Humanismo, cinquecento, classicismo, são diversos os títulos que tentam classificar e abranger as manifestações artísticas de fins do século XV e início do XVI, antes da chamada crise renascentista de que irá emergir o Manerismo.
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Como dissemos alhures, "No espaço compreendido pelo século XVI desenvolveram-se, nas grandes linhas, concepções antagônicas de arte, coexistindo em determinados espaços o Classicismo estabelecido e o Maneirismo afluente.
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As diferenças concepcionais entre a perspectiva classicizante e a maneirizante prendem-se fundamentalmente ao binômio natureza / artista, a partir do qual decorrem as demais categorias e relações.
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Assim é que se a natureza constitui a fonte de toda a estesia clássica, em que o criador integrava e combinava elementos de beleza e realizava um ato de síntese, o Maneirismo rejeita a teoria de arte como cópia da natureza, a favor do princípio de que o artista cria e seu objetivo é a análise da realidade.
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A síntese clássica corresponde à imitação global em que se repartem os problemas de fundo e forma, o conteúdo da mensagem e sua expressão, com o objetivo de nada omitir que seja essencial, mas eliminar do quadro da realidade aquilo que não seja substancial ou pareça acidental, marginal ou irrelevante.
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Pela análise maneirista da realidade privilegiam-se a multiplicidade e a riqueza de aspectos isolados e a perfeição nas coisas representadas, valorizando-se o aspecto formal do modelo.
O Maneirismo, todavia, será assunto a tratar no próximo mês.
Os modelos, nas representações de arte, estão a certa distância, seja de geração - Leonardo da Vinci (1452 - 1519 ), quer mais afastados no tempo cronológico - Petrarca ( 1304 - 1374 ), ou na Ars Nova Machaut ( c.1300 - 1377 ), passando por Dunstable (c.1380 - 1453 ), para chegar a Des Prés (c.1440 - 1521 ).
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As Principais características do estilo de época, em termos globais - e ressalvando-se as diferentes manifestações literárias, pictóricas ou musicais - situam-se na imitação de modelos e da natureza ( assim como a natureza cria, o homem também cria ) no antropocentismo, em vez do teocentismo medieval, pois o homem, cortesão, aventureiro, guerreiro e ávido de conhecimento ( Humanismo ), passa a colocar-se como centro de tudo e como isso mais envolvido por sentimentos, do amor principalmente, e conflitos existenciais; na mitologia que contribui para a "paganização" do homem e seus temas, de um lado, simultaneamente a um neoplatonismo dominante - contaminação da doutrina de Platão pelo cristianismo - Tendências que exerciam influência nas atitudes e no produto artístico do quinhentista.
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Na PINTURA a luz e a sombra - esta cada vez mais acentuadamente - tornaram-se meios de expressão e a paisagem mantinha interna relação com a ação, a exemplo da chamada regra das três unidades na literatura, remanescente da cultura greco-latina.
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A partir da ARQUITETURA de Brunelleschi ( 1377 - 1446 ) ampliaram-se as perspectivas renascentistas de Biagio Rossetti ( 1447 - 1519 ) - a saber o Palácio dos Diamantes, Ferrara - e na ESCULTURA nota-se o interesse pela figura humana, pelo realismo dos movimentos, na configuração da massa muscular, nas linhas curvas e sinuosas, realismo pleno de expressão e movimento que já se pode reparar nos bronzes de Donatello ( 1386 - 1466 ) - David - e - Hércules e Anteu - e também em Verrocchio ( 1435 - 1448 ), assim como a pictórica monumentalidade e reprodução fiel de corpo de Masachio ( 1451 - 1428 ), a teatralidade de Della Francesca ( 1420 - 1492 ).Botticelli ( 1444 - 1510 ), esse é um caso à parte.
A era do renascimento apresenta-nos na Música um "clima favorável à difusão de novas técnicas e à evolução da grande tradição ocidental da Ars Nova".
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Ainda que formalmente subordinada à poesia e às estruturas poéticas - de que o madrigal polifônico é a maior expressão harmônica da época - a música conhece grande popularidade, dando origem aos grandes virtuoses, improvisadores, principalmente no alaúde, na viola da gamba, e a tipografia musical, recém-implantada, tornou-se considerável elemento de difusão, como também as Academias florentina e romana.
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O já citado Josquin des Prés e Janequin (c.1485 - 1558 ) foram os compositores de obra mais representativa, ressaltando-se, de passagem, que então os músicos não possuíam quaisquer direitos legais sobre sua obra.
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Do Trovador ao Poeta, do versejador ao revelador de um mundo - micro e macro-cósmico, imanente e transcendente, variado em possibilidades, no qual se ama e sofre - em que se vivencia a nostalgia, sente-se a morte, e em que o demiurgo, ora elevando-se acima da "medida"de todas as coisas, ora voltando-se para os bens terrestres, rompe com certos limites para deixar levar-se pela sensibilidade e pelo culto dos mestres antigos. O "dolce stil nuovo"e as idéias humanísticas são constantes da poética clássica do quinhentismo.
O elogio da simplicidade rústica, longe do artificialismo da corte e da cidade, o sentimento de otimismo - Utopia ( 1516 ) de T. Morus ( 1478 - 1535 ), em contraponto ao "imoralismo"de O Principe (1516) de Maquiavel ( 1469 - 1527 ) constituem temas dominantes.
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Envolvidos nessas e outras matérias contam-se Gil Vicente (c.1456 - 1536 ), Boscán ( 1490 - 1542 ), Del Encina ( 1469 - 1529 ), Erasmo ( 1467 - 1536 ), Sannazzaro ( 1458 - 1529 ), Sá de Miranda ( 1495 - 1558 ), Ariosto ( 1474 - 1533 ), Castiglione ( 1458 - 1529 ), Antônio Ferreira ( 1528 - 1569 ), Marot (1496 - 1544 ), para apenas citar muito poucos.
Em termos de LITERATURA nem sempre é fácil destrinçar o que deixa de ser medieval ou não é ainda maneirista.
Seja pelo que for, no entanto, deve ressaltar-se o início do Século XVI como uma revolução educacional, enquanto um retorno reverente às letras da antiguidade clássica, da restauração das regras de separação do estilo ( elevado, médio, baixo ) e dos temas ( sérios vulgares ), na Lírica, na épica, no drama.
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"Bibliografia básica e de fácil consulta".
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Artes Plásticas:
Battisti, Eugênio. Renascimento e Maneirismo. Lisboa, Verbo, 1984
Hauser, Arnold. História Social de la Literatura y el Arte. Madri, Guadarrama, 1968 ( Há edição em português ).
Música:
Candé, Roland. História Universal da Música. S.Paulo, Martins Fontes, 1994, 2v.
Literatura:
Carpeaux, O . Maria. História da Literatura Ocidental, Rio de Janeiro; O Cruzeiro, s/d, 9v. ( Há edição mais recente ).
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Por Antonio Basilio Rodrigues