Antonio Basilio Rodrigues
Curriculum


NEOCLÁSSICO - ROCOCÓ - I

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. BARROCO III Untitled Normal Page

C’est la passion et le vice qui animent les

compositions du peintre, du poète, du musicien

Diderot

 

Situado entre o "contraditório mundo barroco" e o "apaixonado", ou "passional" Romantismo o Neoclassicismo ou Arcadismo, para a literatura, o Iluminismo, para o pensamento, e Classicismo, para a música, o Rococó, principalmente para as artes plásticas este estilo mal ultrapassou seis décadas de permanência e domínio - ainda que às vezes criativo - ao correr da segunda metade do século XVIII, considerando os limites cronológicos mais rígidos.

 

Tempo de grande movimento histórico-cultural, instaurador de uma nova ordem, de profunda e longa fermentação intelectual e social, que culminou com Revolução Francesa, 1789, em seu seio conviveram personalidades de grande expressão, nos mais diversos ramos do conhecimento humano, deambulando por salões, cafés e clubes, ou então congregados em academia e agremiações literárias, artísticas e filosóficas.

 

A burguesia fortalecida e com ela o racionalismo, o experimentalismo - o progresso - constituem referências e atitudes daquele momento em que os valores das "luzes" sobrepujavam os privilégios da nobreza e do alto clero. A sociedade deveria atingir como maiores valores um estado de justiça e de plena felicidade, em conformidade com as leis da natureza, em que se consubstanciavam o otimismo, a crença no progresso e a obtenção do bem-estar coletivo.

 

Assim é que. como informa o Professor Francisco Maciel Silveira, em "Preliminares" (In: Literatura Portuguesa em Perspectiva, S.P., Atlas, 1993)

 

«Tornou-se axiomático dizer que o século XVIII está cheio de contradições, é uma encruzilhada de correntes espirituais e estéticas. Afinal, nele interpenetraram-se e entrechocaram-se correntes as mais das vezes conflitantes no seu afã de ora perpetuar tendências de um passado moribundo, ora de revogá-las, quando não caldeá-las em nome de um futuro promissor.

 

À guisa de ilustração, registra-se uma - talvez a mais flagrante - dentre as contradições inscritas no século: o Setecentos foi, grosso modo, progressista na ciência e retrógrado na arte.

do desrespeitar "autoridades", teve seu contraponto na literatura, anquilosada no culto aos modelos pretéritos e subserviente a regras que tolhiam qualquer impulso inovador. O espírito crítico e "ilustrativo" quando se ocupava da ciência ou política ou região, abeirava-se da irreverência, ao acusar os "antigos" e as instituições pretéritas de entravarem o progresso das «Luzes».

 

Contudo, quando se tratava da arte, esse mesmo espírito crítico e "ilustrado", que fazia do livre pensar à regra de todas as coisas, submeta-se reverentemente às normas e modelos - tidos por insuportáveis - da Antigüidade.

 

 

De modo geral e amplamente, o estilo tem como dominantes algumas características, a saber: retorno aos modelos da antigüidade greco-latina, acatados no que se refere à simplicidade e equilíbrio; conceito de arte com imitação da natureza - beleza, pureza, espiritualidade, mediados pelo racionalismo, no interesse pelo natural, simples e espontâneo, às vezes até com finalidades didáticas e doutrinárias. Como o necessário refrigério, a criação do "locus amenus", a emoção contida, com equilíbrio de sentimento, ainda que aformoseando o real para torná-lo aprazível. A graça e elegância, o requinte, a alegria e o jogo são facilmente reconhecidos nas obras do Rococó, que tendiam para o fantástico, o exótico, o pitoresco, o afetado e o exuberante, mas agora sem os exageros do antecedente Barroco.

 

Adeptos do ceticismo, do deísmo, do empirismo e do materialismo, os homens "ilustrados" constituíram-se promotores da democracia e do liberalismo, da revolução industrial, da nova ordem social e política, enquanto reformadores da tradição, com especial atenção à religião católica. E a propósito diga-se que o Iluminismo tem a Razão o seu mais elevado padrão e valor, seja para religião, filosofia, ciência, assim como para o Estato, Direito e a Economia. É só recordar alguns autores ainda lembrado e estudados: Hume, Alembert, Rousseau, Voltaire, Diderot, Holbach, Montesquieu, Condilac e também Lessing, Metastásio, Swift, Herder, Wiellan, Goldoni, Verney, Menendez, Saint Pierre. É a época dos famosos déspotas esclarecidos, Frederico II, Prússia, Tanucci, Nápoles, Marquês de Pombal, Portugal, Catarina II, Rússia.

 

As artes decorativas tiveram grande explendor no Rococó. Entre o estilo requintado e a presença ainda da decoração barroca desenvolveram-se as tendências cortesãs e galantes. A tapeçaria, Boucher, e as porcelanas (Sévres) refletem o clima da galanteria e as cenas postorais. Na arquitetura, mormente na Alemanha (Baviera) e na Áustria, é de ver nos edifícios religiosos, nos castelos e nos interiores, a magnificência - e até originalidade - das obras executadas.

 

Todavia, das artes literária, musical e plásticas traremos em próximo mês.

 

Antonio Basilio Rodrigues

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