.
Parte II
Alto da Boa Vista
Praça do Alto
Há 100 ano atrás
.
(Carlos Eduardo de Almeida Barata)
.
Ainda, referente a Pracinha do Alto da Boa Vista, cabe ressaltar que por ocasião da inauguração da sua remodelação, construindo-se o Pavilhão e o Restaurante, esteve presente o Presidente da Província.
O então Jardim do Alto da Boa Vista era, anteriormente, um quase capinzal, local de pastagem de bois, de onde saíam as estradas ou caminhos que levavam para o interior da jóvem floresta. A imagem abaixo, belíssima, por sinal, nos mostra o que era, em meados do século XIX, a Praça do Alto ou, pelo menos, o espaço que a originou, já definido pelo antigo casario.
.
Fotografia feita por volta de 1865, por George Leuzinger. O caminho que segue em frente, toma a direção da atual Barra da Tijuca, e das antigas estradas de rodagem do Açude e da Vista Chinesa, ambas abertas pouco antes desta imagem, na década de 60 do século XIX. A segunda, a da Vista Chinesa, tinha o Sr. Thomas Cochrane, morador local, como responsável pelas sua obras, em 1862, conforme já foi dito.
O casario da direita, parece ser o mesmo que ainda hoje vemos na Praça do Alto, com acréscimos e reformas que o tempo forçou aos seus proprietários procederem - que o céu não caia sobre nossas cabeças, diriam. Mais adiante, após a segunda casa, está o atual portão principal do Parque Nacional da Floresta da Tijuca e, o caminho que se vê, à direita, toma a direção da já citada Estrada da Cascatinha, eberta no decorrer dos anos de 1861 e 1862, ano da sua conclusão.
DETALHE - cerca de 1865
.
Acima, uma aproximação do descampado, já com sua delimitação típica da origem destas antigas pracinhas, um grande retângulo cercado pelo velho casario. No alto, um belo e grande casarão assobradado, típico da nossa arquitetura colonial (embora estejamos no período Imperial). De quem poderia ser ???
Talvez de José Carneiro e de José da Cunha de Araújo Braga, ambos, em 1865, residiam neste descampado.
Enfim, a pergunta que faço, me leva a ilustrar a vocês, que eram os mais destacados moradores do Alto da Boa Vista, justamente em 1865. Os nomes abaixo, são de moradores que estiveram, naquele ano, cruzando um dos três caminhos que vemos na imagem de Leuzinger e, caso tenha existido, deviam parar em alguma pequena venda, no descampado da Boa Vista, para pequeno descanso da longa jornada de subir o alto, ou a cabalo, ou no lombo da mula, ou de carruagens, ou até mesmo em liteiras, as mulheres, com seus mucambos presos nas varas.
.
.
Quem sabe a venda ou ponto de parada dos habitantes do Alto não seja a pequena casinha que vemos, à direita, próximo ao caminho que conduz ao atual Portão do Parque ?? Arriscaria em afirmar que sim, pois no ano de 1865, existiu um Armarinho, e secos e molhados, justamente na "Boa-Vista da Tijuca", propriedade de Henrique Clark. Houve outro, porém para os que iam mais adiante, na estrada da Cascatinha, bem depois de passar pela entrada do parque. Este último pertenceu a um fazendeiro local, chamado Carlos Augusto Lopes de Souza.
.
- Cansou da subida ???
- Não é morador na região ???
.
Não tem problema pois, naquele ano de 1865, você podia descansar e desfrutar do clima da montanha e da tímida floresta que vinha sendo replantada, no Hotel da Cachoeira da Tijuca, propriedade de Robert Benett.
Enfim, os moradores do Alto da Boa Vista que, com toda a certeza, passaram por aquela paisagem que vimos acima, em 1865, eram os seguintes :
.
1. - Luiz Guilherme Lecesne, proprietário de uma grande fazenda de café;
2. - Miguel José Gomes da Rocha, proprietário de uma fazenda de café;
3. - Carlos Alexandre Mock, grande proprietário. Cabe lembrar que existiram dois Carlos Alexandre Mock, pai e filho. O pai, foi um dos maiores plantadores de café no Alto da Boa Vista, nas imediações da Gávea Pequena. Era também afazendado na região de Magé. Suas terras ficaram em mãos da viúva e dos filhos.
.
Cafezal da Fazenda Mock em 1834 - Gávea Pequena.
.
Cascatinha da Tijuca, cerca de 1825, onde estava afazendasdo o Visconde de Souto.
.
5. - Antonio de Serpa Pinto, proprietário da Fazenda da Cascata Grande da Tijuca.
6. - Antonio da Silva Ramos, proprietário da Fazenda da Cascata Grande da Tijuca.
.
Cascata Grande da Tijuca, em 1836, onde estavam afazendasdos Serpa Pinto e Silva Ramos.
.
Passados quase 40 anos daquela fotografia de Leuzinger (1865), o descampado do Alto da Boa Vista recebeu novo aformosamento, seus caminhos novo calçamento e, no ano de 1903 - há 100 anos atrás - conforme já havia mencionado na mensagem anterior, foi inaugurado pelo Prefeito Pereira Passos, com a Presença do Presidente da República. No dia 12 de Outubro, saiu a seguinte nota no Jornal do Comércio:
.
O jardim tem o estylo de paizagem, com grandes ruas circulares, além de um grande passeio cimentado em toda a volta.
.
No centro do jardim está elevado um belíssimo pavilhão rustico, para música, construído sobre um rochedo.
.
Em um canto, no ponto dos bondes elétricos, está construído um pequeno restaurante, estylo noruego, levantado pelo engenheiro Bahiana
.
A arborização do jardim, detre muitas variedades de flores, consta de magnolias, camelias, cravinas, roseiras, etc.
.
As obras do ajardinamento foram executadas sob a direcção do Dr. Julio Furtado, e de seu digno auxiliar, Paulo Villon, paizagista e architecto da Prefeitura.
.
Sabemos que os moradores dessa localidade, em suas justas manifestações de regijiso para esse melhoramento, a ellas associarão agradecimentos ao Coronel Leite Ribeiro, pelo concurso que prestou á realização do mesmo ao Sr. João Muratori.
.
Á festa, hoje, da inauguração do jardim pretende assistir o Sr Presidente da República e varios Ministros, o Prefeito e o Concelho Municipal, Senadores, deputados e outras autoridades convidadas.
A's 9 horas da manhã partirão do largo de S. Francisco bonds especiaes para conducção dos convidados, que do Alto da Boa Vista seguirão em carros para a Vista Chineza, onde será servido café e biscoutos, na mesa do Imperador, últimamente restaurada.
.
De volta almoçarão ao ar livre, no hotel White, fazendo depois ainda um passeio de carro à Cascatinha e à Floresta."
.
Para finalizar, não posso deixar de esclarecer que citado engenheiro Bahiana, autor do projeto do restaurante em estilo norueguês, é o importante engenheiro-arquiteto Gastão de Souza Bahiana, que tem seu nome homenageado em uma rua da Lagoa Rodrigo de Freitas - Ladeira Gastão Bahiana - e foi, também, o responsável pelo projeto da Igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.
Quanto a frase do jrnalista do Jornal do Comércio - No centro do jardim está elevado um belíssimo pavilhão rustico, para música, construído sobre um rochedo - de 1903; nada tenho a falar, somente, ilustrar:
.
Pavilhão Musicial em 1905
FIM
Carlos de Almeida Barata