Carlos Tarakan
Curriculum


BRASIL X CUBA

O BRASIL NA REVOLUÇÃO CUBANA

HÁ 100 ANOS ATRÁS

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 Em 1492, Cuba foi descoberta por Cristóvão Colombo e conquistada por Diego Velásques entre 1511 e 1513. Até cerca de 1540, a ilha serviu de base de operações para a conquista do continente americano. Dali partiu Cortês, em 1519, para sua expedição ao México. Pouco a pouco, tornava-se uma base de extrema importância, sobretudo do ponto de vista estratégico. No mesmo ano, fundou-se Havana, porto fortificado, que viria a se tornar porto de escala das frotas espanholas.

Na economia agrícola, vieram o tabaco, as plantas para tingimento e a cana-de-açúcar, difundido-se esta última, nos séculos XVII e XVIII. Houve necessidade de trazer para a Ilha escravos africanos, para trabalharem no cultivo da cana, já que a população nativa (de quase 200.000, quando da invasão espanhola) foi quase totalmente aniquilada. No decorrer daqueles séculos, a Ilha foi continuamente saqueada por corsários ingleses e franceses. Entre 1762 e 1763, os Ingleses ocuparam Havana. Em 1765, obtiveram a liberdade de comércio com a Espanha. Entre 1808 e 1824, as colônias espanholas da América conquistaram sua independência, permanecendo Cuba ligada a Espanha. Porém, com sucessivos e desastrosos governos, a Espanha manteve a Ilha, no decorrer do século XIX, sob grande insatisfação popular, com freqüentes rebeliões alimentadas pelos Estados Unidos.

Até 1860, foram mais de 3.000.000 [três milhões] de escravos importados da África. A população escrava negra (africanos e crioulos) afetou seriamente a presença espanhola, sendo que em 1868 realizaram uma grande rebelião, para obterem os quatros direitos cubanos. Em 1880, foi abolida a escravidão. As agitações permaneceram e, em 1895, durante uma forte crise açucareira, o poeta cubano José Martí [1853-1895, no ataque de Dos Rios] e os militares rebeldes - o General dominicano Máximo Gómez [1833-1905], e o General cubano Antônio Maceo [1848-1896, no combate de Punta Brava], proclamaram a República e deram início à guerra da independência.

Somente a 10.12.1898, pelo Tratado de Paris, a Espanha renunciou à sua colônia. A ilha ficou submetida a um governo militar norte-americano.

Aqui termina minha pequena introdução histórica sobre Cuba, e entra o documento deste mês.

Por ocasião dos «sangrentos acontecimentos», ocorridos na guerra da independência cubana, um membro da Legação da República de Cuba, Aristides Agüero, em nome do Governo Provisional da República de Cuba, procurou membros da sociedade política e intelectual brasileira, munido de interessantíssima e, até hoje, inédita, correspondência, endereçada ao intelectual brasileiro Leão Teixeira, sobre a necessidade da participação moral e material dos brasileiros naquele importante e crucial momento de luta pelo futuro de Cuba. A fim de convencê-lo, o mesmo adido cubano fornece-nos uma raríssima lista dos brasileiros já comprometidos com a revolução republicana de Cuba.

Este valioso documento [clique aqui ], vai hoje transcrito, na íntegra, fornecendo-se, também, a imagem da sua folha de rosto.  

Rio Janeiro, Agosto 6, 1897

Sr. Dr. Leão Teixeira

Mui Sr. Mio:

Los sangrientos acontecimientos que se desarrollan actualmente en Cuba, en la lucha por su independencia y la necesidad en que se encuentran los libertadores de aquel país de sostener la guerra hasta alcanzar la libertad completa de la isla; han determinado al Gobierno provisienal de la República de Cuba, á enviarme en cualidad de Delegado al Brasil, en el objeto de hacer propaganda y obtener cooperación moral y material en pró de la emancipación cubana.

Los elevados sentimientos de americanismo que abriga el corazón de los nobles hijos del Brasil, e siempre dispuestos á sostener los princípios de justicia; el convencimiento de que toda la prensa brasileira simpatisa y apoya calurosamente nuestra lid por el triunfo de la Estrella Solitaria, hace que me permita dirigirme á Ud. Suplicándole forme parte de la comisión cooperadora - expresada al margen - prestando así el valiosísimo concurso de su periódico y de su ilustrada pluma - en pró de los que se sacrifican por tener patria libre.

Dicha comisión tiene tambiem por objeto recolectar fundos en favor del ejército antillano entre las Amistades y relaciones sociales [..] de cada órgano de la prensa.

Dígnese aceptar las gracias en nombre de mis conciudadanos, mio y [...] Ud. com su obsecuente S.S.

Aristides Agüero

Juan Jeran.º Conchale [sic]

Secretário

Comision cooperadora

Sr. Luís de Andrade -------- Sr. João Chaves -------- Sr. Ferreira da Araújo -------- Sr. Alcindo Guanabara -------- Sr. Ferreira da Rosas -------- Sr. Madeiro Albuquerque --- Sr. Lindofo Azevedo -------- Sr. Ângelo Agostini -------- Sr. Bellarmino Carneiro --- Sr. Ernesto Senna -------- Sr. Antônio Leitão -------- Sr. José do Patrocínio -------- Sr. José Veríssimo -------- Sr. Cláudio de Souza Júnior

 

Percebe-se a nítida preocupação da «Legacion de la República de Cuba» em sensibilizar a imprensa brasileira, certamente a melhor forma de mobilizar a população brasileira para os nefastos acontecimentos na guerra pela Independência de Cuba.

Dr. Ferreira de Araújo - Dr. José Ferreira de Souza Araújo [1846-1900], carioca, doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro [1867]. Médico do Hospital da Misericórdia e do Hospital Militar do Andaraí. Dedicou-se, porém, às letras, com tendência manifesta para o jornalismo, carreira pela qual dedicou-se. Fez várias viagens à Europa, onde adquiriu relações e amizades de vultos proeminentes. Cavaleiro da Real Ordem da Coroa da Itália. Membro da Sociedade Central de Imigração. Foi, inicialmente, colaborador no Mosquito, e no Guarany. Por ocasião da organização da Comissão Brasileira cooperadora das lutas da Independência de Cuba, exercia a função de redator do Gazeta de Notícias.

Sr. Alcindo Guanabara [1865-1918] , fluminense, um dos nossos mais ilustres jornalistas. Deputado e Senador pelo antigo Distrito Federal. Escritor, conferencista, e destacado atuante na imprensa brasileira. Dirigiu a folha Novidades, órgão da facção escravocrata do partido conservador, onde estreou em 1887. Redigiu a República, O Tempo, A Nação, A Tribuna, o Correio do Povo, e o Jornal do Comércio. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Sr. Ferreira da Rosas - refere-se ao Prof. Francisco Ferreira da Rosa [no singular], escritor, jornalista e historiador. Prof. do Colégio Abílio e do Liceu Literário Português. Tenente-Coronel Honorário do Exército, Catedrático do Colégio Militar do Rio de Janeiro e do "Pritaneu Militar". Docente da Escola Normal. Sócio Honorário do Liceu Literário Português, do Instituto de Proteção e Assistência à Infância e da Associação de La Prensa de Santiago do Chile.

Sr. Madeiro Albuquerque - refere-se a José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque. Existiram dois, pai e filho; o primeiro, que foi Secretário do Ministério da Instrução Pública, faleceu em 1892. Assim, penso tratar do filho, pernambucano [1867-1934]. Poeta, romancista, crítico, político [idéias nitidamente republicanas], jornalista, erudito, etc. Fez parte do magistério da instrução primária da cidade do Rio de Janeiro. Professor de História das Artes da Academia de Belas Artes. Deputado por Pernambuco ao Congresso Federal em 1894. Autor de artigos políticos em jornais, além de outros, literários. Proprietário de O Fígaro. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Sr. Ângelo Agostini [1843-1910] - Italiano. Fundou em São Paulo, o Diabo Coxo, em 1864. Depois, O Cabrion, ainda em São Paulo, em companhia de Américo de Campos e Sizenando Nabuco, outro grande vulto da Abolição. Colaborou, no Rio de Janeiro, na Semana Ilustrada, e editou a Vida Fluminense. Dirigiu o Mosquito. Mas a sua grande revista, que haveria de encher uma época e dar à caricatura foros de obra de arte em nosso país, foi a Revista Ilustrada. Fundou em 1895 o D. Quixote. Profundo conhecedor da nossa vida política, «comentando-a semanalmente em seus bonecos de linhas puras, que continham a crítica mais audaz e mais cruciante do nosso incipiente liberalismo político, fraco e paradoxal, de vez que a estrutura econômica e social do país se buscava na negação mesma da liberdade que era a escravidão» [Teófilo de Andrade]

Sr. Antônio Leitão - Infelizmente, a abreviação do nome torna difícil a sua identificação. Poderia ser Antônio Pereira Leitão, carioca, lente de geografia e história, não só particularmente, como na sociedade Ensaios literários de que era sócio. Redigiu alguns jornais, como O Globo. Autor de livros de história, publicados em 1876.

Sr. José do Patrocínio - José Carlos do Patrocínio [1854-1905], fluminense, mestiço, filho de uma escrava liberta. Grande romancista, um dos mais hábeis e distintos jornalistas, um dos mais notáveis oradores na campanha abolicionista, onde se destacou entre as figuras de Joaquim Nabuco, Quintino Bocaiúva, Joaquim Serra e Rui Barbosa. Iniciou sua carreira jornalística em 1877, na Gazeta de Notícias, onde foi redator. Em 1881, tornou-se diretor da Gazeta da Tarde, que comprara, onde se manteve até 1887, quando fundou o jornal Cidade do Rio. Passou a colaborar, esporadicamente, nos jornais O País e A Notícia. Um dos instituidores da Confederação abolicionista fundada a 12.05.1883. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Sr. José Veríssimo - José Veríssimo Dias de Matos [1857-1916], paraense. Crítico, ensaísta, historiador de literatura, jornalista e professor. Colaborou em vários periódicos. Fundou, em 1895, dois anos antes da sua adesão à Comissão Cooperadora da Independência de Cuba, a Revista Brasileira, que dirigiu por algum tempo. Colaborador assíduo do Jornal do Commércio, do Correio da Manhã, do Correio do Rio de Janeiro, do Estado de São Paulo e do Jornal do Brasil. Catedrático de História Universal, na Escola Normal do Rio de Janeiro. Reitor do Colégio Pedro II. Sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Sr. Cláudio de Souza Júnior - Seria Cláudio Justiniano de Souza [1876-], jornalista paulista, que colaborou na folha Cidade do Rio, de José do Patrocínio ?. Teria na ocasião, 19 anos de idade [??]. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 1924.

Sr. Lindolfo Azevedo - Usava o pseudônimo L.A., escrevendo para a revista Fon-Fon.

Sr. Ernesto Senna - Colaborou no Correio Paulistano, entre 1889 e 1895.

Sr. Bellarmino Carneiro - Sobre ele, escreveu Velho Sobrinho, no volume II do Dicionário Bio-Bibliográfico Brasileiro, , pág. 208 - que me falta na estante.

Sr. Luís de Andrade - sem notícias.

Sr. João Chaves - sem notícias.

Sr. Leão Teixeira- o destinatário da carta. Refere-se a Henrique Carneiro Leão Teixeira [1869-1938], carioca, filho do Visconde de Cruzeiro, neto do Marquês do Paraná e cunhado do Conde Mendes de Almeida, cuja família, nesta ocasião, era proprietária do Jornal do Brasil.

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JORNAIS CITADOS:

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Cidade do Rio - Rio de Janeiro, circulou entre 1887 e 1893 e 1895 a 1902. Após a Proclamação da República, foi interditada esta publicação, por intimação da polícia, por ter publicado um manifesto do chefe da esquadra revoltosa, e assim continuou durante o estado de sítio até março de 1895. Nesta ocasião foram perseguidos os redatores e o gerente. Foi preso e desterrado.

Correio da Manhã - começou a circular em 1901.

Correio do Povo- Órgão republicano que rodou entre 1889 e 1891. Propriedade de Sampaio Ferraz e C. Lobato.

Fígaro [O]- Jornal republicano, florianista, que circulou entre 1892 e 1893. Propriedade de Medeiros de Albuquerque.

Fon-Fon - começou a circular em 1907.

Gazeta de Notícias - Rio de Janeiro, 1875. Jornal notabilíssimo, sendo publicado seu primeiro número a 02.08.1875 sob a redação de Manuel Carneiro, entrou logo para ela Ferreira de Araújo, depois seu redator chefe, encarregando-se da parte política e literária. Em 1908, ainda encontrava-se na sua redação. Fundada pelos citados redatores, juntamente com Elísio Mendes.

Gazeta da Tarde - Rio de Janeiro, circulou entre 1880 e 1901. Órgão de José Ferreira de Menezes, adquirido, por compra, por José do Patrocínio.

Globo [O]- O jornal O Globo, onde colaborou Antônio Leitão, foi antiga folha que circulou entre 1874 e 1883. Em 1881, entrou para a sua redação Quintino Bocayuva, que lhe deu acentuada feição republicana.

Guarany - folha ilustrada, artística, noticiosa e crítica, que rodou em 1878.

Jornal do Brasil- Esta folha ainda existe. Fundado em 09.04.1891 por Rodolfo Epifânio de Souza Dantas, com a colaboração de José Veríssimo, Joaquim Nabuco, Ulisses Viana, e outros. Em 1893, Rui Barbosa assumiu a função de redator-chefe. Em 1894, circulou sob a direção da família Mendes de Almeida. Em 1918, passou às mãos do Conde Pereira Carneiro.

Jornal do Comércio - Esta folha ainda existe. Teve origem no Diário Mercantil, de 1824. Em 1827, seu nome mudou para Jornal do Comércio. Anteriormente, pertencendo a Francisco Manuel Ferreira & Cia., foi adquirido por Pierre Plancher-Seignot, por 1:000$000 [um conto de réis]. Em 31.10.1827, o novo proprietário acabou com o Mercantil, sobrevivendo o Jornal do Comércio. Quando da formação da Comissão Cooperadora da Independêcia de Cuba, Alcindo Guanabara atuava neste jornal.

Mosquito- jornal caricato e crítico, propriedade de Manuel Carneiro, fundador da Gazeta de Notícias [adiante]. Seu primeiro número saiu a 19.09.1869, e o último, a 26.05.1877. Nele, caracterizou, entre outros, Ângelo Agostini, também membro da Comissão Cooperadora de Cuba.

Nação [A]- Circulou em 1889 - ano da República.

Notícia [A]- Circulou entre 1894 e 1930.

Novidades- Jornal de propriedade de Alcindo Guanabara, que rodou entre 1887 e 1892, com a colaboração de muitos dos melhores escritores da época.

Paíz [O]- Circulou entre 1884 e 1930. Foi órgão de Quintino Bocayuva, fundado pelo Conde S. Salvador de Matosinhos.

República [A]- Seu primeiro número saiu em 08.05.1890. Era seu proprietário e redator-chefe, Silva Figueiró. Como diretor político, estava Aristides Lobo e, como redatores, Aristides Spínola, Aluizio Azevedo, Almeida e Silva e G. Lacerda.

Revista Brasileira- Circulou entre 1895 e 1898 - período em que seu fundador, José Veríssimo, aderiu à Comissão Cooperadora da Independêcia de Cuba.

Semana Ilustrada [A]- Revista de Henrique Fleiuss, que circulou de 1860 a 1876. Nela colaboraram Machado de Assis, Ângelo Agostini e muitos outros renomados escritores e artistas.

Tempo [O]- Rodou entre 1891 e 1894.

Tribuna [A] - Rodou entre 1890 e 1891.

Vida Fluminense- Circulou entre 1868 e 1875. Jornal alegre e ilustrado, onde desenharam Ângelo Agostini, CA. de Faria e o italiano Luiz Borgomainerio.

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Estado do Rio, 28.10.1998 - Carlos Tarakan

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- Última Hora -

ÚLTIMA

ÚLTIMA HORA: LENINE ! Um Encontro Marcado. Fiquei de me encontrar com a Arte. A Arte de Lenine. Embora seja um encontro muito rápido, haverei de encontrar-me com a música, a poesia e o folclore nordestino.

Há poucos dias, fui um dos milhares de brasileiros que, assistindo o programa UM ENCONTRO MARCADO COM A ARTE, teve a oportunidade de ouvir cantar, declamar e falar, o músico Lenine.

Serei breve.

Chamou-me a atenção quando o ilustre poeta-compositor, ao se «Encontrar com a Arte», em dado momento disse: - "Quem trabalha com Arte é um Exibicionista por si só !".

Talvez eu não tenha entendido a sua posição. Teria se exibido por estar se «Encontrando com a Arte» ?, ou houve um equívoco no nome do Programa ? Talvez a resposta viesse mais adiante, quando o mesmo poeta-compositor, categoricamente, afirmou: «Não tenho a menor idéia de quem seja Lenine.». Talvez não saiba mesmo.

Mas não importa! Continuo um apaixonado por sua música, por sua poesia, desde a primeira vez que o vi, quando minha filha - meu elo com a juventude - levou-me para ouvi-lo, por volta de 1980 [eu com os meus 66 anos], no belíssimo Teatro Municipal de Ouro Preto [antiga Casa da Ópera]. Construído pelo contratador João de Souza Lisboa e inaugurado a 6 de junho de 1770, lá estávamos nós, no terceiro piso das galerias, no meio de grande e apreciável juventude, ouvindo, passados 210 anos de sua inauguração, o poeta pernambucano Lenine, que se orgulhava de sua gente e de seu grupo (que naquela noite denominava de "Barca").

Um Noé em busca das maravilhas do sul, ladeado por companheiros que, se bem lembro os nomes, eram Lula Queiroga, Bráulio ..., etc. [Carlos Tarakan]