MESTRE DE OBRAS - IV
[Estes antigos
Arquitetos]
CONSTRUTORES DA CIDADE
DO RIO DE JANEIRO
.
ENGENHEIRO -
Entre os grandes construtores da Cidade do Rio
de Janeiro, não poderia deixar de registrar a classe dos Engenheiros
(de engenho); do latim ingenium - derivando, no século
XIII, as formas engeo e engëyo; no século XIV, as
formas engeño e engenho (daí mestre de engenho),
e, na França, a forma "ingénier"; e,
finalmente, no século XVI, a forma engenheiro.
Numa definição simplória, refere-se a pessoa
habilitada a dirigir e executar os trabalhos em qualquer dos
ramos da engenharia, tais como levantamento de edifícios,
fabrico de máquinas e aparelhos, abertura e lavra de minas, de
estradas de rodagem, de estradas de ferro, obras portuárias e
hidráulicas, levantamento de plantas geodésicas, topográficas
ou hidrográficas, etc.
O lexicógrafo brasileiro Antonio de Moraes e
Silva (ca. 1755-1824), em seu Diccionário da Língua Portuguesa
(1813), define como engenheiro, "aquele que se aplica à engenharia, faz engenhos ou
máquinas bélicas para o ataque ou defesa de praças, que sabe
de fortificações, da arte de tirar planos, medir geométrica ou
trigonometricamente ..., o que faz quaisquer máquinas."
"O mestre de
engenho (engenheiro), mouro, francês ou italiano,
recebia o encargo de construir uma fortaleza, um castelo, uma
igreja ou um palácio. Os conhecimentos científicos,
sobretudo os da Matemática, eram, ainda, muito rudimentares
aplicados à construção, que rimava, muito mais, pelo seu
caráter empírico e artístico."
(Lyra Tavares, Engenharia
Portuguesa no Brasil, 14)
"O título que se
dava aos primeiros engenheiros militares era de oficial de
engenheiros, e não oficial-engenheiro, ou simplesmente
engenheiro.
O termo engenheiro já
era usado desde o séc. XVII, tanto em português como em
algumas outras línguas, com a acepção de quem é capaz de
fazer fortificações e engenhos bélicos. (...)
Confundia-se, também, a
função do engenheiro com a do arquiteto e a do construtor,
sendo, as vezes, difícil distinguir-se o artista do
projetista e do empreiteiro de obras, não havendo em geral
distinção entre o responsável pelo aspecto
mecânico-estrutural da obra, que seria do engenheiro, e o
responsável pela concepção artístico-arquitetônica, que
seria o arquiteto. (...)
O Termo engenheiro teve
no Brasil, desde os primeiros tempos, o sentido também de
dono ou capataz de engenho, que eram as primitivas e às
vezes toscas instalações para o fabrico de açúcar,
cachaça, farinha, etc.
(Pedro Silva Telles -
História da Engenharia, I)
Vimos em artigo anterior, quando falei do Rio
de Janeiro setecentista, que dos 13 arquitetos registrados, 61 %
tinham formação militar. Tratavam-se, na verdade, de
arquitetos-engenheiros militares. Foram enviados para o Brasil, a
fim de fortificar e defender o litoral contra as ações de
pirataria ou de conquista. Pouco a pouco, diante das necessidades
mínimas apresentadas pelos centros populacionais, foram, segundo
Lyra Tavares, exercendo as funções devidas aos arquitetos e
urbanistas, planificando cidades, traçando ruas, estradas,
praças, construindo edificações essenciais, de obras
públicas, de igrejas, casas de pólvora, chafarizes, armazéns,
residências e quartéis.
O Engenheiro português Luiz Mendes de
Vasconcellos - citado adiante, em sua obra "ARTE
MILITAR", publicada em 1598, define bem o espírito da
época, no que chamou de Arquitetura Militar:
"A Arquitetura Militar é tão
necessária que sem ela não será possível fazer guerra;
porque em todas se fazem alojamentos, trincheiras e mais
reparos e em todas as Províncias é necessário haver
fortificações em lugares convenientes. E assim não Poderá
nenhum Exército sem ela durar muito tempo em campanha, nem
uma provincia conservar-se. E não só é Arte pertencente a
militar, mas uma parte dela, sem a qual não pode haver Arte
Militar, pois ela é o principal das duas partes que se
seguem depois desta primeira."
A grande missão desempenhada pela Engenharia
Militar no Brasil-Colônia, devidamente estudada por Lyra
Tavares, pode ser encarada e definida sob os seguintes aspectos
principais:
.
- Na de construção de novas
fortificações, diante da necessidade de conquista
progressiva do território e da implantação da sua
defesa;
- No levantamento das Praças com defesas
organizadas em sistema e aparelhadas com maiores
cuidados, em vista da pirataria que investia contra as
riquezas do Brasil-Colônia;
- Nos levantamentos topográficos e
cartográficos, executados por comissões mistas de
engenheiros militares, para definir e demarcar as
fronteiras no interior do Brasil, durante o confronto
entre as Coroas Portuguesa e Espanhola;
- Na construção de fortificações para a
defesa do território brasileira, em conseqüência dos
mesmos confrontos entre as Coroas Portuguesas e
Espanholas;
.
Diante da grande extensão territorial
brasileiro, era necessário um número avultado de engenheiros,
"agravando, assim, a situação, já difícil, em
que se via a Metrópole, que tinha de recorrer a estrangeiros
contratados para atender aos trabalhos da Península"
(Lyra Tavares). Tornava-se muito oneroso para a Real Fazenda o
pagamento desta legião de técnicos estrangeiros e, a medida que
intensificavam-se os conflitos, mas profissionais eram
necessários para os trabalhos de fortificação. A solução
encontrada seria a formação dos próprios engenheiros no
Brasil, conseqüentemente, enviaram professores, instalando as
primeiras aulas (escolas) para formar engenheiros, provendo-as de
livros e dos materiais necessários.
Diversos foram os títulos encontrados entre os
engenheiros tratados nestes dois volumes, entre outros:
Engenheiro Civil, Engenheiro Militar, Engenheiro de
Fortificações, Engenheiro-Mor, Engenheiro Imperial e Engenheiro
Real.
SÉCULO XVI
No Rio de Janeiro quinhentista,
registra-se somente dois engenheiros, também apresentados como
Arquiteto. Ambos (100 %), são italianos. Dos 6 profissionais
registrados como Arquitetos, para o mesmo período, registram-se
somente estes dois (33%), como Engenheiros:
| NOME |
DATAS |
FUNÇÕES |
ORIGEM |
DOC.-BR |
ATUAÇÃO |
| Battista Antonelli
|
ca.1550-1616 |
Arquiteto-Engenheiro |
Italiano |
1582 |
Fortificador |
| Baccio di Fillicaya |
? |
Arquiteto-Engenheiro |
Italiano |
1596 |
Fortificador |
SÉCULO XVII
No Rio de Janeiro seiscentista,
registram-se 13 Engenheiros, distribuídos da seguinte maneira:
- Um (7,6 %) Engenheiro Civil;
- Um (7,6 %) Engenheiro Militar
Real;
- Dois (15,3 %) Engenheiros-Mores
Militares;
- Quatro (30 %) Engenheiros
Militares de Fortificações; e
- Oito (61 %) Engenheiros Militares.
Comparando com o século anterior - 2
engenheiros -, há um sensível acréscimo (550 %), na presença
dos Engenheiros Militares no Rio de Janeiro. Isto se deve,
conforme mencionou-se acima, na necessidade, cada vez maior, de
suas atuações na defesa da Cidade, constantemente ameaçada
pela invasão estrangeira.
Em fins do século XVI, uma série de
acontecimentos urgiam aos portugueses maiores cuidados com a
defesa de suas colônias:
- Os ingleses, em 1588, haviam atacado
vários portos brasileiros;
- Em 1595, o vice-almirante inglês, Sir
Francisco Drake, cruzava os mares da América Espanhola;
- Em 1595, Sir James Lancaster, outro
navegador inglês, saqueia o porto do Recife, com três
navios, juntos a mais quatro de um pirata Venner; e
- Em 1596, os Holandeses fazem a primeira
tentativa para tomarem S. Jorge da Mina.
No século XVII, o panorama não era dos
melhores:
- Os Holandeses, em 1604, atacaram a
fortaleza de Moçambique;
- Entre 1604-27, realizaram diversas
tentativas para atacar Macau;
- Em 1609, tomaram Ceilão e fundaram a
primeira feitoria no Japão;
- Em 1613, chegam os Franceses, que invadem
o Maranhão;
- Em 1624, novamente os Holandeses se voltam
contra o Brasil
- - em 1624 atacam a Bahia,
- - em 1625, atacam os Portugueses
em Espírito Santo,
- - em 1630, conquistam Pernambuco,
- - em 1631, incendeiam Olinda,
- - em 1632, penetram em Alagoas,
- - em 1634, apoderam-se da
Paraíba;
- - em 1637, apoderam-se da
capitania do Sergipe; e
- - entre 1638-1654, ocupam a
capitania do Ceará.
- Em 1639, tem-se início a Restauração da
independência e consolidação do domínio português no
Brasil.
- Em 1648, ocorre a 1.ª Batalha de
Guararapes contra os holandeses.
- Em 1653, a Holanda perde Pernambuco; e
- Em 1654, os holandeses são
definitivamente expulsos do Brasil.
Estes acontecimentos levaram a necessidade,
cada vez maior, do envio destes profissionais para as colônias
portuguesas. Enquanto registrou-se, para o século XVI, 6
Arquitetos, entre eles 2 Engenheiros, e para o século XVII,
outros 6 Arquitetos, entre eles 3 engenheiros-militares, haverá
neste século XVIII, um aumento para 13 engenheiros e 13
Arquitetos.
Os Engenheiros Militares, no século XVI e,
sobretudo, no século XVII, representavam as funçoes dos
Arquitetos. Traçavam cidades, fortalezas e edifícios para as
mais variadas funções.
Destes 13 engenheiros:
- Douze (92,4 %), são de origem
militar; e
- Um (7,6 %), de origem religiosa;
- Dez (76,9 %), são destinados à
fortificações;
- Três (15,3 %), foram documentados,
também, como Arquitetos (Valente do Couto, Frias de
Mesquita, e Rosário);
- Três (23 %), são de origens
não-lusitanas:
- Guitau - francês;
- L "Escolle - francês; e
- Timermans - holandês
- Um (7,6 %), acumula as funções de
Engenheiro, Arquiteto e Urbanista (LEscolle); e
- Somente um (7,6 %), foi documentado
como Engenheiro de Sua Majestade (LEscolle).
| NOME |
DATAS |
FUNÇÕES |
ORIGEM |
DOC.-BR |
ATUAÇÃO |
| Felipe Carneiro Alcaçova
|
? |
Engenheiro-Militar |
Português |
1662 |
Fortificador |
| João Velho de Azevedo |
? |
Engenheiro-Militar |
Português |
1698 |
Professor |
| João Coutinho |
? |
Engenheiro-Militar |
Português |
1680 |
Fortificador |
| Mateus Valente do Couto |
? |
Arquiteto / Engenheiro-Militar |
Português |
1643 |
Fortificador |
| José Paes Esteves |
? |
Engenheiro-Militar |
Português |
1700 |
Professor |
| Francisco Frias de
Mesquita |
1578-1645 |
Arquiteto / Engenheiro-Militar |
Português |
1603 |
Fortificador |
| Felipe Guitau |
? |
Engenheiro-Militar |
Francês |
1653 |
Fortificador |
| Gregório Gomes Henriques |
? |
Engenheiro-Militar |
Português |
1694 |
Professor |
| Michel de LEscolle |
? |
Arquit. / Urban. /Engenheiro-Militar |
Francês |
1643 |
Professor |
| Gregório de Castro Moraes |
? |
Engenheiro-Militar |
Português |
1643 |
Fortificador |
| Antonio Corrêa Pinto |
? |
Engenheiro-Militar |
Português |
1680 |
Fortificador |
| Frei Manuel do Rosário |
? |
Arquiteto / Engenheiro |
Português |
1660 |
Religioso |
| Miguel Timermans |
? |
Engenheiro-Militar |
Holandês |
1648 |
Professor |
Diante dos altos custos no pagamento destes
oficiais, principalmente àqueles de origens não-lusitanas,
fez-se necessário, a fim de diminuir, futuramente, estas
despesas, enviar profissionais destinados a ensinar e formar
engenheiros no Brasil.
Entre àqueles 13 engenheiros do século XVII,
5 (38,4 %), foram destinados ao ensino desta ciência - Velho de
Azevedo, Paes Esteves, Gomes Henriques, LEscolle e
Timermans. Percebe-se:
- primeiro - que dos 3 engenheiros ditos
estrangeiros, dois deles (66 %), dedicaram-se ao
ensino (LEscolle e Timermans);
- segundo - estes dois engenheiros
"estrangeiros", atuaram em meados do
século XVII, quando ainda não havia uma política
bem definida sobre a necessidade da presença de
lentes no território brasileiro; e
- terceiro - os demais lentes, todos
lusitanas, foram enviados somente em fins do século
XVII, o que, provavelmente, vai refletir no número
de engenheiros que atuará no Brasil, na centúria
seguinte.
SÉCULO XVIII
No Rio de Janeiro setecentista,
registram-se 32 engenheiros, atuando da seguinte maneira:
- Três dedicados à obras Civis, 30
dedicados à obras Militares;
- Dez dedicados à obras de
fortificações; e
- Um Engenheiro Real.
Somente na centúria seguinte, com a criação
da Academia Imperial de Belas Artes - formando os primeiros
arquitetos -, o número de engenheiros atuantes em obras civis e
militares, irá se igualar ao número de arquitetos.
Percebe-se um crescimento razoavel - quase o
triplo, do número de Engenheiros, comparado ao século anterior.
Pode-se apontar algumas das causas para este acréscimo:
- 1.º - o Decreto de 29.12.1721,
determina que todos os oficiais de uma das
Companhias de cada Regimento de Infantaria,
fossem engenheiros;
- 2.º - o Decreto de 24.12.1732,
cria mais duas Academias Militares, nas praças
de Elvas e Almeida, destinadas ao ensino da
fortificação, estratégia, tática, topografia,
etc.; e
- 3.º - o Ato de 24.12.1752, cria
uma Companhia de Sapadores, cujos oficiais
deveriam ser Engenheiros.
É sempre bom lembrar, que os engenheiros aqui
contabilizados, não representam a totalidade dos que estavam
atuando na Cidade do Rio de Janeiro, mas, somente aqueles que,
além do cumprimento dos deveres específicos à sua profissão,
atuaram em funções próprias aos arquitetos, construindo
Igrejas, Edifícios Públicos, Chafarizes ou traçando planos
urbanísticos.
A construção civil, afirma Pedro Silva
Telles, foi a principal atividade de engenharia, durante a época
colonial.
Para exemplificar a atuação destes
engenheiros na construção civil, temos:
- Igreja da Candelária (Engenheiro
Rossio);
- Igreja de São Pedro (Engenheiro
Ramalho);
- Convento de Santa Teresa,
Residência da Família Telles - Arco dos Telles,
Paço Imperial, Igreja de Nossa Senhora da
Conceição da Boa Morte, Hospício dos Barbonos,
Casa do Bispo, Chafariz da Praça do Carmo,
Cadeia, Convento de N. S. da Ajuda, Claustro do
Mosteiro de S. Bento, e Residência da Praia de
Jurujuba (todas do Engenheiro Alpoim);
- Urbanização do Centro (Engenheiro
Rangel de Bulhões);
- Igreja da Cruz dos Militares (Engenheiro
Sá e Faria);
- Ampliação do Colégio dos
Jesuítas, para instalação do Hospital Militar
e ampliação do Arsenal de Trem (ambos do Engenheiro
Funck); e
- Catedral do Rio de Janeiro (não
concluída) e Chafariz da Praça XV (ambas do Engenheiro
Mardel).
Esta presença, ainda maior, dos
engenheiros-militares enviados ao Brasil, acontece pelas mesmas
razões apontadas para o século XVII:
- a defesa da Cidade, ameaçada pela
invasão estrangeira;
- os levantamentos geodésicos e
topográficos;
- o mapeamento do território
brasileiro;
- o ensino da engenharia (Alpoim -
1739); e
- a demarcação dos limites do
território brasileiro (Tratado de Madrid -
1750).
Os acontecimentos político-militares,
ocorridos em fins do século XVII, e no decorrer XVIII, podem ser
assim resumidos:
- Em 1680 - fundação da Colônia do
Sacramento (disputada pelos espanhóis, até 1777);
- Em 1697 - descoberta do ouro nas Minas
(cobiçado pelos corsários);
- Em 1697 - ocupação do Amapá pelos
franceses;
- Em 1703 - rompimento de Portugal com a
França, aliando-se com a Inglaterra e com a Holanda
(eminência de um ataque das tropas francesas);
- Em 1710 - uma esquadra francesa invade o
Rio de Janeiro;
- Em 1712 - Portugal assina, no Congresso de
Utreche, um armistício com a França e a Espanha;
- Em 1734 - estado de guerra com a Espanha;
e
- Em 1750 - assinatura do Tratado de Madrid.
Estes acontecimentos, entre outros, foram os
principais fatores para a remessa deste novo contigente de
engenheiros militares:
- Missões dos Padres Matemáticos (1729
- para levantarem cartas geodésicas e topográficas);
- Expedição Científico-Militar da
América Portuguesa (1750 - demarcação dos limites
entre Portugal e Espanha, conseqüente do Tratado de
Madrid); e
- Comissão de Demarcação de Limites
(1777 - conseqüente do Tratado de Santo Ildefonso).
Muitos dos engenheiros militares enviados,
tanto para estas missões, quanto para a defesa da Colônia do
Sacramento (1680-1777) e para a defesa de Santa Catarina (1746),
depois atuaram, na construção civil, na Cidade do Rio de
Janeiro.
SÉCULO XIX
Finalmente, no Rio de Janeiro
oitocentista, registram-se 98 engenheiros, atuando da seguinte
forma:
- Trinta e três (33 %) dedicados à
obras Militares;
- Vinte e um (21 %) intitulados
engenheiros-arquitetos;
- Vinte e nove (29,5 %) dedicados à
obras Civis;
- Sete (7 %) engenheiros de Obras
Públicas,
- Um engenheiro Imperial,
- Um engenheiro da Inspetoria Geral
das Obras Públicas,
- Um engenheiro da Câmara Municipal
de Niterói,
- Um engenheiro das Obras do
Ministério do Império,
- Um engenheiro do Distrito da
Inspetoria Geral das Obras Públicas do Rio de
Janeiro
- Um engenheiro das Obras da
Câmara, e
- Um engenheiro Diretor das Obras
Civis e Hidráulicas do Ministério da Marinha.
Percebe-se um número um pouco menor de
engenheiro, comparado aos arquitetos, atuantes na Cidade do Rio
de Janeiro, neste último período. Percebe-se, também, o
surgimento, em maior escala, de novas qualificações:
"Engenheiros Civis", "Engenheiros das Obras
Públicas" (na sua maioria Engenheiros Civis),
"Engenheiros Ministeriais" e
"Engenheiros-Arquitetos".
"O nome
[Engenheiro-Civil] teria sido usado, pela primeira vez, pelo
Engenheiro inglês John Smeaton - um dos descobridores do
cimento Portland - em fins do século XVIII."
(Pedro Silva Telles -
História da Engenharia, I)
| RESUMO DOS
QUATRO ARTIGOS |
| MESTRES DE
OBRAS |
| SÉCULO |
MESTRES DE OBRAS |
ARQUITETOS |
ENGENHEIROS |
TOTAL |
| XVI |
6 |
6 |
2 |
14 |
| XVII |
2 |
5 |
13 |
20 |
| XVIII |
18 |
13 |
32 |
63 |
| XIX |
245 |
120 |
98 |
463 |
Podemos apontar, entre as causas do aumento do
número de engenheiros civis, engenheiros-arquitetos e
engenheiros de obras públicas, alem das já citadas criações
das Academias de ensino de engenharia e arquitetura, a
instituição do cargo de Engenheiro-Diretor das Obras Públicas,
do Corpo de Engenheiros Civis, e da Diretoria Geral de Obras
Públicas.
Em 1825, criou-se no Rio de Janeiro, o cargo de
Engenheiro-Diretor das Obras Públicas, subordinado à
Intendência Geral de polícia.
Antes disso, a
supervisão dos serviços públicos, e a aprovação de
obras, de alinhamento de ruas, etc., eram atribuições do
Chefe de Polícia, e mais anteriormente, do Senado da Câmara
da Cidade.
Esse Engenheiro-Diretor
deveria ser um Oficial do Imperial Corpo de Engenheiros, do
Exército.
(Pedro Silva Telles -
História da Engenharia, I)
Por Decreto 2.911, de 10.05.1862, do
Ministério da Agricultura - que naquele tempo abrangia também
as Estradas e as Obras Públicas - criou-se, no Rio de Janeiro, o
Corpo de Engenheiros Civis.
"Havia um máximo de
40 vagas de engenheiro, de forma que o total dos salários
não excedesse de 10 % da verba global destinada às obras
públicas.
Todas as obras públicas
deveriam ser orçadas, aprovadas e fiscalizadas por esses
engenheiros, cujo vencimento variavam de 500$ mensais, para o
Inspetor Geral, até 298$, para os engenheiros de 3.ª
Classe."
(Pedro Silva Telles -
História da Engenharia, I)
Por Decreto 4.696, de 02.1871, modificou-se a
organização deste Corpo de Engenheiros Civis, criando-se uma
Diretoria Geral de Obras Públicas e 14 Distritos de Obras,
abrangendo todas as Províncias do Império.
O número de cargos de
engenheiros foi reduzido para 33. Os vencimentos passaram
para o Inspetor Geral a ganhar 900$ mensais, e os engenheiros
de 3.ª Classe 400$."
(Pedro Silva Telles -
História da Engenharia, I)
Nota: Continua: Os
Mestres de Obras - V [As Corporações de Ofícios]
Fonte: Construtores da Cidade do Rio
de Janeiro. 2 vols., 1000 págs. do mesmo autor: Carlos
Eduardo Barata.
.
São Paulo, 25.02.1999 - Carlos de Almeida Barata