Carlos Eduardo de Almeida Barata
Curriculum


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JOSÉ EUGÊNIO [JÔ] SOARES - UMA FAMÍLIA

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- Com quantos sobrenomes se forma uma família ?

 

Certamente uma pergunta impossível de ser respondida por qualquer genealogista. Podem ser milhares ou, quiçá, todos que existiram. Na impossibilidade da resposta, que tal diminuir este universo e alterar a pergunta:

 

- Que família posso formar com os seguintes sobrenomes ??

 

LEAL Sobrenome, primitivamente alcunha. Do adjetivo leal – do latim legale (Antenor Nascentes, Dic. Etim., II,169). Sobrenome de inúmeras famílias espalhadas por diversas partes do território brasileiro: Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Bahia, etc.

No Rio de Janeiro, entre as mais antigas, a de Antônio Leal [c.1614 - ?], que deixou descendência do seu cas., c.1639, com Maria de Lima (Rheingantz, II, 384).

Importante família do Maranhão, de origem portuguesa, que teve princípio em Antônio Henriques Leal, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Anunciação, Vila de Colares, Portugal. Irmão do Coronel Ricardo Nunes Leal, negociante na praça de São Luiz do Maranhão. Filhos de Henrique Carrasco e de Maria da Conceição. Antônio Henriques Leal foi Capitão, depois Tenente-Coronel de Ordenanças. Deixou numerosa descendência de seu cas., c.1798, com Ana Rosa de Carvalho, filha de Antônio de Carvalho Pinto e Souza e de Lourença Maria Cantanhede.

Antiga família de magistrados, originária das ilhas portuguesas, estabelecida na Bahia, para onde passou Manuel Leal de Valença [c.1730, Ilha de S. Miguel], que deixou geração do seu cas., c.1756, na Bahia, com Maria do Rosário, nat. da Bahia. Etc.

 

PEREIRASobrenome de origem geográfica. Da antiga Quinta de Pereira ou lugar de Pereira, estendendo-se, na forma de nome de família, aos antigos proprietários. De pereira, árvore da pêra, do latim *pira ou piru, por analogia com outras frutas do gênero feminino. (Antenor Nascentes,II,240). (SB,II,138). Da árvore pereira (Anuário Genealógico Latino, IV, 26).

Em São Paulo, entre as mais antigas, a do sapateiro Cristóvão Pereira, fal. 1622, que deixou geração de seu cas., c.1607, com Isabel Martins (AM, Piratininga, 136). Na Bahia, entre as mais antigas, a de Baltazar Pereira [1541, Ponte de Lima - ?], comerciante em Lisboa, moço da Câmara Real, passou à Bahia, em 1560, por interesses comerciais, onde tornou-se abastado senhor de terras. Deixou geração de seu cas. com Maria de Melo de Vasconcelos, das famílias Oliveira Carvalhal e Melo de Vasconcelos, da Bahia. Etc.

 

SOARESSobrenome de formação patronímica, tomado ao nome de Soeiro, o filho de Soeiro. Da baixa latinidade Suarici [doc. Ano 1073], Suarizi [doc. Ano 1097], Suariz [doc. Ano946], Suarez, Suarez e Soares (Antenor Nascentes,II,284) Assim como os demais patronímicos antigos - Eanes, Fernandes, Henriques, etc. - este sobrenome espalhou-se, desde os primeiros anos de povoamento do Brasil, por todo o seu vasto território.

Em São Paulo, entre as mais antigas, a de João Soares, residente em São Paulo, em 1579, que deixou geração de seu cas., em S. Paulo, com Messia Rodrigues (AM, Piratininga, 176).

Família de origem portuguesa, estabelecida em Pernambuco, para onde passaram dois irmãos, que foram os patriarcas das famílias Soares de Albuquerque (v.s.) e Soares da Cunha.

Família originária das ilhas portuguesas, estabelecida no Rio Grande do Sul, para onde passou, em 1838, João Antônio Soares, natural da Ilha do Cabo Verde, Portugal, que assinou termo de declaração, a 04.11.1858, em que informa ter 47 anos de idade e ser casado com uma brasileira, da qual tem seis filhos: Manuel, Tomás, Amaro, Júlia, Manuela e João (Spalding, naturalizações, 110).

Para a Paraíba, ver família Eugênio Soares. Importante família de origem portuguesa, estabelecida no Pará, para onde passou Antônio José Soares, nascido a 20 de Outubro de 1842, em Barreiros, no Minho, Portugal. Deixou numerosa descendência do seu cas. com Luiza Augusta Fernandes, nascida a 26 de Maio de 1848, e falecida em São Luiz do Maranhão. Etc.

 

EUGÊNIO – São raros os prenomes usados como nomes de família, no entanto, muitos grupos familiares o fazem, como forma de melhor se identificarem como descendentes de algum antepassado notável. Como exemplo, registramos o grande jurista, Dr. Ruy Barbosa [1849-1923]. Poucas referências teríamos se intensificássemos seus descendentes simplesmente pelo apelido Barbosa. Seus familiares, assim, adotaram o seu prenome Ruy, anexado ao seu nome de família, Barbosa, originando daí a família Ruy Barbosa. Entre seus descendentes, por exemplo, registro o escritor Benedito Rui Barbosa, o deputado Alfredo Rui Barbosa e o diplomata João Rui Barbosa.

O mesmo ocorre com a família do renomado higienista Dr. Oswaldo Gonçalves Cruz [1872-1917]. Alguns dos seus descendentes, como forma de se identificarem como de sua progênie, ao invés de simplesmente assinarem Cruz – que nenhuma associação teria com o sanitarista – passaram a assinar, como sobrenome de família, Oswaldo Cruz. Entre seus filhos, netos e bisnetos, por exemplo, encontramos: Bento Oswaldo Cruz [1895-1941], Ana Maria Oswaldo Cruz [1926] e George Eduardo Oswaldo Cruz [1961].

O mesmo ocorre, por exemplo, com as famílias Vital Brasil, Ronald de Carvalho, Peregrino Júnior.

Quanto ao prenome Eugênio, o incluí neste grupo devido ao seu uso por várias gerações dentro da importante família Soares, da Paraíba. Um dos seus antigos membros, perpetuou em seus descendentes o seu nome de batismo, Eugênio, unido ao seu nome de família, Soares, originando-se, daí, a família Eugênio Soares. Eugênio, vem do grego, Eugénios, de eugénios, de eugenés, bem nascido, nobre de origem, de alto nascimento, pelo latim Eubeniu [Antenor Nascentes, Dic. Etim., II, 105].

 

TAVARES – Sobrenome de origem geográfica, tomado a um lugar de nome Tavares. Da baixa latinidade Talavares, nome de uma povoação: Thalauares. A base será um nome próprio Ralavus, pré-romano, que aparece em inscrições latinas de Braga e das Astúrias (Antenor Nascentes,II,292).

Em Alagoas, destacaram-se os Tavares Bastos.

Na Paraíba, entre outros, os Tavares da Costa, procedente de Antônio Tavares da Costa, que deixou geração do seu cas., c.1840, com Casemira Accioli Toscano de Brito (Caldas Santos - Tavares da Costa). Ainda, na Paraíba, os Tavares de Melo. a qual pertence João Tavares de Melo Cavalcanti, que deixou geração do seu cas., c.1845, com Emília Augusta Benigna Viana.

Também no Rio de Janeiro, houveram outros Tavares da Costa, procedente de Antônio Muniz Tavares [c.1653 - 08.05.1709, Rio, RJ], filho de Gaspar da Costa e de Maria Tavares Ortiz, por onde ocorreu a união dos dois sobrenomes. Deixou geração do seu cas. no Rio, a 27.02.1683, com Úrsula de Andrade [c.1663 - 03.06.1716, Ri, RJ - exposta na casa do Cap. Manuel Pimenta de Carvalho] (Rheingantz, II, 645).

Na Bahia, destacam-se os Tavares de Almeida, procedente do Capitão José Tavares de Almeida, que foi pai do Dr. Domingos Tavares da Silva e Almeida, oficial da Junta da Real fazenda da Bahia e Capitão do Regimento da Nobreza, que deixou geração do seu cas., c.1784, com Ana Barbosa de Oliveira. Também, na Bahia, os Tavares de Morais, procedentes de Cristóvão Tavares de Morais e Sá, Desembargador da Relação da Bahia [1700] e Superintendente do Tabaco. Deixou geração de seu cas. com Adriana Cavalcanti de Albuquerque, descendente, pela linha indígena, de Jerônimo de Albuquerque, «o Adão Pernambucano», com a «índia» Maria do Espírito Santo Arcoverde (BF,I,320; Jaboatão, 82).

Em Pernambuco, registro os Tavares de Lira, com ramificações em Alagoas, cuja união dos dois sobrenomes teve princípio em Baltazar Affonso de Castro Lyra [c.1582-?], filho de Thomé de Castro e de Maria Nova de Lyra, e por via desta, era neto de Gonçalo Novo e de Isabel de Lyra, patriarcas da família Lira, do nordeste brasileiro. Deixou numerosa descendência do seu segundo cas., c.1620, com Maria Tavares, filha de Francisco Tavares.

No Rio Grande do Norte, os Tavares Guerreiro, a qual pertence Joaquim Tavares Guerreiro, que deixou geração do seu cas., por volta de 1836, com Ana Maria da Conceição. Seus descendentes aparentaram-se com a família Rapôso da Câmara, do Rio Grande do Norte.

 

Com os sobrenomes Leal, Pereira, Soares, Eugênio e Tavares, posso formar muitas famílias. Assim, por mais uma vez, diminuirei o universo alcançado por esta nova pergunta, e parto para uma mais setorizada:

 

Entre os Leal e os Pereira registro – Carlos Pereira Leal; entre os Tavares, registro o Capitão Thomaz Velloso Tavares; entre os Soares e os Eugênio, registro: Adolfo Eugênio Soares, Orris Eugênio Soares, Pedro Eugênio Soares e Adolfo Eugênio Soares Filho.

 

Posso formar uma família com estas personalidades ??

 

Agora me parece que sim:

 

Carlos Pereira Leal – Diretor-secretário de A Equitativa dos Estados Unidos do Brasil, fundada em 1896. Responsável pela instalação de sua filial em Portugal. Corretor da Bolsa de Valores, etc.

Capitão Thomaz Velloso Tavares, viveu nos meados do século XIX, casado na importante família pernambucana dos Porto Carreiro, com ramificações em Mato Grosso e no Rio de Janeiro.

Adolfo Eugênio Soares - negociante matriculado, em 1899, que deixou numerosa descendência do seu cas., por volta de 1870, com Amazile de Meira Henriques, de importante família da Paraíba. Era irmão de Pedro Eugênio Soares, Guarda Fiscal do Conselho Municipal de João Pessoa, em 1899.

Orris Eugênio Soares [1884, PB - 1964, RJ], bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife [PE-1907], advogado, deputado, jornalista e homem de letras. Secretário Geral do Estado da Paraíba [1920]. Fiscal de Bancos. Delegado do Tribunal de Contas e do Instituto Nacional do Livro. Autor de várias peças teatrais. Autor do «Dicionário de Filosofia. Diretor e fundador do jornal «O Norte».

Pedro Eugênio Soares [1888, PB -], médico e diplomata. Doutor em Medicina, pela faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. 2.º Secretário [1926], designado para Pequim; removido para o Rio de Janeiro [1933]. Cônsul de 2.ª Classe [1935]; removido para Nova Orleães [1936]; removido para Tampico [1937]. Lente catedrático do Liceu Paraibano. professor da Escola Normal do Estado da Paraíba. Inspetor Federal de Ensino. Médico da Saúde Pública do Distrito Federal [RJ]

Adolfo Eugênio Soares Filho [06.09.1874, PB -], bacharel em Direito [PE-1892], Juiz de Direito das comarcas de Grajaú, Alto Mearim, Coroatá, Codó e da cidade de São Luiz, todas no Maranhão. Secretário de Justiça, da Fazenda e Chefe de Polícia. Desembargador do Tribunal de Justiça [1920]

 

- Que família podemos formar ?

 

A família do famoso comediante, ator e escritor José Eugênio Soares, conhecido nacionalmente pelo nome artístico «JÔ SOARES».

 

O primeiro, Carlos Pereira Leal [clique aqui], é avô do artista Jô Soares.

O segundo, Capitão Thomaz Velloso Tavares, era parente afastado do artista Jô Soares, por parte dos pais do citado Carlos Pereira Leal, e, por sua vez, é bisavô da atriz Tonia Carreiro.

O terceiro, Adolfo Eugênio Soares, é bisavô do artista Jô Soares. Assim, seu irmão Pedro Eugênio Soares, tio bisavô de Jô Soares.

O quarto, deputado Orris Eugênio Soares, é avô do artista Jô Soares.

O quinto, Dr. Pedro Eugênio Soares, é tio-avô do artista Jô Soares.

E o sexto, o desembargador Adolfo Eugênio Soares Filho, também é tio avô do artista Jô Soares.

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Por Carlos Eduardo B

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