NEOCLÁSSICO - ROCOCÓ - I
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BARROCO III
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Cest la passion et le vice
qui animent les
compositions du peintre, du
poète, du musicien
Diderot
Situado entre o "contraditório mundo barroco" e o
"apaixonado", ou "passional" Romantismo o Neoclassicismo
ou Arcadismo, para a literatura, o Iluminismo, para
o pensamento, e Classicismo, para a música, o Rococó,
principalmente para as artes plásticas este estilo mal
ultrapassou seis décadas de permanência e domínio - ainda que
às vezes criativo - ao correr da segunda metade do século
XVIII, considerando os limites cronológicos mais rígidos.
Tempo de grande movimento histórico-cultural, instaurador de
uma nova ordem, de profunda e longa fermentação intelectual e
social, que culminou com Revolução Francesa, 1789, em seu seio
conviveram personalidades de grande expressão, nos mais diversos
ramos do conhecimento humano, deambulando por salões, cafés e
clubes, ou então congregados em academia e agremiações
literárias, artísticas e filosóficas.
A burguesia fortalecida e com ela o racionalismo, o
experimentalismo - o progresso - constituem referências e
atitudes daquele momento em que os valores das "luzes"
sobrepujavam os privilégios da nobreza e do alto clero. A
sociedade deveria atingir como maiores valores um estado de
justiça e de plena felicidade, em conformidade com as leis da
natureza, em que se consubstanciavam o otimismo, a crença no
progresso e a obtenção do bem-estar coletivo.
Assim é que. como informa o Professor Francisco Maciel
Silveira, em "Preliminares" (In: Literatura Portuguesa
em Perspectiva, S.P., Atlas, 1993)
«Tornou-se axiomático dizer que o
século XVIII está cheio de contradições, é uma
encruzilhada de correntes espirituais e estéticas.
Afinal, nele interpenetraram-se e entrechocaram-se
correntes as mais das vezes conflitantes no seu afã
de ora perpetuar tendências de um passado moribundo,
ora de revogá-las, quando não caldeá-las em nome
de um futuro promissor.
À guisa de ilustração,
registra-se uma - talvez a mais flagrante - dentre as
contradições inscritas no século: o Setecentos
foi, grosso modo, progressista na ciência e
retrógrado na arte.
do desrespeitar
"autoridades", teve seu contraponto na
literatura, anquilosada no culto aos modelos
pretéritos e subserviente a regras que tolhiam
qualquer impulso inovador. O espírito crítico e
"ilustrativo" quando se ocupava da ciência
ou política ou região, abeirava-se da
irreverência, ao acusar os "antigos" e as
instituições pretéritas de entravarem o progresso
das «Luzes».
Contudo, quando se tratava da arte,
esse mesmo espírito crítico e
"ilustrado", que fazia do livre pensar à
regra de todas as coisas, submeta-se reverentemente
às normas e modelos - tidos por insuportáveis - da
Antigüidade.
De modo geral e amplamente, o estilo tem como dominantes
algumas características, a saber: retorno aos modelos da
antigüidade greco-latina, acatados no que se refere à
simplicidade e equilíbrio; conceito de arte com imitação da
natureza - beleza, pureza, espiritualidade, mediados pelo
racionalismo, no interesse pelo natural, simples e espontâneo,
às vezes até com finalidades didáticas e doutrinárias. Como o
necessário refrigério, a criação do "locus amenus",
a emoção contida, com equilíbrio de sentimento, ainda que
aformoseando o real para torná-lo aprazível. A graça e
elegância, o requinte, a alegria e o jogo são facilmente
reconhecidos nas obras do Rococó, que tendiam para o
fantástico, o exótico, o pitoresco, o afetado e o exuberante,
mas agora sem os exageros do antecedente Barroco.
Adeptos do ceticismo, do deísmo, do empirismo e do
materialismo, os homens "ilustrados" constituíram-se
promotores da democracia e do liberalismo, da revolução
industrial, da nova ordem social e política, enquanto
reformadores da tradição, com especial atenção à religião
católica. E a propósito diga-se que o Iluminismo tem a Razão o
seu mais elevado padrão e valor, seja para religião, filosofia,
ciência, assim como para o Estato, Direito e a Economia. É só
recordar alguns autores ainda lembrado e estudados: Hume,
Alembert, Rousseau, Voltaire, Diderot, Holbach, Montesquieu,
Condilac e também Lessing, Metastásio, Swift, Herder, Wiellan,
Goldoni, Verney, Menendez, Saint Pierre. É a época dos famosos
déspotas esclarecidos, Frederico II, Prússia, Tanucci,
Nápoles, Marquês de Pombal, Portugal, Catarina II, Rússia.
As artes decorativas tiveram grande explendor no Rococó.
Entre o estilo requintado e a presença ainda da decoração
barroca desenvolveram-se as tendências cortesãs e galantes. A
tapeçaria, Boucher, e as porcelanas (Sévres) refletem o clima
da galanteria e as cenas postorais. Na arquitetura, mormente na
Alemanha (Baviera) e na Áustria, é de ver nos edifícios
religiosos, nos castelos e nos interiores, a magnificência - e
até originalidade - das obras executadas.
Todavia, das artes literária, musical e plásticas traremos
em próximo mês.
Antonio Basilio Rodrigues