TÍTULOS DE NOBREZA - II
.
.
.
OS MARQUESES
Untitled Normal Page
OS MARQUESES
O título de Marquês tem origem no baixo-latim
marchensis, governador da marca (província fronteiriça);
através do provençal marques, que representava os chefes
militares que tinham a seu cargo a fiscalização das marcas ou
fronteiras do Reino.
Na Alemanha estes títulos da
nobreza, que tinham o nome de marakgraves, representam
número muito reduzido, ocupavam postos de muita
importância, tendo em certo tempo, havido controvérsia que
este título deveria ser colocado depois do de conde. Na
França, ao tempo de Napoleão I, foram promovidos muitos
condes ao marquesado [Enzo Silveira, Breviário
Heráldico, Medalhístico e Nobiliário. São Paulo. 1972,
pág. 79]
Perdeu o sentido etimológico para designar
simplesmente um título honorífico que, na ordem da hierarquia
é superior ao de Conde e inferior ao de Duque.
O primeiro Marquês, em Portugal, foi o Conde
de Ourém - título passado pôr D. Afonso V, a 11 de outubro de
1451, criando o Marquesado de Valença.
Usavam nas suas armas elmos de ouro, na
posição frontal, com sete grades e, em alguns casos, com rede.
A coroa é aberta de um círculo de ouro
cravejado de rubis e esmeraldas engastados, alternadamente, em
losangos e retângulos, e realçado por oito florões, quatro dos
quais de folhas de aipo e as outras quatro formadas de três
grandes pérolas postas em trevo.
Em desenho, se vê um florão completo,
central, dois meios florões nos extremos e dois trevos de
pérolas, intercalados.
OS CONDES
O título de Conde tem origem no latim comite,
"o que acompanha" dado aos conviventes, os acessores,
os altos empregados ou auxiliares das casas romanas. Nos últimos
tempos do Império romano, vimos ser aplicado, especialmente, aos
comandantes militares.
No século IV eram os oficiais civis e
militares. Já na Idade Média, designava, também, o soberano de
um senhorio de primeira ordem, daí, o termo Condado, ou seja, o
território sujeito à jurisdição do conde.
.
Era este um título outorgado a
altas personalidades, príncipalmente às que desempenhavam
elevados cargos, havendo destes titulares as três
categorias:comes palatti (conde do plaácio ou palaciano);
comes sacrarum (condes das mercês); comes domesticarum
(conde dos criados) [Enzo Silveira, Breviário
Heráldico, Medalhístico e Nobiliário. São Paulo. 1972,
pág. 80]
.
Existiram várias outras categorias de Condes,
divididas, pôr exemplo, aos que tinham funções de tabeliões
(comes notarum), aos que serviam na função de mordomo nos
plaácios romanos (comes patrimonii), aos que eram encarregados
da Câmara Imperial (comes cubiculi), etc.
Tenho em mãos um interessante texto, escrito,
em 1825, pelo magistrado e escritor português, Dr. Joaquim José
Caetano Pereira de Souza, sobre a origem da palavra Conde. Pôr
ser este seu trabalho muito raro, nos dias de hoje, e de difícil
acesso, achei interessante transcrevê-lo:
.
He hum título de honra, e um
grão de nobreza superior a Barão, e Visconde. Este título
é muito antigo, e já delle se usava no tempo da República
Romana. Dava-se o nome de Condes = Comites = aos Tribunos,
aos Prefeitos, e a outros Magistrados Civis, e Militares nas
Províncias, e lhes serviam de Substitutos, e Deputados.
No tempo dos primeiros Imperadores
este nome foi mais um sinal de domesticidade do que um
título de dignidade. D'antes esta dignidade preferia a de
Duque pôr ser a mais antiga, e andar nos Ricos homens, que
gozavam dos maiores privilégios do Reino. [...]
Os Reis Godos à imitação dos
Imperadores Romanos davam a todos os que exerciam os cargos
principais da sua Casa o nome de Condes
Havia aí «Comes Cubiculariorum»
= Camareiro-mor; «Comes Patrimònii» = Mordomo-mor; «Comes
Scantiarum» = Copeiro-mor; «Comes Spatatiarum seu
armigerum» = Capitão da Guarda Real; «Comes Thesaurorum...
= Intendente do Erário.
Em Documentos dos Séculos
décimo-quarto e décimo-quinto achão-se vestígios entre
nós Condes Palatinos."
.
Perdeu o sentido etimológico para designar
simplesmente um título honorífico que, na ordem da hierarquia
é superior ao de Visconde e inferior ao de Marquês.
O primeiro título de Conde, em Portugal, foi
passado por Carta de Doaçao de 8 de maio de 1298, no tempo do
Rei D. Diniz, em favor de D. João Affonso Telles de Menezes, que
recebeu o condado de Barcellos.
Usavam nas suas armas elmos de prata, em uma
posição "a meio perfil", com sete grades.
A coroa é aberta e formada de um círculo de
ouro enriquecido de pedrarias e realçado por dezesseis pérolas.
Em desenho, se vêem apenas nove pérolas, por
estarem as demais, detrás.
OS VISCONDES
O título de Visconde se originou do latim
vicecomite, significando o substituto do Conde. Eram designados
para substituírem aos condes em seus impedimentos. Em Roma
também eram denominados de ministri comitum.
Os viscondes tinham atribuições
que se assemelhavam muito à dos condes, pois exerciam até o
governo, o mando militar e a adminsitração da Justiça, o
que lhes dava uma importância singular. E, assim, pôr
exemplo, o de Poitu, na França, era formado de quatro vice
condados consideráveis: os de Chatellerault, Thomars,
Rochechouary e Brosse
Na Catalunha, como lugar-tenente do
Conde, existe sempre ao seu lado um visconde e, na medida em
que os condados do território catalão foram rescendo e se
agregando a outras Casas, em cada um destes condados ficou um
viconde, fato este que nos dá uma medida sobre a sua
importância [Enzo Silveira, Breviário Heráldico,
Medalhístico e Nobiliário. São Paulo. 1972, pág. 81]
Perdeu o sentido etimológico para designar
simplesmente um título honorífico que, na ordem da hierarquia
é superior ao de Barão e inferior ao de Conde.
D. João I, o Mestre de Aviz, criou o primeiro
título de vice-conde, a 27 de abril de 1475, em favor de D.
Leonel de Lima, tornando-o vice-conde de Villa Nova da Cerveira -
que já era daquela vila e Alcaide-mor de Ponte de Lima.
Usavam nas suas armas elmos de prata, na
posição "a meio perfil", com sete grades.
A coroa é aberta e formada de um círculo de
ouro cravejado de rubis e esmeraldas engastados, alternadamente,
em losangos e retângulos, e realçado por oito pérolas, sendo
quatro grandes e quatro menores
Em desenho, se vêem apenas três grandes
pérolas, intercaladas pôr duas menores, pôr estarem as demais,
detrás.
OS BARÕES
Este título tem origem no germânico baro, que
tem pôr significado "homem livre". Existem diversas
opiniões sobre a origem e significado deste vocábulo.
Antenor Nascentes cita, entre outros, Sheler,
que prefere ater-se a uma cominidade de origem de baron com as
palavras barn, infans, proles (do antigo alto alemão) e beorn
(anglo-saxônico), significando, "homem forte", que
aliás remontam igualmente ao vocábulo bairon ou beran,
significando "levar, produzir". [Dicionário
Etimológico da Língua Portuguesa pôr Antenor Nascentes, Do
Colégio Pedro II. Rio de Janeiro, 1932].
O título de barão era dado a
pessoas de grande destaque, pois lhes cabia grandes
responsabilidades pôr suas atribuições, principalmente
pelo fato de caberem aos barões o governo de enromes
territórios e a incumbência de terem sob seu mando homens
porntos para a guerra.
Os barões eram considerados
grandes vassalos, que sempre acudiam em defesa dos seus
soberanos [Enzo Silveira, Breviário Heráldico,
Medalhístico e Nobiliário. São Paulo. 1972, pág. 82].
Pêlos séculos VI ou VII, de "homem
livre", passou a ser adotado como uma qualificação
particular, dada a todos aqueles que se distinguiam, pôr suas
virtudes, do resto da multidão.
Na épocha da organizaçãodo
regime feudal, distinguiam-se duas espécies de barões: os
altos barões, que dependiam directamente do rei e formavam,
na sua origem, com os príncipes de sangue, a côrte do rei,
e os barões ordinários, que dependiam desses grandes
feudatários
Em fins do século XIV ou em
começos do século XV o título de barão acabou pôr
tornar-se uma simples denominação nobiliárquica que os
reis conferiam profusamente e cujos titulares foram relegados
para o quarto grau da hierarchia.
Todavia, até fins do século XVI
nobre algum se qualificou de "barão", sem que a
sua terra fosse erigida em baronia, mas já no século
seginte o título foi concedido pôr simples carta"
[Encyclopédia e Diccionário Intenacional Jackson, Vol. II,
p. 1194].
Perdeu o sentido etimológico para designar
simplesmente um título honorífico que, na ordem da hierarquia
é inferior ao Visconde.
D. João I, o Mestre de Aviz, também criou o
primeiro título de Barão, a 4 de março de 1476, em favor de D.
João Fernandes da Silveira, que recebeu o título de Barão de
Alvito, cuja esposa era Senhora de Alvito, Oriola e outras
terras.
Usavam nas suas armas elmos de prata, em uma
posição "a três quartos", com sete grades.
A coroa é aberta e formada de um círculo de
ouro cravejado de rubis e esmeraldas engastados, alternadamente,
em losangos e retângulos, enrolada de um colar de pérolas.
Em desenho, aparecem três voltas do colar.
HONRAS DA GRANDEZA
As honras da Grandeza que vemos acrescidas a
alguns dos titulares, representam, de certa forma, um outro
título honorífico, que o qualificava de GRANDE DO REINO ou do
GRANDE DO IMPÉRIO.
Hierarquicamente, poderíamos considerar, como
um "meio-grau" acima de um titular, da mesma categoria,
que não tivesse a grandeza. Somente os Barões e os Viscondes
estavam sujeitos a esta qualificação, enquanto os Condes,
Marqueses e Duques, automaticamente, ao receberem uma destas
três dignidades, estavam qualificados como GRANDE DO IMPÉRIO.
JOSÉ
FRANCISCO DE MESQUITA
|
CONCESSÃO
DO TÍTULO
|
| Barão de Bonfim |
18.07.1841 |
| Barão de Bonfim com
Honras de Grandeza |
15.12.1846 |
| Visconde de Bonfim com
Honras de Grandeza |
02.12.1854 |
| Conde de Bonfim |
19.12.1866 |
| Marquês de Bonfim |
17.07.1872 |
No gráfico acima, repetição do que já foi
apresentado no artigo anterior - Títulos de Nobreza I - temos,
pôr exemplo, José Francisco de Mesquita que, em 1841, foi
agrciado com o título de Barão de Bonfim e, cinco anos depois,
foi elevado com as Honras de Grandeza. Portanto, passou a ser um
GRANDE DO IMPÉRIO.
Em 1854, passou direto para o título de
Visconde de Bonfim com as Honras de Grandeza. Foi agraciado,
ainda, com os títulos de Conde e de Marquês.
Sobre os graus de grandeza, escreveu R.J.
Barman:
Certas normas, determinando o grau
de nobreza conferido a cada grupo, foram estabelecidas
durante o Segundo Reinado. O Titular mediano se tornava
barão com grandeza com pouca perspectiva de subir a um grau
mais elevado. Se recebesse novo título, era geralmente o
acréscimo da nobreza ou a elevação a visconde sem
grandeza.
A outorga direta de barão com
grandeza era normalmente reservada para os oficiais militares
e para os companheiros intelectuais do Imperador.
O título de visconde sem grandeza
comumente era conferido a viúvas ou a grandes fazendeiros,
enquanto o de visconde com grandeza era concedido a renomados
políticos, Senadores e Conselheiros de Estado.
O título de Conde era usualmente
conferido diretamente aos bispos e a viúvas de viscondes
eminentes.
Só pessoas de mérito excepcional,
geralmente líderes políticos e militares de grande
conceito, se tornaram marqueses, e o único título de Duque
conferido pôr D. Pedro II, que se absteve de conceder essa
honra a seus genros, foi em 1869 ao principal militar
brasileiro, o conquistador do Paraguai.
Estas normas não foram sempre
seguidas, e a simples longevidade permitiu a vários subirem
a graus mais altos do que justificariam seus serviços
originais"[Roderick J. Barman -Uma Nobreza no
Novo Mundo: a Função do Título no Brasil Imperial - in
Mensário do Arquivo Nacional, s.I.s.n., 6-1973, Ano IV, n.6,
pp.4/21].
Durante o período Imperial, pôr exemplo, o
Senado Brasileiro teve ao todo 20 Presidentes, destes, 16 (80%)
receberam título de nobreza: 8 Marqueses, 1 Conde, 4 Viscondes e
3 Barões.
Segue um quadro demonstrativo das idades destes
parlamentares, quando da concessão de seus últimos títulos:
| N.º |
PRESIDENTES DO
SENADO |
NASC. |
CONCESSÃO |
IDADE |
| 1 |
Marquês de Santo Amaro |
1767 |
1826 |
59 anos |
| 2 |
Marquês de Inhanbupe |
1760 |
1826 |
66 anos |
| 3 |
Marquês de Baependi |
1765 |
1826 |
61 anos |
| 4 |
Marquês de Paranaguá |
1769 |
1826 |
57 anos |
| 5 |
Marquês de Valença |
1777 |
1848 |
71 anos |
| 6 |
Marquês de Monte Alegre |
1796 |
1854 |
58 anos |
| 7 |
Marquês de Lages |
1781 |
1845 |
64 anos |
| 8 |
Marquês de Sapucaí |
1793 |
1872 |
79 anos |
| 9 |
Conde de Bapendi |
1812 |
1858 |
46 anos |
| 10 |
Visconde de Abaeté c.gr. |
1798 |
1854 |
56 anos |
| 11 |
Visconde de Jaguary |
1812 |
1872 |
60 anos |
| 12 |
Visconde de Sinimbú c.gr. |
1810 |
1888 |
78 anos |
| 13 |
Visconde do Serro Frio c.gr. |
1819 |
1888 |
69 anos |
| 14 |
Barão de Monte Santo c.gr. |
1779 |
1848 |
69 anos |
| 15 |
Barão de Pirapama c.gr. |
1766 |
1861 |
65 anos |
| 16 |
Barão de Cotegipe c.gr. |
1815 |
1860 |
45 anos |
Média das
Idades
|
62,6 anos |
Com relação aos ornamentos exteriores do
Brasão de Armas, somente depois da época dos descobrimentos,
que se tornou sistematizado, em Portugal, se colocarem sobre os
escudos, as coroas de Rei, Duque, marquês, Condes, Viscondes ou
Barão, com a finalidade de simbolizar ou marcar o seu grau de
realeza ou de nobreza titulada.
Nestes casos, vimos os titulares que foram
elevados às honras da Grandeza, utilizarem, em seus Brasões,
coroas em graus superiores a seus títulos.
O Visconde com honras de Grandeza de Abaeté,
relacionado no gráfico acima, ao receber sua Carta de Brasão de
Armas, datada de 22 de Julho de 1864, vem registrada a coroa de
Conde.
O Barão de Lorena, Estevão Ribeiro de
Rezende, que teve, pôr Decreto Imperial de 16 de Janeiro de
1853, o acréscimo das Honras da Grandeza, ao receber sua Carta
de Brasão de Armas, datada de 22 de Maio de 1867, nela se
brasonou a coroa de Conde.
Minas, 30.12.1998 - Carlos Eduardo B
.
.
.
- Última Hora -
.
ÚLTIMA
Recentemente,
ÚLTIMA HORA:
Recentemente, através da HC GALLERY [hcgallery@ccard.com.br]
recebi um e-mail, pedindo informações sobre as origens da
família BACCA e BACH - ambas do Estado do Rio de Janeiro.
Nossas investigações chegaram ao seguinte resultado:
BACCA - Família de
origem italiana, estabelecida em Dorândia, Município de
Piraí, região central do Vale do Paraíba Fluminense,
Estado do Rio de Janeiro, para onde passaram Pasquale
Bacca e sua esposa Francesca Brandi. Foram pais de
Carolina Bacca [c.1851, Itália -], que deixou geração
das suas duas uniões: a primeira, por volta de 1872, com
Domingos Palmeira; e a segunda, por volta de 1880, com
Carlos Miguel Carrano [1845-1927], patriarca desta
família Carrano, no Estado do Rio de Janeiro.
BACH - Sobrenome, provavelmente de profissão. Nome de
família alsácia-lorena: arroio, regato, valeta das
ruas ou estradas; podendo ser geográfico: aquele
que habita próximo ao arroio (Dauzat, 19). Família
de origem germânica, estabelecida na região serrana do
Rio de Janeiro, para onde passou Johann Peter Bach [1816,
Bacharach, Alemanha - 1873, Petrópolis], por ocasião da
colonização germânica de Petrópolis. Deixou geração
de seu cas. com Catherine Barbara Kraus [1826, Alemanha -
1912, Petrópolis]. Estabelecidos, em 1845, no prazo de
terras n.º 419, do quarteirão Francês, Petrópolis,
RJ. Há, na atualidade, diversas famílias com este
sobrenbome estabelecidas na Cidade do Rio de Janeiro, RJ.
Sobrenome de uma família de origem judaica, estabelecida
recentemente no Rio de Janeiro. Sobrenome de uma família
de origem germânica, estabelecida neste século XX, no
Município de Palmeiras, Paraná.
(Carlos Eduardo B)