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BELÉM DO GRÃO-PARÁ E SUAS RUAS

1616-1910

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PARTE - II

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. BELÉM DO GRÃO-

 

No decorrer do século XVIII, outras importantes famílias, na maioria de origem portuguêsa, chegaram a Belém, ramificando-se por outros Municípios, misturando-se com àquelas já descritas para o século XVII. Pouco a pouco, as teias genealógicas foram se consolidando, podendo traçar-se um gráfico bem nítido das relações de parentescos entre estes dominantes grupos familiares.

As mais importantes famílias do século XVII, sobreviveram no século seguinte, sem a perda de seus patronímicos, misturando-se, por fortes e, por vezes, estratégicas alianças, com os novos grupos familiares do século XVIII, entre eles: Corrêa de Miranda, Marinho Falcão, Rayol, Castilho Feyo, Alves da Cunha, Monteiro de Noronha, Siqueira Queiróz, Gonçalves Campos, Araújo Roso, Souza Coelho, Furtado de Mendonça, Seixas, Rodrigues Martins, Gurjão, Malcher, Souza Franco, Bentes, Sanches Baena, Haro de Farinha, Paes de Andrade,Ambr\ozio Henriques, Roberto Pimentel, Gama Lobo [origem dos Gama Malcher e Gama e Silva], Tenreiro Aranha, Chermont e Barata

Somam-se a estes, o grande contigente de famílias, cerca de 330 grupos, que vieram da antiga Praça de Magazão, na África, e foram alojados, em 1770, na Nova Magazão, no Macapá (AM), de onde se retiraram muitas delas para a Cidade de Belém. Entre elas: Valente do Couto, Fonzeca Zuzarte, Diniz do Couto, Arrais de Mendonça, Séguier, Bernal do Couto e Leitão da Cunha.

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SÉCULO XIX

RUAS DE BELÉM
1838
NOME ANTIGO NOME ATUAL OBS.
Açougue Gaspar Viana Chamou-se, tbm, Indústria
Aldeia Bailique  
Alfama    
Aljube    
Atalaia Joaquim Távora Chamou-se, tbm, Demétrio Ribeiro
Bailique Dr. Ferreira Cantão Mudança de nome feita a 14.09.1909
Barrôca Gurupá  
Belém    
Boa Vista 15 de Novembro .... Chamou-se, tbm, Imperatriz. Mudança de nome, na República
Bom Jardim    
Calçada do Colégio Padre Champagnat Chamou-se, tbm, Pedro Raiol
Cavaleiros Dr. Malcher Mudança de nome feita a 04.09.1877
Cruz das Almas - I Arcipreste Manuel Teodoro - trecho  
Cruz das Almas - II Cesário Alvim - trecho  
D'água de Flôres Capitão General Pedro de Albuquerque Chamou-se, tbm, Cintra
Dos 48 Dos 48 Sem modificação
Espírito Santo Dr. Assis  
Ferreiros    
Flôres Lauro Sodré Chamou-se, tbm, Ó de Almeida
Formosa 13 de Maio ........... [Foi, antes, do Paixão] Mudança de nome feita em 1888
Ilharga do Palácio Dona Tomázia Perdigão Mudança de nome feita em 1895
Inocentes Riachuelo Mudança de nome feita a 04.09.1877
João Balbi João Balbi Sem modificação
Longa Ângelo Custódio  
Mártires 28 de Setembro Lei do Ventre Livre
Mercadores Conselheiro João Alfredo Foi, antes, da Cadeia
Mercês    
Norte Siqueira Mendes  
Nova do Piri    
Nova da Princesa    
Nova do Príncipe    
Nova de Santa Ana Senador Manuel Barata  
Paul d'Água    
Residência Vigia  
Riachuelo Antonio Baena  
Santa Ana    
Santo Amaro Veiga Cabral  
Santo Antonio Santo Antonio Chamou-se, tbm, Pres. Wilson
São Boaventura São Boaventura Sem modificação
São João João Diogo  
São José    
São Mateus Trav. Padre Eutíquio  
São Vicente Paes de Carvalho Aberta em 1676
São Vicente de Fora    
??? Pedro II Mudança de nome feita em 1840
??? Andréia Mudança de nome feita em 1840
Relação apresentada, com pequenas alterações, na obra do historiador Ernesto Cruz - «Ruas de Belém, 1970.

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Rua Cons.º João Alfredo [Cartão Postal - Edição Eduardo A. Fernandes - Pará]

 

O gráfico que segue, relaciona as Travessas existentes em Belém, para o ano de 1838. Entre as principais delas, registram-se: do Passinho, das Mercês e da Piedade.

A primeira, Travessa do Passinho, que remonta aos tempos coloniais, teve seu nome tirado de um antigo Santuário, depois denominado de Capela dos Passos, que fazia parte do solar de propriedade do abastado senhor de engenho Ambrózio Henriques, chefe de numerosa e importante família. Popularizou-se, durante a Semana Santa, quando era aberta para os atos religiosos. Denomina-se, hoje, Travessa Campos Sales - homenagem ao dr. Manuel Ferraz de Campos Sales, presidente da República, entre 1898 e 1902.

A segunda, Travessa das Mercês, que também remonta aos tempos coloniais, deve o seu nome por passar al lado da Igreja das Mercês, erguida em 1640, pelos frades mercedários. Denomina-se, hoje, Travessa Frutuoso Guimarães - homenagem ao dr. Joaquim Frutuoso Pereira Guimarães, médico, que exerceu, por várias legislaturas, o cargo de Vereador da Câmara Municipal de Belém.

A terceira, Travessa da Piedade, também dos tempos coloniais, deve o seu nome aos capuchos de Nossa Senhora da Piedade, que chegaram em Belém, em 1693. Sua denominação, porém, deve ter surgido somente a partir de 1749, quando os Capuchos da Piedade deram início a construção da sua Casa Conventual, batizada de São José. Houveram duas tentativas de mudança da sua denominação, porém, infrutíferas.

 

TRAVESSAS DE BELÉM
1838
NOME ANTIGO NOME ATUAL OBS.
Açougue    
Água de Flôres    
Bailique    
Caetano Rufino    
Carros    
Cavaleiros    
Chafariz do Bispo Dr. Morais Mudança de nome feita a 04.09.1877
Eleições    
Espírito Santo    
Estrêla    
Flôres    
Gaivotas Trav. 1.º de Março Mudança de nome feita a 04.09.1877
Glória Rui Barbosa  
Inocentes    
Mercês Frutuoso Guimarães  
Misericórdia Padre Prudêncio Chamou-se, tbm, do Landi
Mirandas 15 de Agosto Mudança de nome feita a 04.09.1877
Olaria    
Passinho Campos Sales  
Pedreira    
Pelourinho 7 de Setembro Mudança de nome feita a 04.09.1877
Piedade Piedade Chamou-se, tbm, Eduardo Angelim
Praça    
Praia    
Queimada Saldanha Marinho Mudança de nome feita a 04.09.1877
Residência    
Riachuelo Antonio Baena Mudança de nome feita a 10.09.1898
Santo Antonio Frei Gil de Vila Nova  
São João    
São Mateus Padre Eutíquio Dividia os dois primeiros bairros
São Vicente    
Vala    

Relação apresentada, com pequenas alterações, na obra do historiador

Ernesto Cruz - «Ruas de Belém, 1970.

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Travessa Dr. Fructuoso Guimarães [Cartão Postal - Edição da Casa Gino e C. - Pará]

 

O próximo gráfico, relaciona os Largos existentes em Belém, para o mesmo ano de 1838. Entre as principais delas, registram-se: da Pólvora, do Palácio, da Memória, de Nazaré e da Sé.

O primeiro, o tradicional Largo da Pólvora, conhecido pelas suas majestosas mangueiras, remonta a sua denominação ao século XVIII, por ter sido alí instalado um depósito «onde se guardavam a pólvora e os armamentos das tropas coloniais». Foi denominado, depois, em 1840, de Praça de Dom Pedro Segundo. Nesta ocasião, recebeu tratamento urbanístico, com novo alinhamento e plantação de taperebazeiros. Hoje, denomina-se Praça da República, nome que comemora a entrada do regime político republicano instaurado a 15 de Novembro de 1889.

O segundo, o antigo Largo do Palácio, recebeu esta denominação, possivelmente em caráter popular, depois oficializado, por alí estar erguido o prédio de residência dos governadores, obra iniciada em 1762 e concluída em 1772.

 

Quero agora me referir à sede do poder estadual, hoje denominado Palácio Lauro Sodré.

Essa notável construção, a despeito das reformas que sofreu, mantém-se, há dois séculos, na integral majestade do seu explendor arquitetônico.

Quando o sol cai em cheio sôbre a sua fachada, e atinge parcialmente as paredes laterais, esmaltando de ouro êsse corpo de solene dignidade; quando a luz define melhor a sua pompa simétrica, a sua impecável geometria, o velho Palácio expressa, de maneira fiel, a magnitude e o prestígio da missão para que foi levantado.

Tudo nêle denuncia o bom-gôsto do seu idealizador - Antonio José Landi, êsse gênio da arquitetura, êsse escravo da Beleza, êsse artista ansioso de Perfeição, êsse esteta do mais puro requinte, cujas mãos se agarravam às paredes dos edifícios para aprimorá-los, como as roseiras se agarram a uma coluna para florir.

É sempre com emoção que penso nesse bairro povoado de legendas, contemporâneo da infância de Belém.

(Corrêa Pinto, Belém, 1968)

 

Devido aos movimentos políticos que culminaram, a 1.º de janeiro de 1821, a adesão do Pará à constituição portuguêsa, o Largo do Palácio passou a ser conhecido como Largo da Constituição. Pouco depois, em 1822, com a proclamação da Independência do Brasil, cuja Província do Pará, somente aderiu em 11 de agôsto de 1823, passou a ser conhecido por Largo da Independência. Hoje, tem a denominação de Praça Pedro II - homenagem ao nosso segundo imperador.

O terceiro, o Largo da Memória, surgiu em propriedade de João Batista Tenreiro Aranha, membro de antiga e tradicional família do Pará, que parece proceder deo velho Capitão-mor Bento Maciel Parente.

 

«Foi assim chamado por ter sido levantado alí o primeiro monumento ereto em Belém, com a denominação de Memória, para assinalar o reatamento da amizade do governador José de Nápoles Telo de Menezes com o Juiz de Fora José Justiniano de Oliveira Peixoto.

(Ernesto Cruz, Ruas de Belém, 1970)

 

Em 1858, demoliu-se àquele obelisco. Em 1859, desapropriou-se o sítio de Tenreiro Aranha, para a abertura de novas ruas e estradas. Surgiram, daí novas ruas e estradas. O Largo da Memória, teve, depois, sua denominação mudada para Redenção e Infante Dom Henrique.

O quarto, o Largo de Nazaré, provavelmente, remonta ao século XVIII, época em que se ergueu a Ermida de Nosa Senhora de Nazaré, depois transformada numa Igreja, e agora representada pela suntuosa Basílica.

 

É com justificado orgulho que o povo de Belém se envaidee da sua Basílica - majestoso monumento erguido em honra da padroeira dos paraenses, a Virgem de Nazaré.

Extraordinária riqueza de invenção e de fantasia a distingue da totalidade das suas congêneres, fazendo com que ela triunfe, como uma princesa encantada, na praça guarnecida de velhas árvores, de sumaumeiras anciãs, que unem os braços verdes, como sacerdotisas seculares, para lhe render perene vassalagem.

Suas tôrres altas e elegantíssimas sobem para o céu numa verticalidade impresionante, como se o arquiteto que as idealizou se houvesse inspirado na vertiginosa sugestão dos fogos de artifício.

O conjunto da fachada - desde a cruz mosaicada de ouro que encima o frontal, até a suntuosa porta de bronze, com seus ornatos em relêvo - é um poema fascinante.

No tímpano altaneiro, circundado por dois anjos com trombetas, cintila, em mosaico de Veneza, régio painel de glorificaçãp à Nossa Senhora, cujo vulto resplandece em meio ao verdor da selva amazônica, povoada de índios, mestiços, negros, jesuítas, franciscanos, e persinagens ligados à história do Pará.

A Basílica de Nazaré não se assemelha às demais igrejas, edificadas pedra a pedra, nas quais a gente vislumbra a tarefa das mãos humanas, erguendo-as desde os profundos alicerces às agulhas das tôrres.

Não. Ela parece surgida alí, por um milagre, já primorosamente acabada.

(Corrêa Pinto, Belém, 1968)

 

O Largo de Nazaré, denomina-se, hoje, Praça Justo Chermont - homenagem ao ilustre político dr. Justo Leite Chermont [1857-1926], primeiro governador escolhido e nomeado pelo Presidente Deodoro da Fonseca, para administrar o Estado do Pará.

 

Bairro de Nazaré - Zona Leste. Assim chamado por estar alí edificada a Igreja de Nossa Senhora de Nazaré.

(Ernesto Cruz, Ruas de Belém, 1970)

 

O quinto, Largo da , antigo e pequeno descampado, onde se ergueria a antiga Matriz de Nossa Senhora da Graça. Em 1720, teve a sua elevação a Sé episcopal. Talvez, já nesta ocasião, aquele descampado a ela fronteiro receberia, popularmente, a denominação de Largo da Sé.

 

Até agora felizmente improfanado pelas desfigurações da modernidade, o Largo da Sé conserva a sua fisionomia de célula-mater de Belém.

Cada uma das edificações que o emolduram é verdadeira lição de solidez, de caráter, de tranqüila dignidade.

A Catedral e a igreja de Santo Alexandre, confrontando-se nesta praça, parecem conservar sôbre os episódios a que têm assistido, ao longo dos séculos.

Não resisto a uma visita à Catedral.

Quero rememorar-lhe a história três vezes secular: Seu primitivo e singelo nome de matriz de Nossa Senhora da Graça. Sua elevação a Sé episcopal, em 1720. A ordenação de D. João V, em 1723, mandando-lhe que lhe fôsse dada tôda a magnificência possível. O lançamento da primeira pedra do seu atual edifício, em 1748. O traçado de seu plano pelo genial arquiteto que imortalizou o nome em tudo quanto empreendeu em Belém do Pará: Antonio José Landi. A benção inaugural com que a sgrou, em 1755, D. Frei Miguel de Bulhões. E, finalmente, o portentoso trabalho de sua restauração, realizada nos fins do século XIX, pelo inesquecível Bispo D. Antonio de Macêdo Costa.

Prodigiosamente vasta e sólida é a nossa Catedral.

Rainha das igrejas paraenses, ela oferece à curiosidade e ao enlêvo de quem passa o seu harmonioso conjunto de detalhes: o nicho monumental, contendo a imagem de Nossa Senhora de Belém; o frontão imponente, cercado de dois obeliscos; os grandes e tradicionais relógios, que através dos anos têm indicado as horas aos habitantes da Cidade Velha; e as gigantescas tôrres de revestimento escamoso, a desferirem vertiginosamente as flechas para o céu.

(Corrêa Pinto, Belém, 1968)

 

Fronteiro à Catedral, estava a Igreja de Santo Alexandre, erguida no século XVIII, no lugar de antiga capela de 1653, magnífica pelo seu barroquismo.

 

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Igreja de Santo Alexandre - Des. Tom Maia [in Velho Brasil de Hoje, Expressão e Cultura, Rio, 1983, pág. 58]

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Filha querida dos jesuítas, que a construíram no lugar da humilde capelinha de 1653, esta igreja, além do interêsse histórico, encanta pelo seu barroquismo luxuriante.

Uma atmosfera lírica, sentimental, respira-se dentro dela, em meio ao seu pequeno mais inavaliável tesouro de relíquias e primores plásticos, que se ostentam na obra de talha dos altares e, sobretudo, na bizarra ornamentação dos púlpitos.

Menos rica que a Catedral, oferece, porém, ao visitante, um doce aconchego intimista, um suave recolhimento que o convida a entrar em comunhão com Deus.

Não me canso de admirar os famosos púlpitos, magicamente esculpidospelos inacianos entalhadores e pelos índios seus discípulos. São surpreendentes jóias de rara inspiração, que fascinam pela esplendência e originalidade dos motivos, criados numa febre delirante de fantasia.

(Corrêa Pinto, Belém, 1968)

 

LARGOS DE BELÉM
1838
NOME ANTIGO NOME ATUAL OBS.
Carmo    
Mercês Praça Visconde do Rio Branco Chamou-se, tbm, pç. Visconde de Mauá
Misericórdia Praça Barão de Guajará  
Nazaré Praça Justo Chermont  
Palácio Praça Pedro Segundo Mudança de nome em 1840
Pólvora Praça da República Chamou-se, tbm, Dom Pedro II
Quartel Praça da Bandeira Chamou-se, tbm, Saldanha Marinho
Redondo Praça Ten. Cel. Fernandes Júnior Chamou-se, tbm, Jardim das Especiarias
Rosário    
Santa Ana    
Santo Antonio    
São João    
São José Praça Amazonas Chamou-se, tbm, Almirante Altino Corrêa
Praça D. Frei Caetano Brandão  
Trindade    

Relação apresentada, com pequenas alterações, na obra do historiador

Ernesto Cruz - «Ruas de Belém, 1970.

 

Finalmente, relacionado os nomes dos logradouros existentes na Cidade de Belém, até o terceiro quartel do século XIX, cabe resaltar que neles habitavam, além das já citadas famílias, oriundas dos séculos XVII e XVIII, outras tantas, que migraram no século XIX, para o Pará, almentando, ainda mais, o complexo genealógico das famílias paraenses.

Entre estes novos grupos familiares, registram-se: Guilhon, Ó de Almeida, Silva Castro, Perdigão, Magno, Meira, Mac Dowell, Nina, Assis, Corrêa, Balbi, La Roque, Miranda, Lopes de Souza, Chaves, Ribeiro de Souza, Siqueira Mendes, Monteiro Baena e Silva Pombo.

Do terceiro quartel do século XIX até o princípio do século XX, a Cidade cresceu vertiginosamente. Rasgaram-se novas e inúmeras ruas, avenidas e estradas.

  1. Em 1840, na administração do dr. João Antonio de Miranda, mandou-se proceder à numeração das casas e a designação dos logradouros. Nesta ocasião, surgiram novas denominações para antigos logradouros: Pedro II, 13 de Maio e de Andréia.
    • Anos depois, em portaria de 2 de maio de 1840, o presidente da província, João Antonio de Miranda, mandou que a Câmara fizesse numerar todas as casas da cidade, e designasse as ruas, travessas, becos e largos com os nomes que já tivessem, e que à Câmara parecessem adequados. Ao mesmo tempo recomendou que se conservassem os nomes por que alguns desses lugares fossem de longa data se daria o nome de - Rua de D. pedro 2.º; a outra, o de - Rua 13 de Maio, em atenção a ser o dia em que as tropas da legalidade se apoderaram da capital; a outra, o de - Rua de Andrea, por ser este o delegado do governo supremo que reduziu à paz a Província. [Manuel Barata, Nomes das Ruas e Numeração das Casas de Belém - in Folha do Norte, 01.01.1915].

  2. A lei n.º 100, de 5 de Julho de 1841, que orçou a receita e fixou a despesa municipal para o ano financeiro de 1842-1843, foi a Câmara autorizada a despender a quantia de 500$000 com os letreiros das ruas, travessas e praças.
  3. A execução da lei n.º 100, acima, foi executada, somente, no ano seguinte - 1842, utilizando-se o seguinte sistema para a numeração das casas:
    • Lado esquerdo: 1, 3, 5, 7, 9, 11.
    • Lado direito: 22, 20, 18, 16, 14, 12.
  4. Em 1842, mandou-se-se uma nova rua, paralela à baía do Guajará, com a denominação de Nova do Imperador. Foi aberta, somente, em 1848. Pouco depois, contratou-se o atêrro desta rua, concluído em 1849. Por volta de 1930, recebeu a nova denominação: Bolevar Castilhos França - homenagem ao Comandante da Armada nacional Eurico de Castilhos França.
  5. Ainda, na administração do dr. João Antonio de Miranda, adquiriu-se, por compra, uma faixa de terra que liga as atuais rua Gaspar Viana e bulevar Castilhos França, onde surgiu um caminho depois chamado da Indústria.
  6. Em 1848, mandou-se abrir, no bairro do Umarizal, duas ruas e três travessas, a partir do arraial de Nazaré.

    Bairro do Umarizal - Zona Norte. Lugar de Umari, onde deviam frutificar as árvores que caracetrizavam esta área.

    (Ernesto Cruz, Ruas de Belém, 1970)

  7. A Lei n.º 217, de 15 de novembro de 1851, dispôs que a Câmara mandasse inscrever, impreterivelmente, no ano financeiro de 1852, os letreiros das ruas, travessas e praças ou largos da cidade; e obrigou os proprietários dos prédios a fazerem numerar as portas de suas propriedades, pela ordem numérica, conforme fosse designada pela Câmara. Esta ordem numérica foi a mesma já adotada anteriormente [Manuel Barata - in Folha do Norte, 01.01.1915].
  8. Em 1859, desapropriou-se um sítio de Tenreiro Aranha, próximo ao qual já existia o Largo da Memória - citado acima, para a expansão e abertura de novas ruas e estradas, entre elas: do Príncipe, Glória e Constituição.
  9. O regulamento de 7 de junho de 1862, para a arecadação e fiscalização do imposto predial, detrminou que todas as casas de casa rua seriam numeradas, de um a outra extremidade, por duas séries de números, sendo a dos pares seguidamente posta ao lado direito, e a dos ímpares ao esquerdo do caminhante que partisse do começo da rua. [Manuel Barata - in Folha do Norte, 01.01.1915].
    • Esta numeração, como também a designação dos nomes das ruas, continuou a ser feita ainda pelo mesmo sistema da de 1842 e 1852, sempre com algarismos e caracteres brancos em fundo preto, pintados nas vergas das portas e nas paredes das esquinas. [Manuel Barata, Nomes das Ruas e Numeração das Casas de Belém - in Folha do Norte, 01.01.1915].
  10. Por uma postura de março de 1884, a Câmara determinou que a numeração dos prédios fosse de algarismos brancos, em relevo, sobre placas de ferro, fundidas, de fundo preto, ficando os números pares ao lado direito, e os ímpares ao lado esquerdo, alternadamente. Este novo sistema de numeração emplacas não chegou, porém, a ser realizado então [Manuel Barata - in Folha do Norte, 01.01.1915]:
    • Lado esquerdo: 1, 3, 5, 7, 9, 11 ...
    • Lado direito: 2, 4, 6, 8, 10, 12 ...
  11. Em 1888, a rua Formosa (antiga do Paixão), recebeu nova denominação: Rua 13 de Maio, em comemoração da data da lei da liberdade dos escravos.
  12. Em outubro de 1890 a Câmara contratou com Hammoud & C.ª o serviço da numeração dos prédios e designação dos nomes das ruas, de conformidade com a ordem numérica estabelecida pela postura de 1884, mas sobre placas de metal esmaltado, com fundo azul, e com algarismos e letras brancas. Este serviço foi execuado no ano seguinte - 1891 [Manuel Barata - in Folha do Norte, 01.01.1915].
  13. Em 1893, abriram-se as seguintes ruas: 25 de Setembro, Duque de Caxias, Visconde de Inhaúma e Marquez do Herval; abriram-se as seguintes travessas: Estero Bellaco, Jutaí, Mercedes, Antonio Baena, Curuzu, Chaco, Vileta, Timbó, Lomas Valentinas, Itororó, Perobebui, Pirajá e Alferes Costa; e abriu-se o seguinte bulevar: Municipal.

    «Nos têrmos da Lei, e uma vez entregues ao trânsito as ruas e travessas mencionadas, os foreiros dos terrenos nelas situados ficavam obrigados a - «cercá-los dentro de um ano e a edificar nêles dentro de cinco anos, sob a pena de reverterem à municipalidade os mesmoes terrenos.

    Os prédios deviam ficar isolados um dos outros, numa distância de 4m,5, observadas as exigências da apresentação e prévia aprovação das plantas»

    (Ernesto Cruz, Ruas de Belém, 1970)

     

  14. Em 1899, emterras pertencentes a Frederico Edward Snape, abriram-se quatro logradouros, com as seguintes denominações: ruas Dr. Magno de Araújo, Coronel Luis Bentes e Frederico Snape; e estrada Senador Gonçalo Ferreira.
  15. Em 1900. autorizou-se a abertura de uma nova avenida, denominada de Primeiro de Dezembro - homenagem à data da assinatura do Laudo do Conselho Federal Suíço - 01.12.1899, que reconheceu os direitos do Brasil sôbre o atual Estado do Amapá, pretendidos pela França.
  16. Em 1905, a cidade estava dividida em 47 ruas, 52 travessas, 15 estradas, 1 bulevar, 6 praças, 10 largos e 3 avenidas.
  17. Em 1907, a cidade contava com 105 ruas e 22 praças.
  18. Em 1908, contratou-se com o engenheiro Augusto Mendes, a construção e exploração das então projetadas avenidas Quinze de Agôsto, Ferreira Pena e Serzedelo Corrêa, bem como a edificação e exploração da travessa Gama e Abreu, desde o largo da Trindade até a esquina da avenida Serzedelo Corrêa.

    «As larguras das avenidas e travessas estavam fixadas de 20 a 30 metros - «conforme as conveniências locais.»

    (Ernesto Cruz, Ruas de Belém, 1970)

 

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

  1. Ernesto Horácio Cruz - RUAS DE BELÉM (Significado Histórico de suas denominações). Conselho Estadual de Cultura. Belém - Pará. 1970. 163 págs. Nota: Tomou-se esta obra, como trabalho básico para a elaboração do presente artigo.

  2. Corrêa Pinto - BELÉM (Imagens e Evocações) - Rio de Janeiro, 1968, 159 págs.

  3. Manuel Barata - NOME DAS RUAS E NUMERAÇÃO DAS CASAS DE BELÉM - in Folha do Norte, 1.º de janeiro de 1915.

  4. Augusto Meira - HISTÓRIA DE BELÉM. 2 volumes.

  5. Raymundo Cyriaco Alves da Cunha - PARAENSES ILUSTRES. Conselho Estadual de Cultura. Belém - Pará. 1970. 172 págs.

  6. Tom Maia e outros. VELHO BRASIL DE HOJE. Expressão e Cultura. Rio de Janeiro. 1983, 328 págs.

  7. Carlos de Almeida Barata. Arquivo Particular.

 

Minas, 31.01.1999 - Carlos de Almeida Barata

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