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Alto da Boa Vista
(Praça do Alto)
Há 100 anos atrás
Cau Barata
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Há 100 anos atrás, no dia 12 de Outubro de 1903, foi inaugurado o belo jardim do então largo da Boa Vista (hoje Praça Antonio Vizeu), no Alto da Tijuca, com 1.500 metros quadrados - Magnólias, camélias, cravinas e roseiras são os seus principais adornos. Este espaço urbano é antigo na região; já aparece em antigos mapas como Praça do Alto da Boa Vista (1870).
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Construiu-se no centro um pavilhão para música e, a um lado, pequeno restaurante estilo norueguês.
Restaurante - 1905
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Houve festa, presença do Prefeito Pereira Passos que, sem se descuidar dos aspectos turísticos da região, procurou melhorar as condições das Estradas da Tijuca e do Alto da Boa Vista, com os trabalhos de reconstrução, melhoramentos das curvas, das rampas, dos cortes, dos pontilhões, da drenagem, etc., tratou em seguida, de macadamizá-las, para oferecerem melhor superfície de rolamento. Cabe ressaltar que estas estradas, já existentes, eram de simples terra e tornavam-se, em dias de grandes chuvas, intransitáveis.
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Coreto ou Pavilhão de Música - 1905
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No Alto da Boa Vista, a primeira providência foi remodelar o jardim da praça, dotando-o de belo pavilhão, destinado a restaurante, e de um coreto de música, inaugurados há 100 anos.
Pracinha do Alto (Pça Antonio Vizeu) - 1923
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Nos anos 40 do século XX, a abertura da Avenida Presidente Vargas deu fim à tradicional Praça Onze de Junho, na região do Mangue. Havia no centro deste logradouro, um antigo Chafariz, projeto encomendado em 1848, ao famoso arquiteto Grandjean de Montgny. Quando da construção deste chafariz, não foi respeitado o projeto original, levando a Congregação da Academia de Belas Artes, evidentemente, sensibilizada pelo falecimento de seu Mestre, a lavrar, em 22.10.1850, um protesto contra a Inspetoria das Obras Públicas. Passados quase cem anos, com a reurbanização da área, devido a abertura daquela avenida, o Chafariz de granito da Praça Onze foi trasladado para a Praça Afonso Vizeu, no Alto da Boa Vista - razão deste histórico.
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Chafariz da Praças Onze, cerca de 1910 - Foto: Malta.
Hoje, na Praça Antonio Vizeu - Alto da Boa Vista.
Cabe registrar, ainda, que o Prefeito Pereira Passos, na mesma ocasião - 1903, melhorou e calçou os seguintes logradouros:
1. Estrada da Cascatinha - Agora formosada e melhorada, foi aberta no decorrer dos anos de 1861 e 1862, ano da sua conclusão, então com 861 braças de extensão e 25 palmos de largura. Suas obras foram divididas em três seções: a primeira, ficou a cargo de Felix Emílio Taunay, cuja família era proprietária na região. Taunay foi contratado para conservá-la, em 1865, pela quantia de 296$000 anuais; a segunda, ficou a cargo do mesmo Taunay e do arquiteto português Job Justino de Alcântara Barros, aluno do arquiteto Grandjean de Montigny, e discípulo do próprio Félix Taunay, além de ter sido, em 1860, o construtor de uma bela ponte de pedras, em formato de arco romano, que hoje tem o seu nome Ponte Job de Alcântara, em 1860; e a terceira seção ficou a cargo do engenheiro irlandês Willian Gilbert Ginty, que chegou ao Brasil, nos anos 50 do século XIX, à convite do Barão de Mauá.
Ponte Job da Alcântara.
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2. Rua da Boa Vista - Em fins do século XIX, tinha começo e fim no Alto da Boa Vista. Em 1894, passou a pertencer ao 13.º Distrito dos impostos municipais.
3. Estrada do Açude - Antigo caminho aberto pelo proprietário local, com sítio nas imediações do Açude da Solidão. Em fins do século XIX, tinha começo na estrada da Tijuca (Alto da Boa Vista) e fim na floresta da Tijuca. Em 1882, sofreu um grande desmoronamento comas grandes chuvas do começo do ano. Em 1894, passou a pertencer ao 13.º Distrito dos impostos municipais.
4. Estrada da Vista Chinesa - Antiga "estrada de rodagem" aberta entre escarpadas encostas onde borbulhavam cascatas e nasciam as águas que abasteciam ca capital, na década de 60 do século XIX. Em 1862, o Sr. Thomas Cochrane, morador local, estava responsável pelas obras desta estrada, que tinha a função de ligar o Alto da Tijuca com o Jardim Botânico da Lagoa Rodrigo de Freitas, conforme rezava o contrato de 3 de Junho de 1861. Os trabalhos desta estrada estavam concluídos em Março de 1865, e de Março a Agosto a sua conservação foi feita gratuitamente pelo Cochrane. Em agosto daquele ano, sua conservação foi contratada a Antonio Joaquim de Araújo, pelo prazo de um ano, pela quantia de 4.800$000 (quatro contos e oitocentos mi réis).
5. Estrada da Gávea Pequena - Em fins do século XIX, com a denominação de Caminho da Gávea Pequena da Tijuca, tinha como principal função ligar a Tijuca com as antigas freguesias da Gávea e de Jacarepaguá. Em 1894, passou a pertencer ao 13.º Distrito dos impostos municipais.
6. Estrada de Furnas - No mesmo ano de 1903, o Prefeito Pereira Passos restaurou, nas Furnas de Agassiz, a Mesa do Imperador.
7. Estrada da Barra da Tijuca - Em fins do século XIX, com a denominação de Caminho da Barra da Tijuca, tinha início em Jacarepaguá e término na barra da Tijuca.
8. Estrada do Pica-Pau - em Jacarepaguá.
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Para finalizar, transcrevo trecho de uma gostosa e romântica descrição de uma visita feita, no ano de 1898, ao Alto da Boa Vista:
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"Em um bond especial da Companhia S. Christovão que nos esperou na praça da República, defronte do Quartel General.... As'7 horas da manhã, tendo percorrido as ruas Visconde de Itaúna, Machado Coelho, Haddock Lobo e Conde de Bomfim, chegavamos ao ponto terminal da linha de bonde; e d'ahi por diante seguimos a pé, cortando a estrada por atalhos até o alto da Boa Vista.
O aroma balsamico d'aquelles ares dava-nis força e vivacidade extraordinária. Notava-se uma grande garrulice entre os excursionistas quem apreciavam bellos e frondosos vegetaes, lindos cipós enroscados, entrançados e formando redes curiosissimas. Algumas habitações pittorescas assignalam a presença de pessoas de bom gosto que residem naquelle sítio encantador.
Casal passeando no Alto, em 1908.
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No alto da Boa Vista que é muito povoado tomámos saboroso café com biscoutos na casa de uma família.
Vimos um elegante chalet de arame, viveiro de 135 pássaros que faziam com seus cantos uma alegre matinada. Azulões, Canários, Patativas, Sabiás, Bicos de lacre, Sahiras, Pintasilgos, Colleiros, Calafates, Caturritas, Cardeaes, Bem-te vis, Corrupiões, e outros muitos passaros esvoaçavam, comiam, banhavam-se, faziam ninhos, cantavam, desenvolvendo uma actividade que nos prendeu a attenção por largo tempo.
Depois mostraram-nos os dois caminhos em que se bifurcava a estrada por onde tínhamos caminhado; o da esquerda conduzia à Vista Chinesa, à lagoa Camorim, a Jacarepaguá; pelo da direita o visitante embrenhava-se na floresta da Tijuca. Tomamos este último.
Que aprazível viagem ! A estrada é perfeita, bem conservada, própria para carros; boeiros e sargetas muito limpos, para escoamentos das águas. De um lado e do outro a floresta. Uma variedade immensa de matizes na verdura que nos cerca, uma variedade immensa dos vegetaes que crescem sobre a montanha que subimos, e sob o céo de um azul príssimo que nos sorri das alturas ..."
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FIM.
Cau Barata