O TORREÃO MARQUES
NA HISTÓRIA DE UBÁ
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UM TORREÃO
Alguns leitores, considerando que não devia
ter misturado os assuntos Cinema e Torreão, no artigo anterior,
mesmo que ambos estivessem ligados ao mesmo grupo familiar,
pediram-me maiores esclarecimentos, quanto ao Torreão de Ubá e,
se possível, acompanhado da sua imagem.
Falei das minhas solitárias peregrinações
pela Zona da Mata, e do meu primeiro contato com o Cinema, quando
meu pai levou-me a Ponte Nova, em 1928. Nesta ocasião, o saudoso
Comendador Agostinho Marques, ainda não era proprietário do
Torreão de Ubá, porém, meu avô já o conhecia, quando lá
esteve, aos 25 anos de idade, em 1878. Naquela ocasião, minha
avó se encontrava em Barbacena, com a dádiva de Deus, na espera
de meu pai, Constantin Pedro Tarakan, nascido
naquele mesmo ano.
Vovô Tarakan dizia ter conhecido o famoso
político Dr. José Cesário de Faria Alvim, o construtor desta
edificação: O TORREÃO DE UBÁ - hoje, TORREÃO MARQUES.
Seu pai, meu bisavô Nicolau Petrus Tarakan,
embora residente na antiga Província do Rio de Janeiro, tinha
comércio em Guarapiranga e, sempre de olho no progresso da
futura «Cidade Carinho», não perdeu a oportunidade de estar
presente no ato de instalação da Câmara Municipal de Ubá, no
ano de 1857. Talvez fosse daí o seu primeiro contato com as
importantes famílias Januário Carneiro e Faria Alvim.
Aliás, mexendo um pouco no passado, estão
ambas as famílias registradas na história da Cidade de Ubá.
No tempo em que meu bisavô, correndo os
riscos que todos os carreiros e tropeiros corriam em suas
jornadas por aqueles distantes paragens, as afazendadas
famílias Januário Carneiro e Cesário Alvim, já
despontavam no patriarcalismo da região. O velho arraial
ainda encontrava-se em gestação, quando a Zona da Mata
ultrapassou os limites da sua história local, para alcançar
glória e o sucesso, quase que nacional, com a união
daquelas duas grandes famílias.
Os sinos das igrejas locais ecoaram por
toda a Minas Gerais, chegando aos confins dos berços das
distantes famílias: os Melo Franco, no Serro; os Abreu
Castelo Branco, em Mariana; os Abreu e Silva, em Catas Altas;
os Rocha Vieira, no Inficionado; os Adjuto, em Paracatú; os
Assis Figueiredo, em Ouro Preto; os Ayres Gomes Martins, no Engenho do Mato; os
Barbosa Lage, em Juiz de Fora; os Barbosa da Silva, em
Sabará; os Oliveira Belo, em Barbacena; os Bittencourt e
Sá, no Serro; os Bicalho, em Ouro Preto; os Lana, em Ouro
Preto e Cachoeira do Campo; os Leite Ribeiro, em São João
d'El-Rei; os Leite Ribeiro de Almeida, em Aiuruoca; os Lobo
Leite Ribeiro, em Ouro Preto; os Machado de Magalhães, em
Sumidouro; os Machado Pena, em Sabará; os Maciel da Costa,
em Congonhas do Campo; os Magalhães Pinto, em São João
d'El-Rei; e os Monteiro de Barros, de Ouro Preto, entre
muitas.
Estamos
próximos do ano de 1836, quando juntaram-se pelos laços do
sagrado matrimônio o Tenente-Coronel José Cesário de
Faria Alvim, representante maior da família Faria Alvim, e a
digníssima Senhora Teresa Januária Carneiro, filha do
afamado Capitão-Mor Antônio Januário Carneiro. Esta
importante união, fortalecendo, como já disse, o
patriarcalismo rural nos arredores de Ubá, precede, em
pouco, a criação do município de Presídio pela Lei
Provincial n.º 134, com sede na freguesia de São João
Batista do Presídio. Isto ocorreu em 1839, justamente no ano
do nascimento, em Pinheiro, do Dr. José Cesário de Faria
Alvim, filho daquele casal, e o fundador do Torreão de Ubá.
Enfim, naquele promissor ano de 1839 nasceu o Município de
Presídio, nasceu o Dr. Cesário Alvim e marcava-se uma nova
fase na história de Ubá, criando-se, alguns anos depois, o
velho Torreão.
Em pouco tempo, na região pontilhavam as
grandes propriedades. A paisagem local dava lugar às grandes
fazendas de café, cujo produto, sem sombra de dúvidas, como
aconteceu com outras muitas cidades brasileiras, foi o
principal pilar da evolução urbano do velho arraial.
Finalmente, pela Lei n.º 209, de 7 de
abril de 1841, o curato de São Januário do Ubá foi elevado
ao status de Paróquia, desligando-se de São João
Batista do Presídio. No mesmo ano, foi instituída
canonicamente a Igreja de São Januário, nome que
homenageia àquele importante grupo familiar, os Januários,
que também são Carneiros.
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Imagem da antiga Igreja Matriz de São Januário do Ubá
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Por Lei
n. 654, de 17 de junho de 1853, a sede do município do
Presídio foi transferida para o Arraial de São
Januário do Ubá.
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Lei n. 654 - De 17
de junho de 1853
Art. 1.º -
Ficão transferidos:
§ 1.º - A
sede da Villa do Presidio para o Arraial do São
Januário do Ubá com a denominação de Villa de
São Januário do Ubá. Esta transferência
verificar-se-ha logo que haja casa sufficiente
para as sessões do Jury, e Camara Municipal.
Enquanto
isso, o jovem Cesário Alvim, com invejável sabedoria,
estudante no Colégio do padre Roussin, estava prestes a
cursar a Academia de Direito de São Paulo. Acabou por
tornar-se admirável e importante político no cenário
nacional.
Em 1857, Ubá alcançava sua autonomia, deixando o predicado
de Vila para trás, para alcançar a honrosa categoria de
Cidade de São Januário de Ubá, por Carta de Lei de
03.07.1857.
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Lei n. 806 - De 3 de julho de 1857
Carta de Lei
que eleva à cathegoria de Cidade a Villa de São
Januário do Ubá, com a denominação de Cidade
do Ubá.
Art. 1.º - A
Villa de São Januário do Ubá fica elevada à
cathegoria de Cidade, com a denominação de
Cidade do Ubá.
Há 142 anos, quando da instalação da nova
Cidade de Ubá, lá esteve meu bisavô, Nicolau Petrus Tarakan,
comerciante conceituado, que no comando do transporte de
mercadorias pelo interior da Zona da Mata, ora como carreteiro,
ora como tropeiro, cruzava Abre Campo, São Pedro dos Ferros,
São Sebastião de Entre Rios [hoje Raul Soares], Ponte Nova e
Caratinga. Por vezes, com destino a Rio Novo, um grande
entreposto comercial da época, comandando meia centena de carros
de bois, atravessava Santa Rita [hoje Viçosa], subia a perigosa
trilha da serra de São Gonçalo, e cruzava o Presídio [hoje
Visconde de Rio Branco], e Ubá, onde sempre permanecia por quase
meia hora, para prosear com os comerciantes e políticos local.
Naquele ano de 1857, Nicolau Tarakan
encontrava-se, de passagem, na Cidade de Ubá, onde presenciou ao
ato de posse da Câmara Municipal. A Cidade prosperava à mercê
do comércio do café. Já naquele tempo surgiram alguns poucos
comissários de café. O maior deles, Dr. Cesário Alvim, estava
distante, na Província de São Paulo, prestes a ingressar na
Academia de Direito.
Enquanto isso, o café era sinônimo de
dinheiro. Era o principal produto de exportação. Muitos
fazendeiros possuíam suas próprias tropas e levavam, no lombo
dos burros ou em carros de bois, sua produção para a praça do
Rio de Janeiro. Porém, número ainda maior, eram os dos pequenos
proprietários de lavouras de café que, impossibilitados de
montarem seus próprios transportes, vendiam sua produção em
Ubá.
Passados alguns anos, começava destacar-se
como grande produtor de café na Praça de Ubá, o famoso
político Dr. José Cesário de faria Alvim, ou, simplesmente,
Dr. Cesário Alvim. Aí tem início a história do TORREÃO
MARQUES.
Em 1858, ano seguinte ao da criação da
Cidade de Ubá, faleceu o Tenente-Coronel. José
Cesário de Faria Alvim. Seus filhos encontravam-se
estabelecidos em São Paulo, onde estudavam direito. A
viúva, d. Tereza Januário Carneiro, não intimidou-se com a
solidão imposta a ela pelo Criador, e ao mesmo tempo que
tocava os negócios da fazenda da família - a Liberdade -
endividava-se para custear os estudos dos seus rebentos.
Em 1862, o jovem Doutor José Cesário de
Faria Alvim formou-se pela Academia de Direito de São Paulo.
Logo formado, logo inconformado. Na busca do lar materno, a
fim de festejar seu triunfo junto à sua querida mãe,
deparou-se com seu primeiro caso; pior, no fundo incluía-se
entre as causas de sua primeira questão. Encontrou sua mãe
endividada pelos estudos que financiara aos filhos, e prestes
a perder sua propriedade, a Fazenda da Liberdade.
Liberdade tens, Liberdade terás. O
prodígio filho, na defesa de sua mãe, diante de uma causa
perdida contra o credor, o fazendeiro Coronel Francisco de
Assis Martins de Castro, conseguiu um acordo: a dívida foi
paga, porém, a Fazenda da Liberdade ficou desfalcada de 120
alqueires de terra.
Não se abatendo, passou para a Cidade de
Ubá e, com o lucro da venda do café da Fazenda da
Liberdade, deu início, em 1863, a construção de um
complexo comercial e industrial, no qual destacavam sua casa
senhorial, as máquinas de limpar café movidas a vapor, os
engenhos de arroz, o engenho de Santa Tereza e o famoso
TORREÃO.
Ergueu-se este complexo em local
considerado, naqueles tempos, distante da Cidade, na outra
margem do rio Ubá, defronte a um grande descampado. Não
poderia ter sido melhor a escolha do local. Ponto
estratégico, próximo as entradas e saídas da Cidade, e que
ainda teve a vantagem - quem sabe por influência do astuto
Dr. Cesário Alvim - de se beneficiar com a construção da
Estação Ferroviária [Leopoldina Railway], defronte ao
complexo industrial.
Daquele ano, de 1881, em diante, o
descampado onde ergueu-se o complexo Cesário Alvim, passou a
ser conhecido como Largo da Estação - hoje denominada
Praça Guido Marlière. Naquele mesmo ano, o Imperador D.
Pedro II esteve em Ubá e, entre os seus hospedeiros, estava
o próprio Dr. Cesário Alvim, que ofereceu memorável
banquete em sua Fazenda da Liberdade.
Qual a razão da construção do TORREÃO,
dentro daquele complexo industrial ?
Diante do avultado capital rotativo nas
transações comerciais de Cesário Alvim, era necessário
construir um estabelecimento seguro para a guarda do dinheiro
coletado - uma espécie de caixa-forte. Assim, resguardava-se
de possíveis investidas dos assaltantes, em busca do vil
metal sem o esforço do trabalho.
Bancos - nem pensar. A primeira Casa
Bancária de Ubá, somente foi instalada em princípios do
século XX, por José Teixeira Costa, na antiga rua do Brejo,
hoje Rua São José.
Assim, pelos fins que teria este
estabelecimento, uma espécie de banco particular, veio-lhe o
espírito medieval das antigas fortificações, e mandou
construir nas proximidades do seu complexo industrial, um
grande TORREÃO, de forma octogonal, com grandes janelas em
ogivas em todas as faces, de aparência gótica. Encimado por
platibanda corrida. As janelas, são todas em tipo
guilhotina, de cachilhos, com seis quadrados de vidro. [clique aqui]
A aparência neo-gótica, com janelas em
ogivas, talvez a mais alta construção da época, o velho
Dr. Cesário Alvim, do alto, sentado, quem sabe, sobre o
repleto cofre de moedas de ouro e espécies, dominava toda a
região de Ubá, com 360 graus de visão.
Qualquer suspeito, à distância, logo era
avistado e, do alto do torreão, cujo difícil acesso se faz
por íngreme e estreita escada circular, colada à parede,
logo era dado o grito de alerta à guarda armada, que de
prontidão ficava no andar térreo.
O estreitamento da escada e a dificuldade
de vencê-la, parece ser proposital - primeiro: para impedir
o acesso apressado dos maus intencionados; segundo: aos que
alcançaram este objetivo furtivo, deparavam com a
dificuldade de descer a estreita escada carregando sacos
pesados de moedas de ouro.
Quiçá tivesse existido, naquela ocasião,
algum mecanismo com roldanas funcionando dentro do velho
Torreão, para, em caçambas descer a cobiça do homem.
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A Cidade cresceu, modernizou-se, e dos seus
antigos bens históricos, poucos sobreviveram. Até mesma, a
Igreja Matriz de São Januário, que teve a honra de receber o
Imperador em 1881, teve tal tratamento ignorante do progresso, e
posta abaixo para dar lugar a um galpão. Hoje, no limiar do ano
2000, encontra-se em reformas, na busca quase impossível de
adquirir uma nova roupagem de acordo com os bons preceitos da
estética.
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No entanto, graças aos seus poucos e
sensíveis proprietários, ainda sobrevive o velho TORREÃO,
brilhantemente restaurado pela família Marques.
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No princípio deste século, uma dor profunda
caiu sobre os cidadões ubaenses que, vestidos do mais profundo
manto negro da solidão, tiveram a desventura de assistir uma de
suas últimas quimeras: o velho José Cesário de Faria Alvim,
morreu. 1903.
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Dr. José Cesário de Faria Alvim
[07.07.1839 - 1903] - Bacharel em Direito [SP-1862].
Chefe do Partido Liberal de Minas Gerais. Deputado
Provincial [1864 e 1866]. Deputado à Assembléia
Geral Legislativa [1867/68, 1880/81, 1887/88 e 1889].
Presidente da Província do Rio de Janeiro [1884].
Presidente da Província de Minas Gerais [1889/92].
Senador Constituinte [1890]. Primeiro Presidente
Constitucional da Província de Minas Gerais
[1891/92]. Prefeito do Distrito Federal - então Rio
de Janeiro [1889-1900].
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Talvez uma rápida leitura em seu inventário
nos possibilitasse descobrir que paradeiro houvera dado ao seu
posto de observação, ao seu banco particular, enfim, ao seu
TORREÃO.
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Passados alguns anos, não muitos, o velho
Torreão, alquebrado pelo tempo, estava em mãos da família
Rocha Ferreira, mais precisamente, do Sr. Silvério da Rocha
Ferreira e sua mulher, que o vendeu, ainda no princípio do
século ao seu irmão, Sr. Octaviano da Rocha Ferreira e mulher.
Este último, por escritura de 02.10.1912, lavrada no Cartório
de Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Ubá, vendeu o
Torreão, acompanhado de outras mais benfeitorias, compondo todo
um quarteirão à Praça Guido Marlière, ao comerciante Antônio
César dos Santos, cidadão prestimoso, muito benquisto na Cidade
onde deixou largo círculo de amizade.
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Dr. Antônio César dos Santos, era grande
proprietário na Cidade de Ubá, dedicando-se a indústria e ao
comércio. Pertencia a tradicional e influente família. Era
irmão de Francisco Augusto dos Santos, escrivão da Comarca de
Ubá. Primo e outro Francisco Augusto dos Santos, Major,
tabelião do 2.º Ofício. Sua esposa, Carolina Queiroz, de quem
meu avô falou-me algumas vezes, era de antiga família da Zona
da Mata, mais conhecida por D. Calusinha. Foi formidável
matriarca, mãe de seis filhos que preferiram assinar César, como
sobrenome, abandonando-se o Queiroz.
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O prestimoso cidadão, em fins de 1948 - época
em que eu mesmo já circulava pela Zona da Mata, na busca de bons
filmes exibidos pelo Grupo Cine Brasil - já em avançada idade,
foi abatido pelo cansaço da vida, e adoeceu. Procurando
estabelecer-se, seguindo o conselho de uns e, querendo
aproximar-se de sua família, então residente na Cidade do Rio
de Janeiro, acabou por abandonar a Cidade Carinho. Assim, por
escritura de 28.12.19148, lavrada no Cartório de Registro de
Imóveis da Comarca de Ubá [3.º Ofício], desfez-se dos seus
bens, vendendo o TORREÃO para o comerciante José dos Santos e
sua esposa, d. Eury Micherif.
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Dr. César dos Santos, liquidados seus
negócios, retirou-se para o Rio de Janeiro, onde veio a falecer
três meses depois, a 09.03.1949, sendo sepultado no Cemitério
de São João batista.
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O novo proprietário do antigo TORREÃO, o
comerciante José dos Santos, quando o adquiriu, havia acordado
um contrato de cavaleiros, com o negociante Agostinho Marques,
que adiantou parte do capital para efetuar-se àquela transação
de 1948. Isto explica o fato de que, já naquele ano de 1948,
passou a funcionar naquele quarteirão mais um Cinema, do grupo
Circuito Cinemas Brasil Ltda.
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Assim, por escritura de 31.12.1951, lavrada no
mesmo Cartório do 3.º Ofício, foi vendida [repassado] a parte
daquela aquisição, incluso o TORREÃO, ao Circuito de Cinemas
Brasil, de propriedade do Sr. Agostinho Marques e Filhos,
representado, no ato, pelo sócio gerente Agostinho Marques e
pelo sócio Joaquim de Araújo Porto. A referida escritura assim
descreve o terreno:
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«... um prédio, onde funciona o
Cinema Brasil, com uma porta de aço, duas de
madeira, uma marquise de cimento armado, um TORREÃO,
uma casinha assoalhada, coberta de telhas, um
escritório com duas janelas e uma porta de frente e
demais benfeitorias existentes nos fundos do dito
prédio e seu respectivo terreno ...»
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Passados alguns anos, o Grupo Cine Brasil,
acabou. Os Marques espalharam-se e expandiram-se em outros ramos.
Em 29.09.1994, transferiu-se a propriedade daquele imóvel para
Marques Guadalupe Empreendimentos e Comércio Ltda., de
propriedade de Dr. Renato Braccini Marques e sua mulher, conforme
Registro no Cartório de Registro de Títulos e Documentos de
Ubá.
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Quanto ao velho Torreão, conforme já foi
mencionado no artigo anterior, trocou sua antiga função de
caixa-forte por outra mais nobre. De Banco à CULTURA. Abriga
hoje, parte da fabulosa e encantadora coleção de arte primitiva
e naif, propriedade do Dr. Renato Marques, filho do saudoso
amigo, o Comendador Agostinho Marques.
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Repetindo o artigo anterior:
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O TORREÃO Centro econômico
há 136 anos atrás
O TORREÃO Centro
cinematográfico há 51 anos atrás
O TORREÃO Centro de cultura e
arte há 2 meses atrás [clique aqui ].
Por Carlos Tarakan.