisada; e um resto de curiosidade popular. A obra seguir-se-á.

Retirada a platéia imperial, voltemos para o nosso tempo para darmos continuidade ao nosso passeio pela Cidade do Rio de Janeiro.

.

TRECHO 06
ENTRE A RUAS BUENOS AIRES e ALFÂNDEGA

Rua do Buenos Aires: descrita na Parte 5 - Trecho 5. Centro. Começa na Rua 1.º de Março e termina na Praça da República [Campo de Santana].

Rua da Alfândega: Centro. Começa na Rua 1.º de Março e termina na Praça da República [Campo de Santana]. Uma das mais antigas da Cidade, já existente no começo do séc. XVII.

Planta do Trecho 06

Entre a Rua Buenos Aires e Alfândega: lado ímpar deste trecho, onde se vê pequeno casario, 100 % sobrados, com o bonde entrando na rua Buenos Aires.

Edíficios e moradores do lado ímpar - Trara-se de um quarteirão maior do que o antecedente (Rosário e Buenos Aires), com 6 prédios, os quais, em 1877, tinham os seguintes proprietários:

n.º 33 - dois sobrados no nome de Antonio de Oliveira Leite Leal;

n.º 35 - dois sobrados no nome da Companhia de Seguros Nova Permanente - a proximidade do mar talvez tenha trazido esta companhia funcionar nesta região. Trata-se da Companhia Nova Permanente, de Seguros Marítimos, dirigida, neste ano de 1877 por Francisco de Matos Trindade, que era um morador de Laranjeiras. A Comissão Fiscal, no mesmo ano, tinha na presidência o Visconde de São Salvador de Matozinhos. Este Companhia, desde 1847, vem funcinando neste mesmo prédio. Em 1855, tinha um capital de 500 contos de réis, elevados a 2 mil contos de réis em 1860.

n.º 37 - dois sobrados no nome de Antonio de Freitas Lima Guimarães;

n.º 39 - dois sobrados no nome de Augusto Gomes Ferreira;

n.º 41 - dois sobrados no nome de Luiz Antonio Alves de Carvalho;

O prédio de esquina com a Rua da Alfândega, tinha numeração por esta - número 1, também propriedade de Luiz Antonio Alves de Carvalho.

.

RUA DA ALFÂNDEGA

Primitivo Caminho de Capuerussú, pois no século XVII este logradouro cruzava o atual Campo de Santana, e se estendia até a Lagoa da Sentinela, antiga Lagoa de Capuerussú, que ficava no encontro das atuais Ruas de Santana, Frei Caneca e Avenida Mem de Sá. Chamou-se depois, Rua Diogo de Brito [1621]; Rua do Governador [1662] e depois Rua da Alfândega [1761], no trecho que vai até a Rua da Quitanda. Os demais trechos chamaram-se: Mãe dos Homens, Ferradores, Santa Iphigênia e do Oratório de Pedra. Entre 1837-41, a Câmara deu-lhe a denominação atual, em toda a sua extensão, assim vulgarmente chamada desde 1822, por ser um dos acessos à repartição aduaneira. Nela se encontram as Igrejas de Nossa Senhora da Mãe dos Homens [n.º 54], de Santa Efigênia [n.º 219], e de São Jorge [n.º 382], que não fizeram parte do nosso passeio, ficando para o futuro.

Rua da Alfândega, em 1874, com todo o seu casario. Tem princípio na Rua Primeiro de Março

Rua da Alfândega no final do século XIX

Esquina com a Rua Regente Feijó. Vê-se, na esquina,um antigo oratório de pedra, do século XVIII, que foi demolido em 1906. Até fins do século XVIII, a iluminação da Cidade do Rio de Janeiro consistia, unicamente, nesses oratórios murais, em que se acendia um candeeiro de óleo de baleia ou uma vela de cera.

Entrada da Alfândega, numa aquarela de Tomas Ender - c.1830

Magnífica e esclarecedora imagem, dos anos 30 do século XIX, que merece ser comparada com a Gravura do Trecho 05 - Imagem 3, da Parte 5, quando falei do casario existente entre as Ruas Rosário e Buenos Aires - a comparação deve ser feita com o edifício à esquerda, que representa a Casa dos Contos. Nesta imagem de Tomas Ender, vemos o portal de entrada da Alfândega, que fica por traz dos dois prédios que o ladeam, onde está o mar e o porto de desembarque dos pescadores. O portal, levando em conta o que foi dito no Trecho 5 (Imagens 2 e 3), está entre os prédios da Casa do Contos (à esquerda) e o antigo edifício da segunda Praça do Comércio,

Finalmente, juntando esta imagem com a do Trecho 05, conclui-se que este portal representa, justamente, a já citada Travessa do Tinoco, sobre a 1a qual já falei naquele trecho 05, Parte 5. Começava esta travessa no fim da Rua do Mercado, junto ao antigo edifício da Alfândega, e terminava antigamente na Rua Primeiro de Março, onde agora vemos o grande Portal. Foi, anteriormente, Beco dos Adellos, e Beco da Alfândega, devida à proximidade da antiga Alfândega.

.

TRECHO 07

.

TRECHO 07

ENTRE A RUAS DA ALFÂNDEGA e GENERAL CÂMARA

Rua da Alfândega: Descrita acima. Centro . Começa na rua 1.º de Março e termina na Praça da República [Campo de Santana].

Rua General Câmara: Centro - extinta com a abertura da Avenida Presidente Vargas. Começava na Rua do Visconde de Itaboraí e terminava na Praça da República [Campo de Santana]. Ficou mais conhecida pelo seu antigo nome de Rua do Sabão.

.

Planta do Trecho 07

Entre a Rua da Alfândega e a Rua General Câmara: lado ímpar deste trecho, onde se vê pequeno um pouco mais de casas, compradado ao trecho anterior.

Edíficios e moradores do lado ímpar - Trara-se de um quarteirão maior do que o antecedente (Buenos Aires e Alfândega), com 9 prédios, os quais, em 1877, tinham os seguintes proprietários:

n.º 43 - um sobrado do mesmo Antonio de Oliveira Leite Leal;

n.º 45 - três sobrados no nome de Augusto Alves da França e Sá;

n.º 47 - três sobrados no nome da Condessa de Condeixas, Maria Rita Ferreira dos Santos, nascida em 1821, no Rio, RJ. Filha do abastado proprietário e negociante, Comendador José Ferreira dos Santos. Cabe lembrar que a Condessa de Condeixas era irmã da Condessa de Ipanema, cujo filho, barão do mesmo nome, foi o fundador do bairro de Ipanema;

n.º 49 - três sobrados no nome da Condessa de São Mamede, Lydia Smith de Vasconcelos, nascida em 1853, Fortaleza, CE, e falecida em 1929, Paris, França. Importante família cearense, estabelecida no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foram os construtores do famoso Castelo de Itaipava, antepassados diretos da Governadora Marta Suplucy;

n.º 51 - dois sobrados no nome de Antonio José de Souza Lima, de importante família de fazendeiros do Estado do Rio de Janeiro;

n.º 53 - dois sobrados no nome do English Banck of Rio de Janeiro; instituição incorporada em Londres, que funcionava no Rio de Janeiro, autorizado pelo Decreto do Governo Imperial de 28.12.1863. Neste ano de 1878, tinha um capital de 1.000.000 libras esterlinas, ou seja, 8.888:888$888 réis (quase 8 mil e novecentos contos de réis). A sede ficava em Londres, com William Bevan, na Diretoria. No Rio de Janeiro, estava como gerente, E. Ross Duffield. O Banco saca sobre Londres, sobre o London Joint Stock Bank, e sobre seus diversos correspondentes espalhados no Brasil e no Mundo (Bahia, Pernambuco, Santos, Nova Orleans, Nova York, Paris, Bordéus, Buenos Aires, Lisboa, Porto, Madri, Hamburgo, Antuerpia, Havre, e Genova;

n.º 55 - dois sobrados no nome de Augusto Marques Braga, nascido em 1849, e falecido em 1895, filho do proprietário seguinte. Foi casado com Adelaide Getúlio das Neves, irmã do Vice-Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Getúlio das Neves.

n.º 57 - dois sobrados no nome de José Antonio Marques Braga, importante negociante de Nova Friburgo, casado com Clorinde Francisca Josefa Salusse, nascida a 29.07.1827, em Nova Friburgo, de tradicinal família nova-friburguense. São pais do priprietário anterior.

O prédio de esquina com a Rua General Câmara, tinha numeração por esta - número 8, propriedade de Clemente José de Gois Viana.

.

RUA GENERAL CÂMARA (RUA DO SABÃO)

Antigo Caminho do Cruzeiro da Candelária, e depois, Caminho de Gonçalo Gonçalves, da terceira década do séc. XVII. Foi chamada também de Travessa do azeite do peixe, por existir nela, até 1688, o depósito de óleo para iluminação domiciliar. Foi, ainda, Rua dos Escrivães, em um dos seus trechos, por nele existir vários cartórios de tabeliões. Também foi conhecida, em um dos seus trechos, de Rua de Bom Jesus, devido a Igreja do Senhor Bom Jesus do Calvário, demolida em 1942. Seu mais famoso nome foi Rua do Sabão, desde 1747 até cerca de 1840, devido a existência de vários armazéns de sabão. Naquele ano de 1840, a Câmara determinou que todo o logradouro fosse denominado de Rua do Sabão da Cidade Velha. A Câmara Municipal, em sessão do dia 18.03.1870, deu-lhe o nome de Rua General Câmara, homenageando o 2.º Visconde de Pelotas, que participou do combate de Aquidabã, que deu fim à Guerra do Paraguai. Deixou de existir, devido a abertura da Av. Presidente Vargas. Nele existiu a Igreja do Senhor Bom jesus e a Igreja de Nossa Senhora da Conceicão, depois numeradas com os logradouros que lhe faziam esquina, até desaparecerem.

.

Fotografia de 1905, da Rua General Câmara - trecho demolido na gestão do Prefeito Pereira Passos, para o seu alargamento. Os curiosos na calçada, estão na frente do velho Restaurante Boemia, com suas típicas portas de duas folhas, grande lampião na fachada, e quase ponto obrigatório para quem passava de bonde, com os trilhos ainda aparentes nesta imagem.

.

Mapa Arquitetural, datado de 1874, da Rua General Câmara, antiga Rua do Sabão. Perceba que este logradouro nasce na Rua Visconde de Itaboraí, defronte do prédio onde hoje se encontra a Casa França Brasil, traçando, naquele tempo, belíssima pespectiva do porta deste Centro Cultural, com o correr da rua.

No primeiro quarteirão, entre a Rua Visconde de Itaboraí e a Rua Primeiro de Março, vê-se o edifício onde se estabeleceu o Centro Cultural Banco do Brasil, sobre o qual já falei na Parte 5.

O segundo quarteirão, fica entre a Rua Primeiro de Março e a Rua da Candelária.

No terceiro quarteirão, entre a Rua da Cadelária (a terceira da esquerda para direita) e a Rua da Quitanda (a quarta da esquerda para a direita) está a Igreja da Candelária, entalada no meio de inúmeros prédios formados pelos três logradouros citados (Candelária, General Câmara, Quitanda) e pela Rua de São Pedro. Com o arrasamento de todas estas edificações, tanto na frente quanto nos fundos da Igreja da Candelária, para a abertura da Avenida Presidente Vargas, nos anos 40, vai deixar a Igreja da Candelaria respirar, depois de longos anos adormecida. A Igreja da Candelária será motivo de estudo mais adiante.

O quarto quarteirão, o mais extenso, fica entre as Ruas da Quitanda e do Ourives (hoje Miguel Couto).

O quinto quarteirão, também extenso, fica entre as Ruas do Ourives (hoje Miguel Couto) e a Rua Uruguaiana; do outro lado da rua, percebe-se a formação de um quinto quarteirão.

O sexto quarteirão, conforme dito no parágrafo anterior, está a Travessa do Bom Jesus e a Rua Uruguaiana. A Travessa do Bom Jesus também deixou de existir com a abertura da Avenida Presidente Vargas. Ficava neste trecho, fazendo esquina com a Rua Uruguaiana, a Igreja do Senhor Bom Jesus do Calvário e Via Sacra (Ordem terceira da Via Sacra), construída por José de Souza Barros e, depois, ampliada pelo Bispo D. Francisco de S. Jerônimo, cuja 1.ª pedra do seu fundamento, data do ano de 1719. Foi demolida com a abertura da Avenida Presidente Vargas.

O sétimo quarteirão, fica entre as Ruas Uruguaiana e dos Andradas; do outro lado da rua, percebe-se a formação de um oitavo quarteirão.

O oitavo quarteirão, conforme dito no parágrafo anterior, representa o antigo Largo do Capim, formado pelas Ruas General Câmara, Andradas, São Pedro. Chamou-se, anteriormente, Praça do Chafariz, e Campo da Forca. Em 1790, o Senado da Câmara mandou que ali fosse estabelecido um local dedicado a venda de capim, para forragens dos animais de montaria, carruagens e veículos de carga. Em 1797 aparecem as denominações de Largo do Bom jesus e Largo do Capim, época em que se mandou construir um novo chafariz, daí a nova denominação de Largo do Chafariz Novo. Na sessão de 02.09.1869, a Câmara Municipal deu-lhe a denominação de Praça General Osório. O Decreto de 09.09.1925, deu-lhe a denominação de Praça Lopes Trovão. Deixou de existir em 1943 com a abertura da Avenida Presidente Vargas.

.

Largo do Campim, em 1909 - Foto: Augusto Malta.

Em 1808, apresentava apenas 4 casas. Em 1877, tinha 5 sobrados e 1 casa térrea.

.

TRECHO 08

ENTRE A RUAS GENERAL CÂMARA e SÃO PEDRO

Rua General Câmara: Descrita acima. Centro - extinta com a abertura da Avenida Presidente Vargas. Começava na Rua do Visconde de Itaboraí e terminava na Praça da República [Campo de Santana].

Rua de São Pedro: Centro - também extinta com a abertura da Avenida Presidente Vargas. Começava na Rua do Visconde de Itaboraí e terminava na Praça da República [Campo de Santana].

Este quarteirão fica exatamente na frente da Igreja da Candelária, escondendo-a por entre o casario. Somente com a derrubada das casas deste quarteirão, e com o fim das Ruas General Câmara e São Pedro, por volta de 1943, ficou possível se ver a Igreja da Candelária da forma que vemos hoje.

.

Imagem do Trecho 08

Do alto do Morro de São Bento, se vê o quarteirão formado pelo Trecho 8, entre a Rua General Câmara e a Rua de São Pedro, à frente da Igreja da Candelária. Imagem que data de 1830, de Jean Baptiste debret.

.

Planta do Trecho 08

Entre a Rua General Câmara e a Rua de São Pedro: voltamos, novamente, a ter dois lados para descrever.

Edíficios e moradores do lado ímpar - Trata-se de um quarteirão típico do casario colonial e imperial, com 9 simples casas urbanas, sem maiores destaques.

n.º 59 - dois sobrados no nome de Antonio Barroso de Almeida;

n.º 61 - um sobrado no nome de Antonio José Pinto de Morais;

n.º 63 - um sobrado no nome do Banco Nacional;

n.º 65 - três sobrados no nome do Dr. João Pedro de Miranda, médico, carioca de nascimento, Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Casado no Rio, em 1869, com sua sobrinha, Leonarda Alexandrina de Azevedo Barroso, carioca, nascida em 1831.

n.º 67 - dois sobrados no nome do Barão de São Clemente, Antônio Clemente Pinto, nascido em 1830, Rio, RJ, e falecido em 1898, Friburgo, RJ. Era irmão do Conde de Nova Friburgo, Bernardo Clemente Pinto Sobrinho [1835-1914], que mandou construir para sua família uma magnífica residência palaciana no Bairro do Catete, hoje conhecida por Palácio do Catete [atual Museu da República].

n.º 69 - um sobrado no nome de Luiza Angélica de Oliveira, nascida em 1847 e falecida em 1924, cujo filho, o engenheiro Alberto Flores [1873, Paris - 1943, Rio], foi o patriarca da tradicional família Mello Flores. Luiza era filha do próximo proprietário;

n.º 71 - um sobrado no nome de Antonio José Martins de Oliveira, nascido em 1820 e falecido em 1882. Pai da proprietária antecedente;

O prédio de esquina com a Rua de São Pedro, tinha numeração por esta - números 4, que era Patrimônio dos Pares Pobres.

.

RUA DE SÃO PEDRO

.

Aberta antes de 1620. Em 1662 chamou-se Rua Antônio Vaz Viçoso e, depois, Rua de João Mendes, o caldeireiro, e Rua do Cirurgião Antonio Carneiro ou, simplesmente, Rua do Carneiro. Um dos seus trechos foi chamado de caminho que vai para o cemitério dos mulatos, que existiu contíguo a capela de São Domingos, demolida com a abertura da Avenida Presidente Vargas. Entre 1732, por ocasião do início da construção do templo dedicado a São Pedro, ainda tinha o nome de Rua Carneiro, na então freguesia da Candelária. Em 1740, época em que já se achava concluída a construção da Igreja, a Rua Carneiro já havia perdido sua denominação, em troca de Rua de São Pedro. Em 1817, recebeu nova denominação: Rua Desembargador Antonio Cardoso, porém por pouco tempo. A Igreja de São Pedro foi demolida em 1942 para a abertura da Avenida Presidente Vargas, ficando extinto, também, este logradouro.

.

Rua de São Pedro, em 1834, vista da sacada de um dos seus prédios, desenhado por Louis Ferriére. Coleção Particular - Família GPM.

.

Entre os prédios de maior destaque na Rua de São Pedro, está aquele que lhe deu o nome, a Igreja de São Pedro, ou Igreja de São Pedro dos Clérigos, ou Igreja do Príncipe dos Apóstolos São Pedro, esquina com a Rua Miguel Couto (antiga dos Ourives), edificada no correr dos anos de 1732 a 1740, pelo bispo D. Fr. Antônio Guadalupe, para firmar a irmandade dos clérigos em casa própria. Ornado o interior do templo por três altares, no da parte da Epístola colocou o bispo fundador a imagem de S. Gonçalo de Amarante, pretendendo excitar no povo a devoção, e culto do santo (ornamento, e padroeiro da sua pátria). Em 1792, já aparece como Igreja de São Pedro dos Clérigos. Em princípio do século XIX, havia na igreja um côro, onde se recitam diariamente as horas canônicas.

.

Igreja de São Pedro dos Clérigos, demolida com a abertura da Avenida Presidente Vargas. Desenho de Luiz Jardim, baseado numa imagem de Marc Ferrez, impresso na obra de Gastãi Cruls, "Aparência do Rio de Janeiro"

TRECHOS

ENTRE AS RUAS SÃO PEDRO e DOM GERARDO

TRECHOS 09, 10, 11, 12, 13, 14, e 15

O histórico destes trechos segue na Parte IV da Rua Primeiro de Março - in RIO SEM FRONTEIRA - 1.ª Excursão - Parte 7

Cau Barata

.