ROMANTISMO - I
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BARROCO III
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Die Sonne glänzt, es blühen die Gefilde,
Die Tagekommen blütenreich und milde
Mölderlin
Complexo como complexos são seus expoentes nas mais diversas formas de arte - literária, musical e pictórica - é o Romantismo. E até as tentativas de classificação são amplas, indefinidas, muitas vezes, e diferenciadas. É um mar de conjecturas e um rio de vários afluentes. Mais que um estado de espírito, segundo alguns, ou uma configuração artística de fins do século XVIII e primeira parte do XIX, o Romantismo é uma contingência sócio-cultural de nova era, gerada pôr uma fase histórica definitiva: a ascensão da burguesia.
Informa Jsé Guilherme Merquior que:
O romantismo foi a primeira grande estética da cultura ocidental às duas realidades que marcam o advento da fase propriamenta contemporânea dos tempos modernos: a Revolução Industrial e a revolução social, inaugurada pela Revolução Francesa de 1789. Nessa qualidade de primeiro grande estilo da era contemporânea, o romantismo representou uma ruptura profunda com o universo mental da arte anterior.
O surgimento, pôr volta de 1800, do romantismo europeu coincide com o recesso da "idade humanística " e dos costumes aristocráticos. O horizonte da industrialização, o aparecer das massas urbanas em sentido demograficamente moderno, assinalaram o fim do predomínio cultural das camadas aristocráticas e o aburguesamento das elites. Simultaneamente, a civilização européia abandonou aquela referência sistemática aos modelos artísticos e à mitologia da Antiguidade, com que o humanismo renascentista identificara a formação, a educação espiritual, do homem do Ocidente, e a que os classicismos ilustrados haviam permanecido fiéis.
O romantismo propriamente dito nascerá, em Iena ( 1797 ), com a poética fantasista, deliberadamente caprichosa e chocante, isto é antiburguesa, dos irmãos Schlegel. (Romantismo, In: Teoria da Literatura. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro )
Visto como oposição ao Classicismo e Iluminismo, o Romantismo torna-se defensor do idealismo, ultrapassado a cosmovisão racionalista da estética neoclássica, fazendo predominar o sentimentalismo, a emotividade, a subjetividade, a dramaticidade lacrimejante de obras como o romance - o romance é uma criação romântica - Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe, que provocou prantos e até trágicos desenlances, conforme a gazeta da época. Maketing ! Talvez se possa dizer, de passagem, que os românticos são os primeiros marqueteiros da criação artística.
Romantismo; suite. 2
A lista de escritores e músicos românticos é vasta e bem conhecida. Não seria em tal intensidade quantitativa nas artes plásticas. Vejamos alguns poucos: Além dos já citado na epígrafe e do autor de Afinidades Eletivas, temos Novalis, Schiller, Meine, Kleist, Hoffmann, Wordsworth, Coleridge, Byron, Keats, Rousseau, Cheteaubriand, Musset, Dumas, Nerval, Balzao, Stendhal, Hugo Leopardi, Manzoni, Foscolo, Poe, Zorrilla, Bécquer, Gogol. Em Portugal avultam Garrett, Merculano, Camilo e entre nós Gonçalves Dias, Alencar, Castro Alves, para referir apenas os destacados.
Beethoven, egresso das tendências clássicas é a nos parecer o introdutor do Romantismo musical, seguido de Schubert, Brahms, Berlioz, Wagner, Chopin, Liszt, Mendelssonn, Grieg, Rossini, Tchakovski e alguns retardatários que entraram pelo século XXI.
Nas artes plásticas podemos relacionar, e a partir de Ingres, Füssli, Delacroix, Goya, Turner, Corot, Géricault, Moudon, Genova, Rude, Bartolini, Carpeaux, Filgues e Thorvaldsen, na escultura, assim como Ferstal, Müller, Semper, Förster, Cagnola, Rossi e Durand, na arquitetura.
O mundo visto através da personalidade do artista, individualismo e subjetivismo; a ambivalência de estados ( alegria e tristeza )provocando ilogismo; a fuga para épocas remotas ou desconhecidas, o senso do mistério e o escapismo; a procura de um novo mundo, o reformismo; as fantasias oníricas e deambulações por terras ignotas, seus mitos, povoam o sonho do criador; a fé em vez da razão e o culto da natureza, não maculada pela sociedade, lugar do "bom selvagem", aquele que ainda não está contaminado pêlos vícios da civilização, leva inclusive a descrever, poética, pictórica ou musicalmente, o lugar incomum e exótico; já que o mundo circundante está desprovido de pureza, o remédio é voltar a um passado valorizado, idealizado e contrastante com o presente e assim a História conheceu uma fase de interesse e estudos. Além disso, e inclusive, há a busca do pitoresco, da cor local, do exagero, da espontaneidade, da pluralidade de emoções, enfim de todo um individualismo, autenticidade, valorização do artista, que estavam mais nas manifestações exteriores, pessoais igualmente, do que verdadeiramente numa praxis bem fundamentada.
O público receptor amplia-se: o que antes era um restrito círculo de apreciadores e mecenas a ser domínio de uma invulgar massa de aficcionados entre os emergentes burgueses que com isso tornam-se padrões de gosto. Gosto ? O criador torna-se reflexo de uma rebeldia - geralmente sem causa ! - visionária que se deixa levar e enlevar pela inspiração, inflando um eu, dito imcompreendido e inadaptado, que se refugia freqüentemente no passado, no sonho, na paixão, na melancolia. A relação romântico com a natureza exterior acaba se transformando numa espécie de transfiguração pela constante idealização, levando a uma temática onde são avivados as paixões, mas também a morte, as ruínas e os túmulos. É o chamado 'mal du siècle". Como já anteriormente aludido, é pela imaginação que o real é apreendido e a fantasia torna-se o lugar do romantico, o demiurgo, do criador de um mundo que é um reflexo da sua alma.
"Os acontecimentos devem existir nos romances somente para possibilitar o desenvolvimento das paixões do coração humano (... ) Observar o coração humano é mostrar a cada passo a influência da moral sobre o destino apregoava em 1802 Mm de Staël.
No próximo mês percorreremos algumas obras românticas nas diferentes formas de arte.
Antonio Basilio Rodrigues